Departamento de Ciência da Informação estudará a mediação da informação e literatura pela oralidade

Metodologia colaborativa será base para o estudo de projeto que ainda está em fase inicial

Pauta: Claudia Hirafuji
Edição: Paola Moraes
Reportagem: Yudson Koga 

A mediação da informação e da literatura por meio da oralidade. É esse o objetivo do projeto coordenado por Sueli Bortolin, graduada em Biblioteconomia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre e doutora em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (UNESP). “O objetivo é criar um corpus teórico a respeito das mediações das informações contidas nos jornais e na internet, da leitura, da literatura na perspectiva da oralidade. Como que a literatura chega às pessoas por meio da voz, seja ela presencial ou via tecnologia, como as redes sociais e até mesmo o telefone”, explica a doutora. Além disso, outro ponto do projeto é buscar essa mediação para resgatar a memória pessoal e institucional: “Queremos responder, por exemplo, como a memória pessoal pode interferir na memória institucional, de uma empresa, universidade, vários espaços…”.
A metodologia a ser utilizada será a pesquisa colaborativa, que visará a troca e a busca de entendimento na relação entre os acadêmicos, tanto alunos como docentes, e os bibliotecários em exercício atuantes nas escolas particulares de Londrina. De acordo com a professora doutora, o método é uma via de mão dupla, que exige uma estreita relação entre o pesquisador e os profissionais em prática. “É fácil na academia criticar os erros dos profissionais que já estão trabalhando, mas e a discussão entre eles? O que me encanta nessa metodologia é exatamente essa possibilidade de troca e diálogo”, opina Sueli Bortolin.
A iniciativa do projeto se deu a partir da tese de doutorado da coordenadora intitulado “Mediação Oral da Literatura: a voz do bibliotecário lendo ou narrando” e de todo o seu trajeto profissional: já trabalhou como bibliotecária, teve uma livraria infanto-juvenil e foi presidente de uma ONG, chamada “Mundo que Lê”. Segundo ela, embora as bibliotecas sejam a base para a construção de todo conhecimento, informação e desejo pela pesquisa, elas são muito silenciosas: “elas deviam ter mais vida e mais vozes”.
A doutora também destaca que a literatura em questão não é somente a clássica. O projeto pretende fazer um trabalho não só com diferentes faixas etárias como também com diferentes tipos de linguagem e literatura. Para exemplificar, ela cita os quadrinhos japoneses, o mangá, “que hoje faz parte da vida não só dos japoneses ou descendentes, mas de vários outros jovens e adultos.” Dessa forma, ater-se ao clássico seria uma forma de elitização e esquecimento de outras formas de literatura, garante Sueli Bortolin.
O projeto, que ainda está em sua fase inicial, não obteve resultados, mas as expectativas são grandes: “Esperamos que os acadêmicos, pesquisadores e os profissionais em exercício reflitam sobre o seu cotidiano e suas práticas. Queremos que as idéias que serão discutidas atinjam todos os interessados na mediação da informação e na literatura”, observa Sueli Bortolin, e completa: “A voz tem uma força e uma carnalidade. É todo o corpo que se pronuncia junto com a voz. Por isso a oralidade é tão importante e não deve ser esquecida.”.

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