Coleta de amostras visa garantir qualidade da água potável consumida pela população

Projeto do Departamento de Estatística da UEL quer garantir uma água dentro dos parâmetros exigidos pelo Ministério da Saúde

Pauta: Claudia Yukari Hirafuji
Edição: Paola Moraes
Reportagem: Fernando Bianchi

O Conexão Ciência conversou essa semana com o professor doutor Waldir Medri, do Centro de Ciências Exatas (CCE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) coordena o projeto “Plano de Amostragem e controle estatístico de qualidade da água na rede de distribuição”, desenvolvido no Departamento de Estatística. Graduado em Matemática pela UEL, mestre e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o professor utiliza-se de métodos matemáticos para realizar fiscalizações à cerca da qualidade da água tratada que entra na rede pública de distribuição, procurando mantê-la dentro das recomendações oficiais do Ministério da Saúde.

Conexão Ciência: Como e quando surgiu o projeto de amostragem da água?
Prof. Dr. Waldir Medri: Durante quatorze anos, realizei trabalhos de acompanhamento da água para o SAMAE (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto) da cidade de Ibiporã. Lá era realizada a coleta de amostras de água para controle de qualidade nas periferias da cidade. Em 1986, comecei a lecionar na UEL, e, logo após, realizei mestrado pela UFSC, onde apresentei o plano de amostragem como tese básica da dissertação. Os trabalhos foram publicados em revistas e congressos, tendo sua base em uma portaria do Ministério da Saúde sobre a coleta e controle de qualidade de água. Hoje, o projeto está baseado na portaria 518 de 25 de Março de 2004 do Ministério da Saúde, que atualizou os critérios para análise de água tratada.

Conexão Ciência: Como é o método de controle utilizado para determinar a qualidade da água?
Prof. Dr. Waldir Medri: O projeto foi aplicado na cidade de Ibiporã. Fizemos o mapeamento da cidade, dividindo-a em 17 setores, e, em cada setor, havia vários pontos de coleta de amostras de água. Os locais com menos concentração habitacional, portanto com menos probabilidade de água contaminada, tinham a coleta feita uma vez por mês. Assim variava: conforme o grau de contaminação, maior o número de coletas para análise durante um mês. Os locais eram escolhidos aleatoriamente por um software que proporciona a cobertura total da cidade mensalmente, sendo feita a coleta de no mínimo 56 amostras, número este estabelecido pela portaria 518 como mínimo exigido para uma cidade de 50.000 habitantes.

Conexão Ciência: Quais aspectos da água coletada são analisados?
Prof. Dr. Waldir Medri:
 São cinco os parâmetros básicos, todos eles determinados na portaria 508 do Ministério da Saúde. A quantidade de cloro na água, que deve estar entre 0,5 a 2 miligramas por litro (mg/l). O flúor, que dependendo da temperatura da água, deve estar entre 0,6 mg/l e 1,2 mg/l. O PH (potencial de hidrogenização), que deve estar entre 6 e 9. Também é analisada a turbidez, que indica a presença de material sólido presente na água, ou seja: contaminação por microorganismos, que, claramente, sempre deve ser baixa, e o último dos parâmetros, que é a cor da água coletada; quanto mais escura, maior a chance de contaminação.

Conexão Ciência: As empresas distribuidoras de água realizam coleta de amostragem para controlar a qualidade?
Prof. Dr. Waldir Medri: Realizam, mas geralmente nos mesmo pontos sempre. A diferença é que o nosso projeto leva em consideração muitas variações a que a água está sujeita, como chuva, por exemplo. As empresas geralmente coletam nos mesmos pontos, e evitam fazer a amostragem quando está chovendo, sendo que nessas épocas a turbidez da água sobe. O máximo que eles fazem é identificar pontos críticos e tomar medidas contra vazamentos, ou realizar “descargas” na rede de água para limpar os encanamentos após ajustes.

Conexão Ciência: Quais os benefícios que o projeto traz para a comunidade?
Prof. Dr. Waldir Medri: Quando o projeto foi aplicado em Ibiporã, por exemplo, os resultados foram apresentados ao SAMAE para que haja um controle maior de qualidade, onde, se necessário, podiam ser identificados pontos críticos com ocorrência maior de anormalidade nos critérios citados. Entretanto, não foram identificadas muitas transgressões à portaria 518 em Ibiporã, exceto casos onde havia interferência de fatores como chuva excessiva, que aumenta a turbidez da água. Esse acompanhamento e a apresentação dos resultados ao órgão responsável pela distribuição trazem mais qualidade de vida à população, garantindo uma água dentro dos parâmetros estabelecidos. Identificado um local com problemas, as medidas necessárias podem ser tomadas para garantir a qualidade da água distribuída.

Conexão Ciência: De que forma os resultados do projeto chegam ao conhecimento da comunidade?
Prof. Dr. Waldir Medri: Tenho uma dissertação de mestrado sobre o projeto, além de trabalhos apresentados em congressos fora do país, em Cancun, para citar um exemplo. Aqui no Brasil, divulgamos o trabalho na revista da ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), que é uma importante propagadora de pesquisas nesta área. Também foi apresentado o trabalho em Londrina na Unopar e no evento do Salão de Extensão da UEL. Também na UEL, é divulgado na revista Semina, publicação semestral dedicada à divulgação científica e tecnológica. Além disso, tenho vários professores participantes do projeto que já o apresentaram em congressos por todo o Brasil, como em Natal, Maringá, Bauru e algumas outras cidades.

Crédito da fotohttp://info-ambiental.blogspot.com/2011/01/montenegrino-analisa-aguas-do-rio-dos.html

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