UEL promove integração cultural entre Brasil e Japão

Tradição e experiência tornaram a universidade referência de intercâmbio entre os dois países

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Gabriel Bandeira 

Professora Estela Okabayski Fuzii, coordenadora do Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa (NECJ) da UEL. “O maior benefício do intercambio é a formação de brasileiros com uma visão globalizada”.

O Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa (NECJ) é o órgão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) responsável pelo ensino de língua e cultura japonesa para estudantes brasileiros e língua portuguesa e cultura brasileira para os estudantes japoneses que são intercambistas da UEL. Pelo trabalho realizado durante 33 anos de intercâmbio entre estudantes brasileiros e japoneses, e o estimulo à projetos de pesquisa de co-participação entre a UEL e as universidades japonesas, o NECJ já recebeu elogios até do Imperador Japonês Akihito em encontro com a professora Estela Okabayski Fuzii (coordenadora do núcleo), no Consulado Geral do Japão, em Curitiba (PR).

A professora Estela Okabayski Fuzii é graduada em pedagogia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pós-graduada nas áreas de Filosofia da Educação pela mesma instituição, Orientação Educativa (Universidade de Londres), Teleeducação Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Administração e Recursos Humanos pela Secretaria Estadual do Trabalho.

Conexão Ciência: Qual é a importância do convênio com as universidades japonesas para a UEL?

Profª. Estela Okabayski Fuzii: Troca de conhecimentos, porque existem projetos de pesquisa de co-participação da UEL com as universidades japonesas. Entretanto, o fator mais importante é a formação de brasileiros com uma visão globalizada. A experiência é tão vasta, intensa e extensa, que a pessoa assume uma postura de internacionalização. Ela passa a entender mais outros povos, os acontecimentos mundiais, do que uma pessoa que fica fechada olhando ao redor do seu pequeno mundo. A convivência com outro povo, com uma cultura diferente, ajuda a ter maior conhecimento do mundo e de si mesmo. O aprendizado de outra língua proporciona o conhecimento de outro mundo também. Outro ponto importante é que a construção do prédio onde fica o NECJ é conseqüência de doação de dinheiro da prefeitura da cidade onde fica a universidade no Japão. É bom esclarecer, porém, que esse dinheiro nunca foi pedido, e sim doado de boa vontade.

Conexão Ciência: Há quanto tempo existe o Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa (NECJ)?

Profª. Estela Okabayski Fuzii: Em termos de atividades, desde o início da UEL (há 33 anos). Naquela época eram trabalhos esporádicos, que com o tempo aumentaram, se diversificaram e chegou num ponto que se não fosse sistematizado, organizado enquanto uma unidade específica, não seria possível continuar. No começo cada reitor me pedia que eu atendesse as visitas de pesquisadores japoneses que aconteciam com pouca frequência, mas como eu estava na direção do CECA (Centro de Educação, Comunicação e Artes) e depois do NTE (Núcleo de Tecnologia Educacional), hoje LABTED (Laboratório de Tecnologia Educacional), não era possível exercer as duas funções ao mesmo tempo porque nem uma nem outra eram realizadas com eficiência. Foi então que o reitor Jorge Bounassar Filho (1986-1990) aprovou o projeto de criação de um departamento específico para o estudo da cultura japonesa. Porém, foi o reitor Jackson Proença Testa quem instalou oficialmente NECJ no dia 06 de outubro de 1995.

Conexão Ciência: Qual é o objetivo do NECJ?

Profª. Estela Okabayski Fuzii: Fazer com que o povo japonês conheça a cultura brasileira e os brasileiros conheçam a cultura japonesa por meio do estudo do idioma e dos elementos culturais, porque um está diretamente ligado ao outro. Porém, essa troca de conhecimentos não fica apenas na teoria. O intercâmbio dos estudantes de ambos os países permite uma imersão cultural. A convivência proporciona um conhecimento mais concreto, o claro entendimento dos valores e da hierarquia de um povo.  

Conexão Ciência: Quem pode participar do NECJ?

Profª. Estela Okabayski Fuzii: Todas as pessoas da comunidade interna e externa que tiverem interesse.

Conexão Ciência: Qual é o número de alunos japoneses que a UEL recebe por ano?

Profª. Estela Okabayski Fuzii: Depende do convênio. Com a Universidade Meio (Okinawa) são até cinco alunos. A Universidade de Hyogo (Hyogo) e Universidade de Kanda (Chiba) são até três alunos. Recentemente, mais uma universidade procurou a UEL para fechar um acordo de intercâmbio, chamada Asia Pacific University que fica na província de Oita. Um detalhe importante é que sempre foram as universidades japonesas que procuraram a UEL para fazer intercâmbio. Elas têm boas referências sobre a UEL.

Conexão Ciência: Qual é o procedimento para que os alunos japoneses venham para a UEL?

Profª. Estela Okabayski Fuzii: Pelo que eu me informei, as universidades japonesas fazem seleção para que os alunos possam vir para o Brasil, mas eu não sei especificar corretamente como funciona essa seleção. Aqui na UEL é realizado um teste básico de conhecimentos da língua e cultura japonesa e entrevista. O número de estudantes da UEL que podem ir para o Japão depende do número de bolsas concedidas pelas universidades japonesas.

Conexão Ciência: Qual é o auxílio que a UEL concede para os estudantes japoneses?

Profª. Estela Okabayski Fuzii: A UEL concede o curso de língua portuguesa e cultura brasileira em geral, e os alunos japoneses pagam metade do valor do vale transporte e metade do valor da refeição no restaurante universitário (RU). Já as despesas da viagem para o Brasil e as despesas em geral da estadia aqui em Londrina são pagas pelas famílias dos estudantes japoneses.  

Conexão Ciência: Muitos estudantes se interessam em vir para o Brasil para conhecer a cultura brasileira?

Profª. Estela Okabayski Fuzii: Eles têm muito interesse em conhecer o Brasil, o carnaval, os rapazes têm bastante interesse em jogar futebol. Os estudantes japoneses gostam muito de música em geral, principalmente bossa nova. Querem aprender a tocar violão, ou já sabem, para tocar bossa nova. Gostam muito da gastronomia, ou seja, cultura brasileira em geral.  

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