Alunos de Relações Públicas desenvolvem projeto no Colégio Aplicação

Em conjunto com o NEAA, alunos desenvolvem trabalho de conclusão de curso através de histórias infantis contadas para alunos da primeira série
Na foto, a estudante de Relações Públicas, Amanda Favoretto, conta às crianças história infantil sobre a cultura africana.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Hirafuji
Reportagem: Pamela Oliveira 

O Conexão Ciência desta semana conversou com a aluna Alana Nogueira Volpato, do quarto ano de Relações Públicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), sobre o projeto “Lê uma historinha pra mim”. Ela, junto ao seu grupo, formado por Amanda Vieira Favoretto e Alessandro Marques, desenvolveu seu trabalho de conclusão de curso sobre Comunicação Pública. Segundo Alana Volpato, o projeto aprovado pelo Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos (NEAA) da UEL visa divulgar às crianças, de maneira lúdica, a cultura negra. O projeto se desenvolveu durante quatro encontros, em que foram contadas histórias que trazem marcas da cultura africana.

Conexão Ciência: Por que decidiram desenvolver esse projeto?
Alana Volpato: Comunicação pública fala, basicamente, sobre como as discussões sobre a sociedade acontecem. Discussões que envolvem tanto a sociedade quanto as empresas, o governo, as organizações em geral. A partir disso, a gente resolveu fazer um trabalho prático no Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos (NEAA), que tem como objetivo tanto colocar em pauta a desigualdade social, como também divulgar as culturas contra-hegemônicas. Dentro do trabalho de conclusão de curso, nós criamos um “Plano de Relações Públicas”, que tem como objetivo discutir sobre a desigualdade racial, sobre racismo e divulgar a cultura negra. O projeto foi desenvolvido com a primeira série do Colégio Aplicação.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia de trabalhar a divulgação da cultura negra com crianças?
Alana Volpato: A ideia surgiu porque, desde 2003, existe a lei 10.639/03, que inclui o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas grades curriculares do Ensino Fundamental e Médio. Mas, até hoje poucas escolas conseguiram aplicar a lei efetivamente. Até por falta de iniciativa e de saber como inserir esse conteúdo. O que tentamos fazer é dar uma ideia de como trazer um pouco da cultura negra para as crianças. Assim, escolhemos a primeira série porque eles têm um conteúdo mais maleável e uma programação menos definida, além de serem bem pequenos e mais abertos às novidades.

Conexão Ciência: Como é realizado o projeto “Lê uma historinha pra mim”?
Alana Volpato: Nós ensinamos contando histórias para eles. O NEAA tem uma biblioteca específica sobre a cultura africana e pudemos encontrar vários livros com histórias e mitos africanos infantis. Na primeira visita, contamos uma história sobre um escravo que foi liberto e, mesmo tendo sido escravo e pobre, ele conseguia construir coisas lindas. A história serviu para explicar que no Brasil tem gente colorida, diferente e como surgiram essas diferenças, além de mostrar que todos são capazes de construir coisas bonitas. Depois das histórias, nós sempre fazemos uma atividade. Nesse caso, nós fizemos a casa do escravo, uma casa de papelão que era feia e eles teriam que deixá-la bonita. Buscamos fazer algo lúdico depois das histórias.

Conexão Ciência: Você presenciou alguma experiência interessante durante os encontros?
Alana Volpato: Uma coisa que reparei foi quando perguntamos a eles quais locais “conheciam”, eles respondiam Alemanha, Itália, Estados Unidos, Inglaterra e só um aluno mencionou a África. Hoje, se entrarmos na sala e fazemos a mesma pergunta, eles respondem em coro “África”. Eles desconheciam completamente, pois é algo que não está tão em evidencia na mídia quanto outros países e continentes.

Conexão Ciência: Vocês realizarão o projeto com outras turmas?
Alan Volpato: Sim, na próxima semana começamos o mesmo trabalho com uma turma da primeira série do período vespertino.

Conexão Ciência: Quais os resultados do projeto?
Alana Volpato: Achei muito bom. Eles ficam muito animados quando a gente chega, perguntam sobre a próxima visita. E foi interessante nossa abordagem, pois nós conseguimos falar da África de um modo diferente, com as ilustrações dos livros, mostrando que há outras culturas a serem ensinadas.

Crédito da foto: Pamela Oliveira

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