Projeto do departamento de Agronomia coopera com ONG e valoriza a agricultura familiar

Iniciativa enriquece o conhecimento de agricultores do centro-sul e litoral do Paraná e norte Catarinense 

Encontro de agricultores experimentadores para avaliação e debate sobre resultados produtivos e econômicos das lavouras de milho em transição agroecológica, em Irineópolis, março 2009

Edição: Paola Moraes
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji  
Reportagem: Vanessa Tolentino

Desde 1993, a Organização Não-Governamental de Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA) trabalha com o Programa do Contestado, região entre os estados do Paraná e Santa Catarina*, e tem como objetivo a construção coletiva do conhecimento agroecológico – uma proposta alternativa de agricultura familiar socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável.*A ONG conta com a ajuda de diferentes organizações formais e informais da agricultura familiar da região, outras ONGs e movimentos sociais.**

Um projeto do departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) apóia e coopera com a AS-PTA. A coordenadora do projeto, Maria de Fátima Guimarães, graduada em Ciências Agronômicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), mestre e doutora em Solos e Nutrição de Plantas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), explica que a ideia surgiu há quase dez anos e vem sendo desenvolvida em uma sucessão de projetos. No início era aplicado principalmente no sul do Paraná, e com passar do tempo se expandiu para o litoral e norte catarinense.  Ainda segundo a professora doutora, o objetivo principal é “a pesquisa integrada do que acontece fisicamente, biologicamente e quimicamente no solo, com a preocupação de repassar tudo isso para os agricultores”.

Edinei de Almeida, graduado em Engenharia Agronômica e especializado em Manejo de Solos  pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (ESALQ/USP) e mestrando na UEL, explica que a pesquisa ajuda os agricultores a entenderem o perfil cultural do solo e a partir disso construírem um sistema de manejo adequado que possibilite uma melhor produtividade agrícola. O estudante acredita que o diferencial do projeto é “a interação do conhecimento acadêmico com o conhecimento tradicional”, e que apesar de voltado para a parte agronômica, essa interação mexe com a auto-estima dos agricultores. “Os valores rurais não são mais tão importantes quanto os valores urbanos, então, o fato deles participarem ativamente do processo e contribuírem usando o próprio conhecimento é uma forma de resgate desses valores”, afirma Edinei de Almeida.

No projeto atual, o acompanhamento e a assessoria dos agricultores são feitos pela ONG. “O trabalho que temos desenvolvido é o de coletar dados junto com os agricultores, analisar, gerar o conhecimento e em seguida, junto com a ONG, trabalhar esse conhecimento para esses resultados voltarem para as atividades de formação dos agricultores”, esclarece Edinei de Almeida. “O interessante é que esse trabalho é feito junto com os agricultores e eles participam de toda a coleta de dados. Então, fica bem mais fácil deles entenderem os resultados”, complementa a coordenadora do projeto.

O projeto já atuou em cidades como Rio Azul, São Mateus do Sul e Bituruna no Paraná. Hoje, já abrange cidades de Santa Catarina como Porto União, Irineópolis e Canoinhas. Além do litoral, o qual é uma área de atuação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “O que tem em comum entre uma cidade e outra é a predominância da agricultura familiar e com exceção do litoral, também é uma região muito parecida fisiograficamente. Além de ter um processo histórico de colonização semelhante”, explica a professora doutora.

Com tantos anos de pesquisa, o projeto rendeu várias publicações. “Já saíram alguns artigos, algumas coisas foram divulgadas em congressos e a minha dissertação está fundamentada nesse trabalho, então, acredito que com a finalização sejam publicados mais alguns artigos”, completa o estudante Edinei de Almeida.

*Fonte: Wikipédia

**Fonte: http://www.aspta.org.br/

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