Curso mostra como desenhos animados podem prevenir a violência infantil

Desenhos animados e livro produzidos nos Estados Unidos podem ser utilizados por pais e professores para desenvolver comportamentos pró-sociais nas crianças

Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Adriana Gallassi
Edição: Karina Constancio

A doutora Marie Leiner (esquerda), autora do material, afirma o ter produzido pensando principalmente nas crianças em situação de maior vulnerabilidade

Em realização inédita no país, o curso “Desenhos Animados para Prevenção da Violência Infantil” aconteceu no dia 22 de outubro desse ano e contou com 197 inscritos de 38 cidades do Paraná. Segundo a organizadora do evento Maria Luiza Marinho Casanova, graduada em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em Psicoterapia na Análise do Comportamento pela UEL, doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP) e com dois pós-doutorados em Psicologia Clínica, um pela Universidade de Granada, na Espanha, e outro pela USP, os inscritos são, principalmente, de áreas envolvidas com a educação de crianças, como coordenadores de escolas, pedagogos, psicólogos e profissionais do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), além de alunos de psicologia.

O curso apresentou um material, que consiste em um livro e um DVD, produzido, em 2008, por Marie Leiner, bacharel de Ciência em Engenharia Química pela Universidad Nacional Autónoma del México (UNAM), mestre em Administração de Negócios pela Webster University, doutora em Administração de Negócios Internacionais e Marketing em Comunicação pela Nova Southeastern University e com pós-doutorado em Epidemiologia pela University of London. De acordo com a professora pós-doutora Maria Luiza, a finalidade desse material é desenvolver comportamentos pró-sociais em detrimento de outros considerados comuns na infância, mas que se não forem corrigidos, podem tornar a criança um pré-delinquente.

Ainda sobre a função do material, a autora afirma o ter produzido pensando principalmente nas crianças em situação de maior vulnerabilidade. Ela reside no Texas, estado norte-americano que faz divisa com o México. Marie Leiner explica que nessa região drogas e chacinas são comuns, e acrescenta que crianças, as quais convivem com qualquer tipo de violência, tendem a desenvolver insensibilidade em relação a ela, ou seja, passam a julgar normais comportamentos violentos. Segundo a pós-doutora Maria Luiza, é por isso que se faz necessário ensinar às crianças comportamentos pró-sociais – que se resumem em respeito ao próximo e a si mesmo –, para que ela tenha contato com o que é aceitável nas relações entre os humanos.

“O menino que nunca escuta os demais”, “A menina que chorava por tudo”, “O menino que fazia tudo para ser o primeiro na fila”, são alguns títulos dos desenhos animados. Eles devem ser assistidos por um grupo de duas ou mais crianças. Isso porque, consoante a organizadora do evento, o desenho animado apresenta uma situação e afirma que agir daquela forma não é certo, em seguida, pede para as crianças pensarem e discutirem sobre uma alternativa para o comportamento errado. E conclui, que as crianças aprendem mais dessa forma, porque não é um adulto que impõe a ela o dever de agir diferente e sim a heroína do desenho. “Percebe-se que a heroína do desenho animado tem um impacto diferente sobre a criança”, afirma a pós-doutora Maria Luiza.

Marie Leiner explica que são mostradas, no desenho animado, as consequências do comportamento errado, mas que elas não são graves. Segundo a autora, são consequências aversivas como: o colega que não quer mais brincar com a criança que fez algo ruim, não ser chamado para a festa de aniversário, entre outras. Ela expõe também que aplicou alguns estudos mercadológicos no material, por exemplo, optou pelo desenho animado porque é uma linguagem muito atraente para as crianças. E ainda, por meio de pesquisas nas áreas de pediatria e psicologia, concluiu que as crianças aprendem melhor com materiais ilustrados, se comparado a uma explicação estritamente verbal. Além disso, confirma: “Não tem figura de autoridade porque se você treina isso com a criança, ela vai estar sempre esperando um adulto dizer o que é para fazer ou não”, explica a autora .

O material traduzido em português tem a mesma qualidade do original em inglês e espanhol, confirmou Marcelo Casanova, coordenador do Projeto Galera de Deus. Foi ele quem conseguiu uma gráfica que fizesse a impressão do material gratuitamente. “Um objetivo que eu tenho é saber que todas as escolas municipais de Londrina estão usando esse material”, revelou. Marie Leiner explica que o material só pode ser distribuído gratuitamente, isso se deve ao fato de ela tê-lo produzido com dinheiro do Governo Federal dos Estados Unidos, assim ninguém pode ter lucro com esse material.

“Sinto-me muito emocionada. Muito agradecida por Marcelo e Maria Luiza terem conseguido realizar esse sonho de todos nós. Pois o que eu quero é ajudar as crianças”, afirmou a autora sobre a realização do curso no Brasil.

Crédito da foto: Adriana Galassi

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