Projeto busca conhecer as espécies de mamíferos do norte do Paraná a fim de propor formas de preservá-las

Doutor em ecologia aponta a educação como única forma de conscientizar as pessoas a cerca da necessidade de preservação da natureza

O Prof. Dr. Nélio Roberto dos Reis afirma que existe um desconhecimento total sobre preservação

Edição: Karina Constancio
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Adriana Gallassi

O coordenador do projeto “Levantamento das espécies e estudo da estrutura de comunidades de morcegos e mamíferos de médio e grande porte em fragmentos florestais no norte do Paraná, Brasil”, Nélio Roberto dos Reis, graduado em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e mestre e doutor em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), aponta a importância da conscientização para que seja realmente possível preservar as florestas, ou os fragmentos que restaram delas, e sua fauna.

Segundo Nélio dos Reis, o projeto visa primeiramente conhecer os mamíferos de médio e grande porte e os morcegos – mamíferos voadores – dos fragmentos florestais do norte do Paraná para, então, poder propor medidas de proteção e conservação dessas espécies e, para isso, é preciso colher informações sobre a ecologia desses animais. O professor doutor explica que a ecologia é a ciência que estuda todo o tipo de relação do animal com o meio ambiente e com outros animais, esta envolve conhecimentos da zoologia, da botânica, da matemática, da estatística, entre outros.

O norte do Paraná é uma região que atualmente não possui matas extensas, apenas fragmentos, afirma o coordenador do projeto. Ele ressalta que o tamanho desses fragmentos configura-se como um empecilho para que aconteça a reprodução de certas espécies, além de tornar o ambiente suscetível a fatores físicos. Também exemplifica o problema da reprodução com o caso da onça vermelha – espécie que possui apenas uma representante no Parque Estadual da Mata dos Godoy – a qual necessita de 300km² para que um casal dessa espécie sobreviva, ou seja, ocorra a reprodução. “(Os mamíferos) estão desaparecendo, tem muito pouco, e quando tem pouco, a reprodução fica limitada, porque irmão não pode cruzar com irmão, se não nasce defeituoso” destaca o professor doutor sobre o problema que ocorre com a diminuição do número de representantes de uma espécie.

Nélio dos Reis ensina ainda, que os animais precisam de três fatores para sobreviver: alimentação, proteção e reprodução. “Portanto, precisam de seu habitat preservado, pois é onde poderão garantir sua sobrevivência. Assim, a primeira ação para a conservação das espécies é proteger o habitat. Uma segunda forma é construir um cinturão verde em torno dos fragmentos florestais para protegê-lo dos fatores físicos que prejudicam esse ambiente que é muito pequeno.” Entre esses fatores físicos, o coordenador destaca o vento, que pode secar o fragmento florestal.

O doutor afirma que existe um desconhecimento total sobre preservação. “Você vê um médico, um engenheiro, que são pessoas que estudaram e tem conhecimento, mas se aparece um morcego na casa dele, ele mata. Todo mundo acha que os morcegos transmitem raiva. Todos animais de sangue quente, assim como gato, cachorro, macaco, transmitem raiva como o morcego, não é só ele que transmite.” E ainda acrescenta que “enquanto tiver essa falta de conhecimento, os animais e seus habitats não serão preservados. O povo não se interessa (pela preservação), hoje só se pensa em economia, lotear, fazer novas casas, construir, fazer condomínio”, completa.

O doutor Nélio Roberto dos Reis conclui analisando como conscientizar a população sobre o problema da falta de preservação. Ele indica, como único meio de fazê-lo, a educação, e compara: “Que tipo de educação nós temos se comparado ao mundo? Quando a gente vê essa bomba que soltaram na Noruega, isso é um fato esparso (…). Você pode andar tranquilo pelas ruas, independente do horário, que não tem risco. Agora aqui é uma tragédia, mesmo uma cidade pequena como Londrina. Nós e os noruegueses somos dois povos diferentes, com outras culturas, outra educação ”.

Crédito da foto: Adriana Gallassi

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