Edição 125

agosto 29, 2011

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Em busca de produtos biodegradáveis

agosto 29, 2011

Celulose bacteriana associada ao amido é uma possível inovação na produção de bandejas para alimentos em supermercados

A Profª Dra. Paula Cristina de Sousa Faria Tischer coordena pesquisa com celulose bacteriana que traz inovações na produção de bandejas de alimentos utilizadas em supermercados

Edição: Karina Constancio
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Beatriz Botelho

Há menos de um ano, Paula Cristina de Sousa Faria Tischer, professora do Departamento de Bioquímica da Universidade Estadual de Londrina, graduada em Farmácia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, com mestrado e doutorado em Bioquímica pela Universidade Federal do Paraná e pós-doutorado atuando em biopolímeros pela UFPR, trabalhou no Centre de Recherches sur les Macromolécules Végétales (CERMAV) na França, desenvolve o projeto “Aplicação de celulose bacteriana, nativas e modificadas, em compósitos com amido”. A pesquisa traz inovações na produção de bandejas de alimentos utilizadas em supermercados e o Conexão Ciência foi saber um pouco mais a respeito desse trabalho.

Conexão Ciência: Quando se iniciou o projeto e quem são os participantes?
Profª Dra. Paula Cristina de Sousa Faria Tischer: O projeto dos compósitos com o amido começou em abril desse ano. Ele está sendo desenvolvido em parceria com a professora Suzana Mali de Oliveira*- que trabalha com embalagens biodegradáveis de amido há anos -, com o professor Cesar Augusto Tischer** e com o Prof. João Buzato*** que também são do Departamento de Bioquímica e Biotecnologia. Além deles, há também a participação de cinco alunos do curso de Farmácia da UEL e a colaboração da Profa. Izabel Cristina Riegel**** da UFPR. A professora Suzana trabalha com o amido, eu faço as modificações na celulose bacteriana, o professor Cesar estuda a celulose do tipo III, o prof. João auxilia nos processos de fermentação e a Profa. Izabel analisa a estabilidade térmica dos compósitos. A empresa Bionext também colabora como projeto fornecendo filmes comerciais para comparação com os produzidos no laboratório.

Conexão Ciência: Qual o objetivo desse projeto?
Profª Dra. Paula Cristina de Sousa Faria Tischer: O ponto chave desse projeto é modificar a estrutura da celulose e associá-la ao amido para formar um compósito que será usado na produção de bandejas biodegradáveis utilizadas em supermercados para colocar alimentos. O apelo, nesse sentido, é fazer um produto de fonte renovável, que é biodegradável. E a celulose agrega valor nesse produto porque o amido apresenta alguns problemas: ele hidrata muito fácil e a resistência dessas bandejas é pequena. O amido é um composto que se altera um pouco o aumento da temperatura, perde água e fica mais quebradiço. Se conseguirmos colocar a celulose no meio disso, ela pode fazer com que haja mais resistência nesse material fazendo com que a durabilidade dele seja muito maior.</i>

Conexão Ciência: Qual o tipo de celulose utilizada?
Profª Dra. Paula Cristina de Sousa Faria Tischer: A celulose pode ser obtida através de bactérias, algas e vegetal. A que eu trabalho é uma celulose bacteriana, obtida da bactéria Acetobacter xylinum.</i>

Conexão Ciência: Como a celulose bacteriana é produzida?
Profª Dra. Paula Cristina de Sousa Faria Tischer: Nós produzimos essa celulose aqui no Departamento num processo de fermentação estática, na qual a bactéria fica no meio de cultivo, onde tem tudo que precisa para ela crescer: fonte de carbono, de nitrogênio e de oxigênio. Deixamos a bactéria crescer durante 10 dias, então recuperamos a celulose que ela produz, removemos a bactéria, tratamos e depois modificamos a estrutura da celulose.

Conexão Ciência: Vocês utilizam a celulose nativa para depois fazer a modificação. Como é essa celulose e como ela é modificada?
Profª Dra. Paula Cristina de Sousa Faria Tischer: Existem seis tipos diferentes de celulose de acordo como arranjo cristalino. A naturalmente produzida, é a do tipo I, que é a nativa. Quando fazemos a modificação, a estrutura cristalina é alterada. Então mudamos o arranjo cristalino desse material e, quimicamente, produzimos celulose do tipo II. A estrutura da celulose tem a região amorfa e a região cristalina, esta é a que da resistência para o material. Quando fazemos modificações, mudamos também a percentagem de região cristalina e amorfa, então as propriedades da celulose ficam totalmente diferentes. Algumas ficam mais translucidas, mais transparentes, com diferente resistência térmica, mecânica e morfológica. Outros filmes de celulose ficam mais resistentes, outros mais porosos. Como alteramos a estrutura cristalina, quando a celulose é incorporada com o amido, isso vai modificar as propriedades do compósito, é o que acreditamos constatar com o projeto.

Conexão Ciência: O que é um compósito?
Profª Dra. Paula Cristina de Sousa Faria Tischer:  Compósito é a associação de dois ou mais materiais. No caso, eles são dois biopolímeros que quimicamente são iguais, pois tanto celulose quanto amido são compostos por glicose, mas que estruturalmente são totalmente diferentes. O amido nós conseguimos digerir, a celulose não. O amido também tem arranjo cristalino, mas sua resistência e estrutura cristalina são totalmente diferentes da celulose.</i>

Conexão Ciência: Qual a vantagem de se utilizar o amido?
Profª Dra. Paula Cristina de Sousa Faria Tischer: O amido usado é o de mandioca e ele tem um apelo bem interessante, porque é um polímero relativamente barato. No Brasil, ele não é caro, por isso que nesse compósito, usamos muito mais amido que celulose, por que queremos criar vantagens para a bandeja produzida e também queremos que ela seja economicamente interessante. Então a modificação da celulose pode agregar valor nesse produto e pode fazer com que ele seja mais interessante.

Conexão Ciência: O que seria um biopolímero?
Profª Dra. Paula Cristina de Sousa Faria Tischer: Biopolímeros são moléculas bastante grandes formadas com várias unidades e que são sintetizados na natureza. A celulose e o amido, por exemplo, são bipolímeros. Diferentemente deles têm os polímeros sintéticos, que são sintetizados quimicamente, e tem como exemplo os plásticos. Estes são derivados do petróleo, ou seja obtidos de fonte não renovável. Nosso objetivo é tratar esse biopolímero, a celulose, que é obtido de fonte renovável, modificar a estrutura cristalina dele para que as propriedades sejam alteradas. Fazendo isso, podemos fornecer diferentes matérias primas que podem ser usadas ou em associação com o amido, desenvolvido nesse projeto ou para outros fins , em desenvolvimento em outros projetos, por exemplo, para regeneração tecidual , sendo suporte para o crescimento celular.

Conexão Ciência: Em qual fase o projeto está?
Profª Dra. Paula Cristina de Souza Faria Tischer: Estamos na fase de modificação dos filmes da celulose e agora vamos começar a fazer a incorporação dos filmes junto na pasta com amido, para fazer as bandejas e então vamos iniciar as análises dos compósitos. Temos que analisar primeiro só a celulose, depois só o amido e, por fim, o compósito. Precisamos ver o que muda na interação dos dois, como essa interação o que ocorre e o que ela melhora no o produto final.

Conexão Ciência: Quais outras funções essa celulose modificada possui?
Profª Dra. Paula Cristina de Sousa Faria Tischer: Isso não é feito no projeto, mas essa celulose também é utilizada como substituinte de pele para queimados, porque ela forma uma trama estratificada. A celulose é formada por várias cadeias de glicose ligadas na mesma cadeia, ou em cadeias adjacentes, forma assim uma estrutura estratificada com várias camadas. Essa estrutura permite, como substituinte de pele, que a pele respire fazendo troca gasosa e de liquídos, o que é importante no tratamento de queimados ou para lesões no caso de diabetes e outra lesões cutâneas.

Conexão Ciência: Quando é o término do projeto?
Profª Dra. Paula Cristina de Sousa Faria Tischer: Esse projeto vai até abril do ano que vem e tem a possibilidade de renovação por mais um ano, o que é provável que aconteça para que possamos ampliar esses estudos e utilizar a celulose de diferentes formas e com diferentes compósitos.

* Suzana Mali de Oliveira possui graduação em Farmácia e Bioquímica, mestrado e doutorado em Ciência de Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

** César Augusto Tischer possui graduação em Farmácia Industrial, mestrado e doutorado em Ciências Bioquímicas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).Também é pós-doutor em Bioquímica pelo Centre de Recherche sur les Macromolécules Végétales – CERMAV, Grenoble/França.

*** João Buzato possui graduação em Farmácia Bioquímica pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e doutorado em Biochemistry And Microbiology pela University of St Andrews.

**** Izabel Cristina Riegel possui graduação em Engenharia Química pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSC), mestrado e doutorado em Química pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Crédito da foto: Beatriz Botelho


Projeto busca conhecer as espécies de mamíferos do norte do Paraná a fim de propor formas de preservá-las

agosto 29, 2011

Doutor em ecologia aponta a educação como única forma de conscientizar as pessoas a cerca da necessidade de preservação da natureza

O Prof. Dr. Nélio Roberto dos Reis afirma que existe um desconhecimento total sobre preservação

Edição: Karina Constancio
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Adriana Gallassi

O coordenador do projeto “Levantamento das espécies e estudo da estrutura de comunidades de morcegos e mamíferos de médio e grande porte em fragmentos florestais no norte do Paraná, Brasil”, Nélio Roberto dos Reis, graduado em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e mestre e doutor em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), aponta a importância da conscientização para que seja realmente possível preservar as florestas, ou os fragmentos que restaram delas, e sua fauna.

Segundo Nélio dos Reis, o projeto visa primeiramente conhecer os mamíferos de médio e grande porte e os morcegos – mamíferos voadores – dos fragmentos florestais do norte do Paraná para, então, poder propor medidas de proteção e conservação dessas espécies e, para isso, é preciso colher informações sobre a ecologia desses animais. O professor doutor explica que a ecologia é a ciência que estuda todo o tipo de relação do animal com o meio ambiente e com outros animais, esta envolve conhecimentos da zoologia, da botânica, da matemática, da estatística, entre outros.

O norte do Paraná é uma região que atualmente não possui matas extensas, apenas fragmentos, afirma o coordenador do projeto. Ele ressalta que o tamanho desses fragmentos configura-se como um empecilho para que aconteça a reprodução de certas espécies, além de tornar o ambiente suscetível a fatores físicos. Também exemplifica o problema da reprodução com o caso da onça vermelha – espécie que possui apenas uma representante no Parque Estadual da Mata dos Godoy – a qual necessita de 300km² para que um casal dessa espécie sobreviva, ou seja, ocorra a reprodução. “(Os mamíferos) estão desaparecendo, tem muito pouco, e quando tem pouco, a reprodução fica limitada, porque irmão não pode cruzar com irmão, se não nasce defeituoso” destaca o professor doutor sobre o problema que ocorre com a diminuição do número de representantes de uma espécie.

Nélio dos Reis ensina ainda, que os animais precisam de três fatores para sobreviver: alimentação, proteção e reprodução. “Portanto, precisam de seu habitat preservado, pois é onde poderão garantir sua sobrevivência. Assim, a primeira ação para a conservação das espécies é proteger o habitat. Uma segunda forma é construir um cinturão verde em torno dos fragmentos florestais para protegê-lo dos fatores físicos que prejudicam esse ambiente que é muito pequeno.” Entre esses fatores físicos, o coordenador destaca o vento, que pode secar o fragmento florestal.

O doutor afirma que existe um desconhecimento total sobre preservação. “Você vê um médico, um engenheiro, que são pessoas que estudaram e tem conhecimento, mas se aparece um morcego na casa dele, ele mata. Todo mundo acha que os morcegos transmitem raiva. Todos animais de sangue quente, assim como gato, cachorro, macaco, transmitem raiva como o morcego, não é só ele que transmite.” E ainda acrescenta que “enquanto tiver essa falta de conhecimento, os animais e seus habitats não serão preservados. O povo não se interessa (pela preservação), hoje só se pensa em economia, lotear, fazer novas casas, construir, fazer condomínio”, completa.

O doutor Nélio Roberto dos Reis conclui analisando como conscientizar a população sobre o problema da falta de preservação. Ele indica, como único meio de fazê-lo, a educação, e compara: “Que tipo de educação nós temos se comparado ao mundo? Quando a gente vê essa bomba que soltaram na Noruega, isso é um fato esparso (…). Você pode andar tranquilo pelas ruas, independente do horário, que não tem risco. Agora aqui é uma tragédia, mesmo uma cidade pequena como Londrina. Nós e os noruegueses somos dois povos diferentes, com outras culturas, outra educação ”.

Crédito da foto: Adriana Gallassi


Serviço Social no poder judiciário

agosto 29, 2011

Projeto analisa falta de suporte a juízes da vara de Infância e adolescência

Segundo a Profª Dra. Silvia Alapanian, o projeto pretende avaliar a situação do poder judiciário paranaense

Edição: Karina Constancio
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Rosana Reineri

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece em seus artigos 150* e 151** que o poder judiciário mantenha em seu corpo de funcionários, profissionais assistentes sociais e psicólogos capacitados a assessorar a justiça da infância e adolescência. O projeto de pesquisa “O Serviço Social no poder judiciário paranaense: estudo sobre as condições de elaboração de laudos e pareceres técnicos”, criado e coordenado pela professora de Serviço Social, Silvia Alapanian, graduada em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), possui especialização em violência doméstica contra crianças e adolescentes pela Universidade de São Paulo (USP), Mestrado em Serviço Social pela PUC/SP e Doutorado também em Serviço Social pela mesma universidade, visa avaliar a situação das 26 comarcas do estado do Paraná, que se mostraram, em uma pesquisa realizada em 2008 pela professora, mais problemáticas no que diz respeito a ausência ou ineficiência destes profissionais.

As comarcas analisadas pelo projeto são: Alto Piquirí, Guaratuba, Jandaia do Sul, Matelândia, Paraíso do Norte, Primeiro de Maio, Rio Branco do Sul, Terra Boa, Goioerê, Iporã, Lapa, Autônia, Alto Paraná, Bela Vista do Paraíso, Cândido de Abreu, Cerro Azul, Castro, Carambeí, Bocaiúva do Sul, Andirá, Capitão Leônidas Marques, Carlópolis, Cidade Gaúcha, Colorado, Guaraniaçú e Mandaguaçú. Em algumas dessas cidades, não existe suporte para os juízes e em outras, até existe, só que de “baixíssima qualidade”, comenta a coordenadora.

“Nestas regiões percebemos por um mapeamento prévio que elas tinham uma estrutura muito precária. A gente não teve como ir até lá, então entramos em contato, por telefone, com as pessoas da comunidade, conselho tutelar, com as assistentes sociais da prefeitura, quando tinha, e começamos a perguntar quem faz os laudos na falta de um assistente social do juiz. Às vezes quem expede esses laudos tão decisivos são pessoas do conselho tutelar que tem apenas 2º grau e que fazem porque não tem quem faça”, revela a pesquisadora.

A professora doutora explica que quando chega ao juiz questões complicadas como, por exemplo, casos de abandono, maus tratos ou separações com disputa pela guarda dos filhos, envolvendo crianças e adolescentes, o juiz precisa ter a certeza do que está realmente acontecendo. É aí que entram os assistentes sociais e psicólogos. De acordo com a coordenadora do projeto, estes profissionais avaliam a situação e expedem laudos para auxiliar o juiz na decisão do que seria mais acertado fazer.

Segundo Profª Dra. Silvia Alapanian, o poder judicial do Paraná não está cumprindo as determinações do ECA. Ela comenta que a última pesquisa realizada por ela apontou a presença de apenas 54 profissionais capacitados atuando em todo o estado do Paraná, enquanto no estado de São Paulo existem 890.

O objetivo do projeto, segundo a coordenadora, é além de avaliar a situação do poder judiciário paranaense, denunciar a carência em que este se encontra e apontar para possíveis soluções para o problema. A professora doutora explica que a conclusão deste trabalho é, inclusive, muito importante para a categoria dos profissionais de assistência social, uma vez que mostra a necessidade de abertura de novos concursos para o preenchimento de vagas em todo o estado.

* Art. 150. Cabe ao Poder Judiciário, na elaboração de sua proposta orçamentária, prever recursos para manutenção de equipe interprofissional, destinada a assessorar a Justiça da Infância e da Juventude.
** Art. 151. Compete à equipe interprofissional dentre outras atribuições que lhe forem reservadas pela legislação local, fornecer subsídios por escrito, mediante laudos, ou verbalmente, na audiência, e bem assim desenvolver trabalhos de aconselhamento, orientação, encaminhamento, prevenção e outros, tudo sob a imediata subordinação à autoridade judiciária, assegurada a livre manifestação do ponto de vista técnico.
Fonte: http://www.dji.com.br/leis_ordinarias/1990-008069-eca/eca150a151.htm. Acessado em 25/08/2011.</u>

Crédito da foto: Rosana Reineri


Departamento de Química realiza Semana de Química e Jornada de Pós-graduação

agosto 29, 2011

Evento busca proporcionar troca de conhecimentos e consolidação da comunidade científica da área de Química

"Nessa semana procuramos associar a química e sua interdisciplinaridade", afirma a Profª Dra. Sonia Maria Nobre Gimenez

Edição: Karina Constancio
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Flávia Cheganças

“O objetivo é congregar a comunidade de alunos de química, professores, pesquisadores e profissionais de indústria em torno da questão do ensino da Química” afirma a coordenadora da semana Sonia Maria Nobre Gimenez. Ela é graduada em Química pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre e doutora em Química pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

A XXVII Semana da Química e a IV Jornada de Pós – graduação em Química foram realizadas de 22 a 26 de agosto, no campus da UEL, no anfiteatro do Centro de Estudos Aplicados (CESA), e estima-se que 250 pessoas tenham participado.

As atividades foram planejadas em torno de dois minicursos, um deles mais prático, com atividades experimentais voltado para professores de licenciatura, ensino médio e fundamental. “Ele foi desenvolvido em laboratório para que depois esses educadores possam aplicar o conhecimento adquirido para seus alunos nas escolas” diz a professora doutora. E outro minicurso que discutiu o tema “Espectroscopia no infravermelho próximo: aplicações na análise de combustível”.

Dentro da programação também foram realizadas palestras com profissionais de Londrina, como os professores doutores Antônio Sérgio de Oliveira* e Carlos Appoloni**, e de outras universidades, como a USP, UNICAMP, UEM e UFPR. Esses palestrantes debateram temas relevantes e atuais na área de Química, tais como: ensino de química, nanotecnologia, biotecnologia agroindustrial, fluorescência de raios-X, tratamento de superfícies metálicas, ecologia química, síntese de materiais inteligentes, especiação de metais em águas naturais, espectroscopia NIR.

Segundo Sonia Maria Gimenez, a química é muito interdisciplinar e isso pode ser notado, por exemplo, nas palestras que envolveram Biologia e Física. “Nessa semana procuramos associar a química e sua interdisciplinaridade ao ano internacional da química cujo tema é: ‘A química para um mundo melhor’. Dessa maneira é possível observar o homem atuando como químico e vice-versa, trazendo novidades e melhorias que a ciência pode oferecer”, completa a professora doutora.

A coordenadora e a organização do evento esperam que a Semana de Química tenha proporcionado a troca de conhecimentos e principalmente novas oportunidades a partir do contato com professores de outras instituições, ou até mesmo daqui de Londrina, e entre os próprios alunos. “É importante divulgar as atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pelo Departamento de Química da UEL para outros setores da sociedade” conclui a professora doutora Sonia Maria Nobre Gimenez.

* Antônio Sérgio de Oliveira possui graduação em Farmácia Bioquímica e doutorado em Ciências de Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

**Carlos Appoloni possui bacharelado em Física, mestrado em Física Nuclear e doutorado em Física Nuclear pela Universidade de São Paulo (USP). Também é pós-doutor em Física Nuclear Aplicada pela Universitá di Roma La Sapienza.

Crédito da foto: Flávia Cheganças


Edição 124

agosto 22, 2011

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Agricultura sem agrotóxicos

agosto 22, 2011
Alunos do curso de agronomia da UEL promovem conscientização ambiental e alimentar com a criação de hortas educativas 

Posto de venda na Fazenda Escola da UEL (FAZESC). Todas as sextas-feiras mulheres do assentamento de reforma agrária Iraci Salete, Alvorada do Sul – PR e integrantes da Horta comunitária Campus Verdes, Cambé – PR vendem os alimentos no Campus da UEL.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Gabriel Bandeira
O projeto de extensão “Hortas educativas produzindo alimento e melhorando a qualidade de vida” tem o objetivo de incentivar a melhoria na qualidade de alimentação, assim como demonstrar a importância da relação do homem com o meio ambiente e a necessidade de sua conservação através da educação ambiental. O projeto, do departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é coordenado pelo professor doutor Adilson Luiz Seifert, graduado em agronomia pela UEL e possui o título de mestre e doutor em agronomia pela mesma instituição.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia e qual o objetivo do projeto?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: O projeto surgiu há dez anos com a professora Dra. Cristiane de Conti Medina, do departamento de Agronomia da UEL. A proposta de trabalho do projeto é a transferência de conhecimento para a construção de hortas nas quais são cultivados alimentos sem a utilização de defensivos agrícolas químicos. Isso incentiva uma alimentação mais saudável, assim como demonstra a importância da relação do homem com o meio ambiente e a necessidade de sua conservação através da educação ambiental. Os alimentos produzidos geram renda para as pessoas envolvidas. O benefício para os alunos do curso de agronomia é a possibilidade de aplicação prática da teoria aprendida em sala de aula. Promove também uma maior interação com a comunidade externa. É a retribuição do investimento que a sociedade faz na universidade.

Conexão Ciência: Onde é realizado e como é feito o trabalho?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: O projeto é desenvolvido em cinco locais: Colégio Aplicação e creche da UEL; Escola Mundo Encantado; Horta Comunitária Campus Verdes, Cambé – PR; Centro de recuperação de vidas – CARV, Londrina – PR; e assentamento de reforma agrária Iraci Salete, Alvorada do Sul – PR. As principais atividades desenvolvidas são: construção de canteiros, semeadura e plantio de hortaliças, orientação na condução e manutenção das hortas, construção de estufa para produção de mudas, produção de composto e palestras sobre temas relacionados às atividades do projeto.

Conexão Ciência: Qual é o benefício do cultivo de hortaliças sem a utilização de defensivos agrícolas químicos?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: A não utilização de defensivos agrícolas químicos segue o preceito da agroecologia. O objetivo é conscientizar as pessoas sobre a importância de praticar uma agricultura auto-sustentável, menos agressiva à natureza. A alimentação saudável é outra consequência do projeto. Todas as pessoas envolvidas no projeto, tanto crianças como adultos, entenderam que o cultivo de alimentos sem defensivos agrícolas químicos é benéfico por não agredir o meio ambiente e para a própria saúde das pessoas.

Conexão Ciência: Qual é a importância da interação do homem com o meio ambiente?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: Ao aprender passo a passo as técnicas de plantio das hortaliças, os envolvidos adquirem uma relação mais respeitosa com a natureza por entender a importância de sua preservação. Por consequência, quando essas pessoas entendem a importância e necessidade de preservação do meio ambiente, passam a divulgar a ideia e a chamar a atenção de outras pessoas para o mesmo objetivo.

Conexão Ciência: De que maneira esse projeto pode gerar renda para as pessoas envolvidas?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: As famílias ligadas à Horta Comunitária Campus Verdes, Cambé – PR e as mulheres ligadas ao assentamento de reforma agrária Iraci Salete, Alvorada do Sul – PR participam de feiras e eventos realizados pela UEL, Emater e MST para comercializar os alimentos cultivados em suas respectivas hortas. Todas as sextas-feiras é montado um posto de venda na Fazenda Escola da UEL (FAZESC). As mulheres do assentamento faturam aproximadamente R$ 300,00 e os produtores da Horta comunitária Campus Verdes por volta de R$ 150,00 por dia.

Conexão Ciência: Qual é o resultado do projeto?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: O resultado do projeto é satisfatório ao mostrar que é possível, através das atividades desenvolvidas, a interação dos alunos com a comunidade envolvida, a inclusão social e a geração de renda. No Centro de recuperação de vidas – CARV, dependentes químicos e de álcool são ressocializados e podem aproveitar o conhecimento para trabalhos ligados à agricultura. Na Horta Comunitária Campus Verdes, o objetivo é a inclusão social por meio da geração de renda obtida com a venda dos produtos. No assentamento de reforma agrária Iraci Salete, o público alvo são as mulheres porque elas não tinham fonte de renda. Apenas os homens possuíam fonte de renda.

Conexão Ciência: O projeto será publicado em alguma revista científica?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: Não será publicado em nenhuma revista científica, mas foi escolhido pela UEL para ser apresentado no 29º SEURS – Seminário de Extensão Universitária da Região Sul, que será realizado na cidade de Foz do Iguaçu – PR, entres os dias 22 à 24 de agosto de 2011.