Exposição apresenta a vida e a pesquisa de Fritz Müller

O naturalista alemão trocou cerca de 60 cartas com Charles Darwin e é reconhecido internacionalmente por sua pesquisa e contribuição à Biologia

Pauta: Claudia Hirafuji
Edição: Paola Moraes
Reportagem: Yudson Koga

Ao ter contato com o livro A Origem das Espécies de Charles Darwin, Fritz Muller, um cientista alemão naturalizado brasileiro, passou a reunir subsídios para comprovar a teoria da origem e a evolução das espécies apresentada. Com as pesquisas de campo e a experiência com espécies típicas do litoral catarinense, ele foi o primeiro cientista a apresentar modelos matemáticos para explicar a seleção natural e fornecer provas contundentes da teoria, lançando, em 1864, uma monografia com toda sua análise: Für Darwin (Para Darwin). A obra chegou às mãos do próprio Darwin, que, empolgado e admirado, resolveu se corresponder com o cientista, solicitando informações e sua colaboração com sua pesquisa. Os dois nunca chegaram a se conhecer pessoalmente, mas, em cerca de 60 cartas, trocaram descobertas e observações, surgindo assim uma longa amizade.¹

Uma mostra formada por 17 banners coloridos, que contém informações da pesquisa e da vida de Fritz Muller, ficou exposta até essa última quarta-feira (31) na Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Foi uma promoção do colegiado do curso de Ciências Biológicas, com acervo do Instituto Martius-Staden, que trabalha com a divulgação da cultura alemã no Brasil e com sede em São Paulo.

A coordenadora do evento, Ana Odete Santos Vieira

A coordenadora da exposição, Ana Odete Santos Vieira*, professora do curso de graduação de Ciências Biológicas na UEL, falou da importância de trazer a exposição para a universidade: “O Instituto Martius-Staden se prontificou a divulgar as atividades de Müller. Foi uma forma de celebrar o aniversário de Darwin. Eu achei interessante trazê-la para cá porque é uma exposição didática, além de informar às pessoas que não sabem que tivemos em Santa Catarina um cientista reconhecido internacionalmente”, afirma a doutora.

Segundo Ana Odete Vieira, o cientista é muito importante para a Biologia, tendo feito observações boas e precisas, muitas vezes com belas ilustrações, havendo até mesmo um processo biológico que leva o seu nome: “mimetismo mulleriano”². Ele realizou diversos estudos com borboletas, cupins, abelhas brasileiras, crustáceos e outros insetos, catalogou novas espécies e tem mais de 200 trabalhos publicados sobre animais e plantas, recebendo o apelido de “O Príncipe dos Observadores” por Darwin.³

A professora doutora afirma que foram feitas algumas atividades dirigidas para os alunos de Biologia, estimulando-os a irem à exposição e formularem perguntas, e também explica que a exposição é para todos: “É muito importante esse espaço que a biblioteca abre para as exposições porque atinge não só os alunos de Biologia, mas todos os interessados no tema, contribuindo com o aprendizado. A exposição envolve outras questões: a cultura alemã, a vinda dos imigrantes, parte da história do Brasil naquele período… Então é algo que atende diferentes públicos”, completa Anda Odete Vieira.

“Desde que me converti à sua opinião, muitos fatos que outrora eu via com indiferença, se tornaram excepcionalmente notáveis. Outros, que antes pareciam insignificantes, apenas pura curiosidade adquiriram um elevado significado e, assim, toda a face da natureza foi alterada. Por isto, jamais estarei em condições de expressar minha profunda gratidão, nem a extensão do grande compromisso que sinto ter para consigo.”

(Fritz Müller em carta a Charles Darwin, 05.11.1865)

¹Dados extraídos da Agência de Notícias UEL (http://www.uel.br/com/agenciaueldenoticias/index.php?arq=ARQ_not&FWS_Ano_Edicao=1&FWS_N_Edicao=1&FWS_N_Texto=12822&FWS_Cod_Categoria=2)

**Ana Odete Santos Vieira – Graduada em Ciências Biológicas, com mestrado e doutorado em Biologia Vegetal pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

²Mimetismo é o fenômeno pelo qual um ser vivo se apresenta com aparência de outro, ou assume características que o confundem com o meio ambiente em que se situa. O mimetismo mulleriano foi inspirado em borboletas, e consiste na teoria de que a proteção de um grupo de animais se torna eficiente depois que o predador aprende, por experiência, a selecionar suas presas. Borboletas que possuem um sabor desagradável aos predadores se unem às outras borboletas de sabor também desagradável e com a mesma coloração nas asas. Dessa forma, os predadores rejeitam qualquer inseto daquele padrão cromático, permitindo assim a proteção coletiva.
Fonte: http://www.biomania.com.br/bio/conteudo.asp?cod=3097

³ Informações extraídas de matéria publicada na edição 84 da revista Scientific American Brasil de maio de 2009. Versão digital disponível em http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/parceiro_de_charles_darwin.html

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