Exposição “A parede é a pele” inova com tatuagens feitas na parede

Diversos tatuadores londrinenses trocaram a pele pelas paredes de Divisão de Artes Plásticas da Casa da Cultura da UEL para mostrarem seu trabalho

Edição: Karina Constancio
Pauta: Claudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Beatriz Botelho

A exposição “A parede é a pele” reúne a obra de diversos tatuadores de Londrina

Desde o dia 9 de junho, a Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da UEL recebe a exposição “A parede é a pele”, que reúne a obra de diversos tatuadores de Londrina no prédio da Divisão. O Chefe da Divisão de Artes Plásticas e também professor do Departamento de Artes Visuais da UEL, Danillo Villa, graduado em Educação Artística pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas, mestre em Artes pela mesma universidade e doutorando em Artes pela Universidade de São Paulo, explica que a intenção de tatuar a parede da própria galeria é uma forma de mostrar que o espaço da Divisão muda para receber as exposições.

Segundo Danillo Villa, o objetivo da exposição “A parede é a pele”, é criar um diálogo entre o trabalho dos tatuadores e a galeria de arte. “Oferecemos um espaço que sabíamos que seria problema para eles, que eles teriam limitações, porque não era uma pele, mas era para ser entendida como, numa dimensão diferente, com cores e materiais que eles teriam de se adaptar. E a galeria, que tem o perfil de exposições, teria de se adaptar ao desenho deles também. Então, queríamos esse encontro: que eles trouxessem valores que normalmente não vemos aqui e tivessem que trabalhar com valores que geralmente eles não trabalham: o espaço positivo, a parede branca, até mesmo com o público que frequenta a galeria”, conta.

Os trabalhos na Divisão foram realizados duas semanas antes da exposição começar por quatorze tatuadores londrinenses* e o professor Danillo Villa percebeu que o mesmo cuidado que eles têm com a pele tiveram em trabalhar na parede. Ele pode ver “o profissionalismo, o empenho, o conhecimento desenvolvido, o enfrentamento, o aperfeiçoamento de técnicas, tudo o que se pode entender como seriedade necessária para se produzir arte” no trabalho deles.

O professor contou que não houve um tema definido para a exposição, cada tatuador levou seu trabalho e ele não quis fazer uma curadoria muito rígida quanto ao que eles deveriam fazer. “Esse universo da tatuagem é novidade para gente também, não queríamos dar o formato e o tamanho de como eles deveriam trabalhar para gente também ser surpreendido pelo dado novo”, confessa Danillo Villa.

As tatuagens nas paredes, como afirma o Chefe da Divisão, são repletas de dados culturais de estilo e estão relacionados a referência de mundo e significação cultural que cada tatuador tem. Segundo o professor, no trabalho do tatuador Eduardo Bebel, há a representação de uma mulher que mostra a questão de perseguição às bruxas e na tatuagem de Alessandro Strático há referências orientais e da cultura havaiana. Os desenhos de monstros são mais representados por eles e pelos outros artistas .

Com a exposição, o Chefe da Divisão afirma que acabou também se surpreendendo com o público que tem frequentado a exposição, pois além das pessoas que normalmente visitam a Casa de Cultura, como estudantes de arte, eles receberam também um público diferente: pessoas tatuadas, simpatizantes, gente que tem o desejo de fazer tatuagem e até mesmo crianças, por causa dos desenhos estimulantes e coloridos. Para ele, essa mudança de público foi muito boa, pois houve uma aproximação maior entre a arte e a população.

“A Divisão de Artes Plásticas se abriu para mais um elemento, mais um dado, mais um gosto, mais um olhar. As pessoas se sentem um pouco mais acolhidas, porque trouxemos alguma coisa de interesse delas. A tatuagem desperta o interesse da população em geral e isso é interessante”, completou o chefe de Divisão de Artes Plástica, Danillo Villa.

A exposição “A parede é a pele” permanecerá aberta até dia 16 de agosto, com horário de funcionamento das 8 às 12 e das 14 às 18 horas, na Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da UEL, na Avenida JK, nº 1.973. As visitas orientadas devem ser agendadas pelo telefone (43) 3322-6844.

* Participam da exposição os tatuadores Alessandro Strático, do Studio Ratto Tattoo; André, do Studio Santa Fé; Chico Bily; Cota, do Studio Cota; Eduardo Berbel E Ian Sólon; Gabriel Tattoo, do Studio Sete Copas; João Tattoo e Bob Tattoo, do Fortuna Tattoo; Juliana Martins, do Studio Ratto Tattoo; Kra1 Tattoo, do Studio Capstyle; Marcio Tattoo; Mauro Montezuma, do Studio Sete Copas e Rodrigo Tattoo, além de Mariana Franzim, do Wc Arte – Instalação.

Crédito da foto: Divulgação/Agência UEL

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