Exposição traz à Londrina projeto ambiental de destaque nacional

A exposição Rios Voadores é resultado de quatro anos de trabalho em pesquisas a respeito das chuvas brasileiras

Pauta e reportagem: Fernando Bianchi
Edição: Paola Moraes
Londrina recebeu no período de 18 a 27 de agosto a exposição da Expedição Rios Voadores, um projeto que desde 2007 realiza pesquisas a respeito da água em forma de vapor que viaja pelos céus brasileiros. O projeto conta com a participação do suíço Gerard Moss* e sua esposa Marge Moss, cientistas que já realizaram vários projetos de pesquisas relacionadas às águas brasileiras, entre eles o Brasil das Águas, em que fizeram a coleta de 1.160 amostras de água de rios brasileiros utilizando um método inédito: um avião anfíbio.

Gerard Moss, que vive no Brasil há mais de 20 anos, esteve em Londrina no dia 27 de agosto para o encerramento da exposição do atual projeto que, segundo ele, é denominado Rios Voadores devido à imensa quantidade de água que viaja pelas nuvens do território brasileiro. “Esse volume de águas, muitas vezes, é maior que a vazão de grandes rios terrestres”, explica o pesquisador. Desde 2007, Gerard Moss e sua equipe, composta por vários especialistas em climatologia e análises isotópicas, realiza o acompanhamento de massas de vapor que provocam chuvas em várias regiões brasileiras. O maior foco da pesquisa da expedição está na floresta Amazônica que, segundo o suíço naturalizado brasileiro, além de um importante bioma é uma das maiores responsáveis pela formação de chuvas. “Uma árvore com 10 metros de diâmetro de copa lança na atmosfera cerca de 300 litros de água por dia. Já uma árvore com 20 metros de copa transpira cerca de 1.100 litros por dia”, diz o pesquisador. Desta forma, é possível imaginar a importância da floresta amazônica e de outras florestas para a formação de chuvas no Brasil.

Gérard Moss em frente ao painel da exposição Rios Voadores

O projeto Rios Voadores, então, realiza coleta de amostras de água dos vapores atmosféricos, em vôos sobre a Amazônia, o Oceano Atlântico e outras regiões do país, explica seu idealizador. Uma aeronave é utilizada para coletar amostras das nuvens carregadas, amostras estas que são imediatamente congeladas e lacradas para manter suas características originais, e enviadas para um centro de pesquisas na Universidade de São Paulo (USP), onde são feitas análises isotópicas a fim de determinar a origem da água e suas características. Gerard Moss completa que também é utilizado um balão de ar quente para realizar coletas em baixas altitudes, próximo à copa das árvores, por exemplo.

Além da coleta de amostras, o projeto tem como objetivo seguir e monitorar a trajetória dos “rios voadores”, procurando entender as consequências do desmatamento e das queimadas na Amazônia e sua participação no panorama das mudanças climáticas. “Nosso objetivo aqui em Londrina é mostrar que parte do vapor provocador de chuvas na região vem da evapotranspiração das árvores da Amazônia, para conscientizar a população sobre a importância de cada árvore que existe não só lá, mas em todo o país”, afirma Gerard Moss. Desta forma, foi feita uma seleção de seis cidades ao longo da rota dos “rios voadores” para receberem a exposição da expedição, sendo elas Brasília (DF), Chepecó (SC), Cuiabá (MT), Londrina (PR), Ribeirão Preto (SP) e Uberlândia (MG).

Segundo Gerard Moss, o maior objetivo da exposição é realizar a conscientização da população, demonstrando a importância da preservação ambiental. Além do conteúdo audiovisual da exposição, por onde ela passa é feito um cadastramento de professores interessados em apresentar o tema a seus alunos. Para estes, é distribuído um material didático que contém várias informações sobre as chuvas no Brasil, além da metodologia do projeto Rios Voadores. Com isso, a expedição pretende conscientizar as crianças sobre a importância da preservação ambiental desde cedo.

“O rio do título é imaginário, sim, mas as águas que ele transporta são reais. A exposição nos mostra que mesmo eventos que ocorrem distantes, longe de nossa realidade, podem afetar a nossa vida, como é o caso da formação de chuvas na Amazônia”, finaliza o entrevistado. Gerard Moss convida a todos, pelas cidades onde passa, a refletir sobre a preservação do meio ambiente, e pretende prosseguir com esse e outros projetos que têm repercutido nacional e, muitas vezes, internacionalmente.

Visite o site: www.riosvoadores.com.br

* “Apesar de formado em Engenharia Mecânica, Gerard Moss sempre trabalhou no ramo de afretamento marítimo, profissão que o trouxe para o Brasil em 1983 quando abriu uma empresa no ramo, no Rio de Janeiro, especializada em exportação de soja. […] Com o decorrer dos anos, o foco de Gerard e sua esposa Margi deu uma guinada. Devido à precariedade dos recursos hídricos que perceberam do alto, tanto no Brasil como no mundo afora. Começaram a lutar para a preservação dos recursos naturais, tanto as águas doces dos rios e lagos do Brasil quanto as florestas que fornecem a umidade da qual dependemos.”
Texto retirado do site oficial do casal de pesquisadores: http://www.mundomoss.com.br

 

 

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