Agricultura sem agrotóxicos

Alunos do curso de agronomia da UEL promovem conscientização ambiental e alimentar com a criação de hortas educativas 

Posto de venda na Fazenda Escola da UEL (FAZESC). Todas as sextas-feiras mulheres do assentamento de reforma agrária Iraci Salete, Alvorada do Sul – PR e integrantes da Horta comunitária Campus Verdes, Cambé – PR vendem os alimentos no Campus da UEL.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Gabriel Bandeira
O projeto de extensão “Hortas educativas produzindo alimento e melhorando a qualidade de vida” tem o objetivo de incentivar a melhoria na qualidade de alimentação, assim como demonstrar a importância da relação do homem com o meio ambiente e a necessidade de sua conservação através da educação ambiental. O projeto, do departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é coordenado pelo professor doutor Adilson Luiz Seifert, graduado em agronomia pela UEL e possui o título de mestre e doutor em agronomia pela mesma instituição.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia e qual o objetivo do projeto?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: O projeto surgiu há dez anos com a professora Dra. Cristiane de Conti Medina, do departamento de Agronomia da UEL. A proposta de trabalho do projeto é a transferência de conhecimento para a construção de hortas nas quais são cultivados alimentos sem a utilização de defensivos agrícolas químicos. Isso incentiva uma alimentação mais saudável, assim como demonstra a importância da relação do homem com o meio ambiente e a necessidade de sua conservação através da educação ambiental. Os alimentos produzidos geram renda para as pessoas envolvidas. O benefício para os alunos do curso de agronomia é a possibilidade de aplicação prática da teoria aprendida em sala de aula. Promove também uma maior interação com a comunidade externa. É a retribuição do investimento que a sociedade faz na universidade.

Conexão Ciência: Onde é realizado e como é feito o trabalho?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: O projeto é desenvolvido em cinco locais: Colégio Aplicação e creche da UEL; Escola Mundo Encantado; Horta Comunitária Campus Verdes, Cambé – PR; Centro de recuperação de vidas – CARV, Londrina – PR; e assentamento de reforma agrária Iraci Salete, Alvorada do Sul – PR. As principais atividades desenvolvidas são: construção de canteiros, semeadura e plantio de hortaliças, orientação na condução e manutenção das hortas, construção de estufa para produção de mudas, produção de composto e palestras sobre temas relacionados às atividades do projeto.

Conexão Ciência: Qual é o benefício do cultivo de hortaliças sem a utilização de defensivos agrícolas químicos?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: A não utilização de defensivos agrícolas químicos segue o preceito da agroecologia. O objetivo é conscientizar as pessoas sobre a importância de praticar uma agricultura auto-sustentável, menos agressiva à natureza. A alimentação saudável é outra consequência do projeto. Todas as pessoas envolvidas no projeto, tanto crianças como adultos, entenderam que o cultivo de alimentos sem defensivos agrícolas químicos é benéfico por não agredir o meio ambiente e para a própria saúde das pessoas.

Conexão Ciência: Qual é a importância da interação do homem com o meio ambiente?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: Ao aprender passo a passo as técnicas de plantio das hortaliças, os envolvidos adquirem uma relação mais respeitosa com a natureza por entender a importância de sua preservação. Por consequência, quando essas pessoas entendem a importância e necessidade de preservação do meio ambiente, passam a divulgar a ideia e a chamar a atenção de outras pessoas para o mesmo objetivo.

Conexão Ciência: De que maneira esse projeto pode gerar renda para as pessoas envolvidas?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: As famílias ligadas à Horta Comunitária Campus Verdes, Cambé – PR e as mulheres ligadas ao assentamento de reforma agrária Iraci Salete, Alvorada do Sul – PR participam de feiras e eventos realizados pela UEL, Emater e MST para comercializar os alimentos cultivados em suas respectivas hortas. Todas as sextas-feiras é montado um posto de venda na Fazenda Escola da UEL (FAZESC). As mulheres do assentamento faturam aproximadamente R$ 300,00 e os produtores da Horta comunitária Campus Verdes por volta de R$ 150,00 por dia.

Conexão Ciência: Qual é o resultado do projeto?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: O resultado do projeto é satisfatório ao mostrar que é possível, através das atividades desenvolvidas, a interação dos alunos com a comunidade envolvida, a inclusão social e a geração de renda. No Centro de recuperação de vidas – CARV, dependentes químicos e de álcool são ressocializados e podem aproveitar o conhecimento para trabalhos ligados à agricultura. Na Horta Comunitária Campus Verdes, o objetivo é a inclusão social por meio da geração de renda obtida com a venda dos produtos. No assentamento de reforma agrária Iraci Salete, o público alvo são as mulheres porque elas não tinham fonte de renda. Apenas os homens possuíam fonte de renda.

Conexão Ciência: O projeto será publicado em alguma revista científica?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: Não será publicado em nenhuma revista científica, mas foi escolhido pela UEL para ser apresentado no 29º SEURS – Seminário de Extensão Universitária da Região Sul, que será realizado na cidade de Foz do Iguaçu – PR, entres os dias 22 à 24 de agosto de 2011.

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