Alunos de Relações Públicas desenvolvem projeto no Colégio Aplicação

outubro 2, 2011
Em conjunto com o NEAA, alunos desenvolvem trabalho de conclusão de curso através de histórias infantis contadas para alunos da primeira série
Na foto, a estudante de Relações Públicas, Amanda Favoretto, conta às crianças história infantil sobre a cultura africana.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Hirafuji
Reportagem: Pamela Oliveira 

O Conexão Ciência desta semana conversou com a aluna Alana Nogueira Volpato, do quarto ano de Relações Públicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), sobre o projeto “Lê uma historinha pra mim”. Ela, junto ao seu grupo, formado por Amanda Vieira Favoretto e Alessandro Marques, desenvolveu seu trabalho de conclusão de curso sobre Comunicação Pública. Segundo Alana Volpato, o projeto aprovado pelo Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos (NEAA) da UEL visa divulgar às crianças, de maneira lúdica, a cultura negra. O projeto se desenvolveu durante quatro encontros, em que foram contadas histórias que trazem marcas da cultura africana.

Conexão Ciência: Por que decidiram desenvolver esse projeto?
Alana Volpato: Comunicação pública fala, basicamente, sobre como as discussões sobre a sociedade acontecem. Discussões que envolvem tanto a sociedade quanto as empresas, o governo, as organizações em geral. A partir disso, a gente resolveu fazer um trabalho prático no Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos (NEAA), que tem como objetivo tanto colocar em pauta a desigualdade social, como também divulgar as culturas contra-hegemônicas. Dentro do trabalho de conclusão de curso, nós criamos um “Plano de Relações Públicas”, que tem como objetivo discutir sobre a desigualdade racial, sobre racismo e divulgar a cultura negra. O projeto foi desenvolvido com a primeira série do Colégio Aplicação.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia de trabalhar a divulgação da cultura negra com crianças?
Alana Volpato: A ideia surgiu porque, desde 2003, existe a lei 10.639/03, que inclui o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas grades curriculares do Ensino Fundamental e Médio. Mas, até hoje poucas escolas conseguiram aplicar a lei efetivamente. Até por falta de iniciativa e de saber como inserir esse conteúdo. O que tentamos fazer é dar uma ideia de como trazer um pouco da cultura negra para as crianças. Assim, escolhemos a primeira série porque eles têm um conteúdo mais maleável e uma programação menos definida, além de serem bem pequenos e mais abertos às novidades.

Conexão Ciência: Como é realizado o projeto “Lê uma historinha pra mim”?
Alana Volpato: Nós ensinamos contando histórias para eles. O NEAA tem uma biblioteca específica sobre a cultura africana e pudemos encontrar vários livros com histórias e mitos africanos infantis. Na primeira visita, contamos uma história sobre um escravo que foi liberto e, mesmo tendo sido escravo e pobre, ele conseguia construir coisas lindas. A história serviu para explicar que no Brasil tem gente colorida, diferente e como surgiram essas diferenças, além de mostrar que todos são capazes de construir coisas bonitas. Depois das histórias, nós sempre fazemos uma atividade. Nesse caso, nós fizemos a casa do escravo, uma casa de papelão que era feia e eles teriam que deixá-la bonita. Buscamos fazer algo lúdico depois das histórias.

Conexão Ciência: Você presenciou alguma experiência interessante durante os encontros?
Alana Volpato: Uma coisa que reparei foi quando perguntamos a eles quais locais “conheciam”, eles respondiam Alemanha, Itália, Estados Unidos, Inglaterra e só um aluno mencionou a África. Hoje, se entrarmos na sala e fazemos a mesma pergunta, eles respondem em coro “África”. Eles desconheciam completamente, pois é algo que não está tão em evidencia na mídia quanto outros países e continentes.

Conexão Ciência: Vocês realizarão o projeto com outras turmas?
Alan Volpato: Sim, na próxima semana começamos o mesmo trabalho com uma turma da primeira série do período vespertino.

Conexão Ciência: Quais os resultados do projeto?
Alana Volpato: Achei muito bom. Eles ficam muito animados quando a gente chega, perguntam sobre a próxima visita. E foi interessante nossa abordagem, pois nós conseguimos falar da África de um modo diferente, com as ilustrações dos livros, mostrando que há outras culturas a serem ensinadas.

Crédito da foto: Pamela Oliveira

Funcionários do CEFE participam do curso de Autoestima

setembro 12, 2011
Curso de autoestima é aplicado por pedagoga para 30 funcionários do Centro de Esporte e Educação Física da UEL
 
Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Hirafuji
Reportagem:Pamela Oliveira
O Conexão Ciência conversou esta semana com a professora Maurenia Nielsen do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA) da Universidade Estadual de Londrina, formada em pedagogia pela UEL. Ela é a responsavel pelo curso de autoestima no ambiente de trabalho, que está sendo aplicado aos funcionários do Centro de Esporte e Educação Física (CEFE), totalizando um número de 30 pessoas.

O curso é ofertado desde 2006 nos diversos departamentos da UEL, coordenado pela Divisão de Acompanhamento e Treinamento (DAT) e pela Pró-Reitoria de Recursos Humanos (PRORH). O curso visa despertar nos funcionários a idéia de que, para uma vida mais saudável e tranquila, é necessário estar bem consigo mesmo.

Conexão Ciência: O que é o curso de autoestima no ambiente de trabalho?
Profa. Maurenia Nielsen: É um curso que busca resgatar e subsidiar as pessoas para que elas se cuidem e se conheçam. Criei o curso, pois, convivendo com outros colegas – professores e alunos – percebi que as pessoas têm dificuldade de lidar com esse lado emocional e psicológico. Por conta disso, se atrapalham no ambiente de trabalho, passando a dizer que os outros estão errados, mas esquecem de olhar dentro de si mesmo para verem o que é que está errado e que pode incomodar outras pessoas.

Conexã Ciência: Como é realizado o curso de autoestima?
Profa. Maurenia Nielsen: No curso eu trabalho com dinâmicas, brincadeiras, apresento slides e conceitos de outros autores, para que as pessoas possam entender a autoestima de forma concreta. Eu tento trazer para os momentos do dia-a-dia, para que eles compreendam mais facilmente a idéia que eu quero passar. Em locais de bastante espaço, como o HU, por exemplo, vamos para o ar livre e fazemos atividades lúdicas, para explicar o conteúdo. Depois conceituo com algum autor, trazendo a teoria. Faço uma retrospectiva tentando fazer com que olhem para si mesmos e descubram o que é que fazem de bom para si e para os outros.

Conexão Ciência: Qual o perfil das pessoas que procuram este curso?
Profa. Maurenia Nielsen: Na UEL temos os funcionários que precisam preencher suas horas de cursos requeridas pela própria universidade, assim como os alunos, então eles procuram este curso. Também observo que há aqueles que estão buscando conhecer a si mesmo. Normalmente há pessoas que estão magoadas, insatisfeitas com o trabalho, pensando que há problemas. A idade varia desde 20 anos até mais de 60. É bem diversificado.

Conexão Ciência: Como é trabalhada a autoestima no ambiente profissional?
Profa. Maurenia Nielsen: As pessoas acreditam que, para ter boa autoestima, o local de trabalho tem de ser maravilhoso. Porém, é necessário entender que uma boa autoestima tem a ver com a própria pessoa, pois é você quem precisa estar bem. É você quem deve fazer o bem para que as pessoas percebam e retribuam isso.

Crédito da foto: Pamela Oliveira

Agricultura sem agrotóxicos

agosto 22, 2011
Alunos do curso de agronomia da UEL promovem conscientização ambiental e alimentar com a criação de hortas educativas 

Posto de venda na Fazenda Escola da UEL (FAZESC). Todas as sextas-feiras mulheres do assentamento de reforma agrária Iraci Salete, Alvorada do Sul – PR e integrantes da Horta comunitária Campus Verdes, Cambé – PR vendem os alimentos no Campus da UEL.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Gabriel Bandeira
O projeto de extensão “Hortas educativas produzindo alimento e melhorando a qualidade de vida” tem o objetivo de incentivar a melhoria na qualidade de alimentação, assim como demonstrar a importância da relação do homem com o meio ambiente e a necessidade de sua conservação através da educação ambiental. O projeto, do departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é coordenado pelo professor doutor Adilson Luiz Seifert, graduado em agronomia pela UEL e possui o título de mestre e doutor em agronomia pela mesma instituição.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia e qual o objetivo do projeto?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: O projeto surgiu há dez anos com a professora Dra. Cristiane de Conti Medina, do departamento de Agronomia da UEL. A proposta de trabalho do projeto é a transferência de conhecimento para a construção de hortas nas quais são cultivados alimentos sem a utilização de defensivos agrícolas químicos. Isso incentiva uma alimentação mais saudável, assim como demonstra a importância da relação do homem com o meio ambiente e a necessidade de sua conservação através da educação ambiental. Os alimentos produzidos geram renda para as pessoas envolvidas. O benefício para os alunos do curso de agronomia é a possibilidade de aplicação prática da teoria aprendida em sala de aula. Promove também uma maior interação com a comunidade externa. É a retribuição do investimento que a sociedade faz na universidade.

Conexão Ciência: Onde é realizado e como é feito o trabalho?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: O projeto é desenvolvido em cinco locais: Colégio Aplicação e creche da UEL; Escola Mundo Encantado; Horta Comunitária Campus Verdes, Cambé – PR; Centro de recuperação de vidas – CARV, Londrina – PR; e assentamento de reforma agrária Iraci Salete, Alvorada do Sul – PR. As principais atividades desenvolvidas são: construção de canteiros, semeadura e plantio de hortaliças, orientação na condução e manutenção das hortas, construção de estufa para produção de mudas, produção de composto e palestras sobre temas relacionados às atividades do projeto.

Conexão Ciência: Qual é o benefício do cultivo de hortaliças sem a utilização de defensivos agrícolas químicos?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: A não utilização de defensivos agrícolas químicos segue o preceito da agroecologia. O objetivo é conscientizar as pessoas sobre a importância de praticar uma agricultura auto-sustentável, menos agressiva à natureza. A alimentação saudável é outra consequência do projeto. Todas as pessoas envolvidas no projeto, tanto crianças como adultos, entenderam que o cultivo de alimentos sem defensivos agrícolas químicos é benéfico por não agredir o meio ambiente e para a própria saúde das pessoas.

Conexão Ciência: Qual é a importância da interação do homem com o meio ambiente?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: Ao aprender passo a passo as técnicas de plantio das hortaliças, os envolvidos adquirem uma relação mais respeitosa com a natureza por entender a importância de sua preservação. Por consequência, quando essas pessoas entendem a importância e necessidade de preservação do meio ambiente, passam a divulgar a ideia e a chamar a atenção de outras pessoas para o mesmo objetivo.

Conexão Ciência: De que maneira esse projeto pode gerar renda para as pessoas envolvidas?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: As famílias ligadas à Horta Comunitária Campus Verdes, Cambé – PR e as mulheres ligadas ao assentamento de reforma agrária Iraci Salete, Alvorada do Sul – PR participam de feiras e eventos realizados pela UEL, Emater e MST para comercializar os alimentos cultivados em suas respectivas hortas. Todas as sextas-feiras é montado um posto de venda na Fazenda Escola da UEL (FAZESC). As mulheres do assentamento faturam aproximadamente R$ 300,00 e os produtores da Horta comunitária Campus Verdes por volta de R$ 150,00 por dia.

Conexão Ciência: Qual é o resultado do projeto?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: O resultado do projeto é satisfatório ao mostrar que é possível, através das atividades desenvolvidas, a interação dos alunos com a comunidade envolvida, a inclusão social e a geração de renda. No Centro de recuperação de vidas – CARV, dependentes químicos e de álcool são ressocializados e podem aproveitar o conhecimento para trabalhos ligados à agricultura. Na Horta Comunitária Campus Verdes, o objetivo é a inclusão social por meio da geração de renda obtida com a venda dos produtos. No assentamento de reforma agrária Iraci Salete, o público alvo são as mulheres porque elas não tinham fonte de renda. Apenas os homens possuíam fonte de renda.

Conexão Ciência: O projeto será publicado em alguma revista científica?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: Não será publicado em nenhuma revista científica, mas foi escolhido pela UEL para ser apresentado no 29º SEURS – Seminário de Extensão Universitária da Região Sul, que será realizado na cidade de Foz do Iguaçu – PR, entres os dias 22 à 24 de agosto de 2011.


Coleta de amostras visa garantir qualidade da água potável consumida pela população

agosto 16, 2011

Projeto do Departamento de Estatística da UEL quer garantir uma água dentro dos parâmetros exigidos pelo Ministério da Saúde

Pauta: Claudia Yukari Hirafuji
Edição: Paola Moraes
Reportagem: Fernando Bianchi

O Conexão Ciência conversou essa semana com o professor doutor Waldir Medri, do Centro de Ciências Exatas (CCE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) coordena o projeto “Plano de Amostragem e controle estatístico de qualidade da água na rede de distribuição”, desenvolvido no Departamento de Estatística. Graduado em Matemática pela UEL, mestre e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o professor utiliza-se de métodos matemáticos para realizar fiscalizações à cerca da qualidade da água tratada que entra na rede pública de distribuição, procurando mantê-la dentro das recomendações oficiais do Ministério da Saúde.

Conexão Ciência: Como e quando surgiu o projeto de amostragem da água?
Prof. Dr. Waldir Medri: Durante quatorze anos, realizei trabalhos de acompanhamento da água para o SAMAE (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto) da cidade de Ibiporã. Lá era realizada a coleta de amostras de água para controle de qualidade nas periferias da cidade. Em 1986, comecei a lecionar na UEL, e, logo após, realizei mestrado pela UFSC, onde apresentei o plano de amostragem como tese básica da dissertação. Os trabalhos foram publicados em revistas e congressos, tendo sua base em uma portaria do Ministério da Saúde sobre a coleta e controle de qualidade de água. Hoje, o projeto está baseado na portaria 518 de 25 de Março de 2004 do Ministério da Saúde, que atualizou os critérios para análise de água tratada.

Conexão Ciência: Como é o método de controle utilizado para determinar a qualidade da água?
Prof. Dr. Waldir Medri: O projeto foi aplicado na cidade de Ibiporã. Fizemos o mapeamento da cidade, dividindo-a em 17 setores, e, em cada setor, havia vários pontos de coleta de amostras de água. Os locais com menos concentração habitacional, portanto com menos probabilidade de água contaminada, tinham a coleta feita uma vez por mês. Assim variava: conforme o grau de contaminação, maior o número de coletas para análise durante um mês. Os locais eram escolhidos aleatoriamente por um software que proporciona a cobertura total da cidade mensalmente, sendo feita a coleta de no mínimo 56 amostras, número este estabelecido pela portaria 518 como mínimo exigido para uma cidade de 50.000 habitantes.

Conexão Ciência: Quais aspectos da água coletada são analisados?
Prof. Dr. Waldir Medri:
 São cinco os parâmetros básicos, todos eles determinados na portaria 508 do Ministério da Saúde. A quantidade de cloro na água, que deve estar entre 0,5 a 2 miligramas por litro (mg/l). O flúor, que dependendo da temperatura da água, deve estar entre 0,6 mg/l e 1,2 mg/l. O PH (potencial de hidrogenização), que deve estar entre 6 e 9. Também é analisada a turbidez, que indica a presença de material sólido presente na água, ou seja: contaminação por microorganismos, que, claramente, sempre deve ser baixa, e o último dos parâmetros, que é a cor da água coletada; quanto mais escura, maior a chance de contaminação.

Conexão Ciência: As empresas distribuidoras de água realizam coleta de amostragem para controlar a qualidade?
Prof. Dr. Waldir Medri: Realizam, mas geralmente nos mesmo pontos sempre. A diferença é que o nosso projeto leva em consideração muitas variações a que a água está sujeita, como chuva, por exemplo. As empresas geralmente coletam nos mesmos pontos, e evitam fazer a amostragem quando está chovendo, sendo que nessas épocas a turbidez da água sobe. O máximo que eles fazem é identificar pontos críticos e tomar medidas contra vazamentos, ou realizar “descargas” na rede de água para limpar os encanamentos após ajustes.

Conexão Ciência: Quais os benefícios que o projeto traz para a comunidade?
Prof. Dr. Waldir Medri: Quando o projeto foi aplicado em Ibiporã, por exemplo, os resultados foram apresentados ao SAMAE para que haja um controle maior de qualidade, onde, se necessário, podiam ser identificados pontos críticos com ocorrência maior de anormalidade nos critérios citados. Entretanto, não foram identificadas muitas transgressões à portaria 518 em Ibiporã, exceto casos onde havia interferência de fatores como chuva excessiva, que aumenta a turbidez da água. Esse acompanhamento e a apresentação dos resultados ao órgão responsável pela distribuição trazem mais qualidade de vida à população, garantindo uma água dentro dos parâmetros estabelecidos. Identificado um local com problemas, as medidas necessárias podem ser tomadas para garantir a qualidade da água distribuída.

Conexão Ciência: De que forma os resultados do projeto chegam ao conhecimento da comunidade?
Prof. Dr. Waldir Medri: Tenho uma dissertação de mestrado sobre o projeto, além de trabalhos apresentados em congressos fora do país, em Cancun, para citar um exemplo. Aqui no Brasil, divulgamos o trabalho na revista da ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), que é uma importante propagadora de pesquisas nesta área. Também foi apresentado o trabalho em Londrina na Unopar e no evento do Salão de Extensão da UEL. Também na UEL, é divulgado na revista Semina, publicação semestral dedicada à divulgação científica e tecnológica. Além disso, tenho vários professores participantes do projeto que já o apresentaram em congressos por todo o Brasil, como em Natal, Maringá, Bauru e algumas outras cidades.

Crédito da fotohttp://info-ambiental.blogspot.com/2011/01/montenegrino-analisa-aguas-do-rio-dos.html


A internet perde o papel de vilã na educação

agosto 15, 2011

Projeto de pesquisa do departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da UEL utiliza a internet como meio inovador de métodos pedagógicos

Folha de rosto da 1ª edição do livro "Dom Casmurro" de Machado de Assis

Pauta: Laura Almeida
Edição: Fernanda Cavassana
Reportagem: Paola Moraes

Indo na direção oposta de muitos pesquisadores que criticam o “mau uso” da internet apenas para fins sociais, o professor Alamir Aquino Correa, graduado em Letras pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília, em Direito pela Universidade Estadual de Londrina, mestre em Literatura pela Universidade de Brasília e doutorem Literaturas Hispânicaspela Indiana University Bloomington, decidiu tirar proveito dos sites de relacionamentos a fim de averiguar quais eram as impressões disponibilizadas por leitores medianos a respeito de suas leituras obrigatórias e de entretenimento; para, então, pensar em novas propostas pedagógicas que aproximassem e envolvessem os estudantes na prática literária.

“Leitor mediano é aquele que lê de forma obrigatória ou pelo seu hábito de leitura, porém sem a preocupação de um leitor letrado que, devido ao seu treino escolar, analisa a obra ou procura as que sejam mais rebuscadas”, esclarece Alamir Aquino. Através das pesquisas etnográficas realizadas por Alamir e colaboradores de seu projeto “Hipercontexto: estudo da literatura em meio eletrônico”, pode-se observar como esses leitores medianos vêem o mundo literário e o caracterizam e como a escola trabalha o texto literário com seus discentes. O entrevistado aponta que ao recolher esses dados, o objetivo do projeto é pensar como incluir o mundo digital na escola de forma estimulante tanto para alunos quanto professores.

É nesse contexto de utilização benéfica da internet que entra a criação do site Hipercontexto. Este site, que está fechado para experimentação com alunos da área de Letras, funciona como canal comunicativo de cursos à distância sobre a leitura de poemas e estudo das figuras de linguagem. O coordenador do projeto destaca os lados positivos das aulas realizadas em salas de bate-papo exclusivas: “A flexibilidade do horário de aula é muito importante. Você pode marcar uma aula e participar dela sem sair de casa e interagir mais facilmente, já que na sala de aula convencional só participam o professor e o aluno que tem coragem para levantar a mão. Outro ponto é ter o histórico de conversa da aula. Por meio dele você pode analisar melhor o comportamento e as ideias de cada aluno sobre determinado assunto”.

Outras vertentes do projeto são citadas pelo pesquisador: armazenamento de técnicas de trabalho para futuros professores e recuperação de obras literárias que foram modificadas ao longo dos anos. A primeira é destacada por Alamir Aquino como a prevenção de perda de dados pedagógicos e bibliográficos. Segundo o doutor, há cada vez menos procura pelo curso de Letras no Brasil para formação de novos professores e, os que se interessam pela prática, deixam de lado os estudos literários de séculos passados. Dessa forma, armazenar as análises já realizadas poupa a necessidade de erudição do novo professor para compreender tanto o vocabulário quanto a complexidade de tais obras.

Sobre a recuperação de obras literárias, Alamir Aquino explica que este é um trabalho de recuperação da 1ª edição do livro escolhido, a fim de detectar fielmente seu conteúdo, sem cortes ou anexos. Após isso, é realizada uma atualização vocabular. “No livro ‘Dom Casmurro’, Machado de Assis usa a palavra ‘aposentação’. Hoje, essa palavra foi substituída por ‘aposentadoria’. Assim, nós trocamos palavras arcaicas pelas utilizadas atualmente”, exemplifica o docente. Sobre o exemplo citado, Alamir expõe que esta obra foi recuperada e corrigida pelo projeto da Universidade Estadual de Londrina, integrado com o NUPILL (Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Linguística) da Universidade de Santa Catarina e a Universidade Federal do Piauí.

A edição de “Dom Casmurro” feita pelas instituições de ensino superior citadas foi adotada pelo Ministério da Educação em 2008 e disponibilizada eletronicamente para todo o país. No site da FUVEST (Fundação Universitária para o Vestibular) – fundação responsável por elaborar o vestibular da Universidade de São Paulo, o mais concorrido do país – a edição realizada pela integração da UEL, UFSC e UFPI é a disponibilizada para download.

O professor Alamir Aquino lembra que o tempo para realização dos objetivos propostos pelo projeto é longo e este deve durar muitos anos. Por fim, o entrevistado comenta que uma curiosidade encontrada nas pesquisas da mídia eletrônica é sobre o caráter sagrado destinado ao livro em papel. “Os escritores usam a internet para divulgar sua obra, mas almejam a sua impressão no papel como uma forma de eternizar seu trabalho e torná-lo sagrado. A internet pode popularizar a literatura, mas não descarta a procura pelo livro impresso.”


Contaminação dos alimentos por fungos

maio 29, 2011

Projeto de pesquisa busca métodos mais eficazes de detecção de micotoxinas

Pauta: Claudia Hirafuji
Edição: Paola Moraes
Reportagem: Rosana Reineri

O projeto de pesquisa “Estratégias para minimização da contaminação de alimentos por fungos toxigênicos” coordenado pela professora doutora Elisabete Yurie Sataque Ono, da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em parceria com a professora Dra. Elisa Yoko Hirooka* da mesma universidade, visa estudar possíveis métodos para agilizar a identificação de micotoxinas a fim de garantir a segurança e qualidade dos alimentos.

A professora Elisabete Ono possui graduação em Farmácia pela UEL, mestrado e doutorado em Ciências de Alimentos, pela mesma instituição, e pós-doutorado pela National Food Research Institute no Japão.

Conexão Ciência: Em que consiste o projeto que vocês estão desenvolvendo?
Profa. Dra. Elisabete Ono:
Neste projeto propõem-se monitorar a contaminação por fungos e micotoxinas em alimentos, contribuindo para a melhoria da qualidade dos produtos agrícolas, visando atender as exigências do mercado no mundo globalizado.

Conexão Ciência: Como é feito o monitoramento e quais são as técnicas de analise empregadas nesse processo?
Profa. Dra. Elisabete Ono: Para a análise de micotoxinas é utilizado cromatografia líquida de alta eficiência que determina a concentração de micotoxinas existentes em um determinado produto. É colhida a amostra e passada pela máquina de cromatografia para identificar se existe a micotoxina, qual é a sua variedade e concentração, ou seja, a quantidade existente no produto.

Conexão Ciência: Quais são os produtores de micotoxina?
Profa. Dra. Elisabete Ono: São os fungos classificados como toxigênicos. Os que são mais comuns em alimentos são os Aspergillus, Fusarium e Penicillium. Eles são os mais estudados e os mais freqüentes em produtos agrícolas.

Conexão Ciência: Quais os malefícios que as micotoxinas podem causar?
Profa. Dra. Elisabete Ono:
Depende da micotoxina. Existem vários tipos, por exemplo, as Aflatoxinas, frequentes no amendoim, são carcinogênicas, ou seja, causadoras de câncer. As Fumonisinas, frequentes no milho, causam em cavalos leucoencefalomalácia, que é a necrose cerebral, levando o animal a óbito, em suínos, causam edema pulmonar e em humanos, existem estudos epidemiológicos que correlacionam a contaminação do milho por fumonisinas com o câncer esofágico e o câncer hepático.

Conexão Ciência: Quais são os procedimentos a serem adotados a fim de minimizar esta contaminação por micotoxinas?
Profa. Dra. Elisabete Ono: É necessária a utilização das boas práticas agrícolas, ou seja, a colheita na época certa, a secagem rápida do grão, depois a armazenagem correta, em uma temperatura adequada, na qual não exista o risco de ocorrer uma reumidificação. O teor de umidade deve ser bastante controlado, porque depois que o grão estiver seco ele não deve ser reumidificado. O fungo pode se desenvolver e se multiplicar dependendo destas condições.

Conexão Ciência: A senhora acredita que os produtos para consumo humano já são adquiridos com esta contaminação ou eles podem ser contaminados posteriormente à compra?
Profa. Dra. Elisabete Ono: Muitos produtos já têm esta contaminação. Em casa não se deve deixar o produto aberto, em local úmido e exposto à luz. Se as condições de armazenamento destes produtos não for de maneira correta o fungo pode se instalar, se desenvolver e se multiplicar neste alimento.

Conexão Ciência: Quais são os resultados obtidos com a pesquisa até o momento?
Profa. Dra. Elisabete Ono
: Eu tenho trabalhado bastante com o milho, aproximadamente 95% do milho analisado está contaminado por Fumonisinas, embora a maior porcentagem esteja abaixo dos limites máximos tolerados pela FDA (Food and Drug Administration) **, estamos percebendo que ao longo dos anos o grau desta contaminação está diminuindo, isto porque os processadores de grãos tem se preocupado com a armazenagem e os produtores rurais estão recebendo orientação e assistência para implantação das boas práticas agrícolas.

Conexão Ciência: Quais os resultados esperados?
Profa. Dra. Elisabete Ono:
Estamos trabalhando, principalmente com os estudantes da professora Elisa, para o desenvolvimento de reagentes para a detecção rápida dessas micotoxinas. A professora Elisa trabalha em intercâmbio com pesquisadores do Japão e os estudantes dela tem trabalhado para o desenvolvimento de métodos imunoenzimáticos, que são métodos rápidos para a detecção de micotoxinas, isto vai auxiliar no monitoramento da ocorrência destas diferentes micotoxinas. Atualmente existem alguns métodos rápidos de análise, mas eles não são 100% confiáveis, é necessário cautela na interpretação dos resultados, existem métodos que acusam falso positivo, por exemplo. É preciso saber interpretar e depois confirmar com algum outro método químico, mais preciso.

* Elisa Yoko Hirooka: Graduação em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Estadual de Londrina, Mestrado em Ciência de Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina e Doutorado em Engenharia de Alimentos (Área Ciência de Alimentos) pela Universidade Estadual de Campinas. Atuou como Pesquisador Visitante em Science University ot Tokyo, assim como Pós-Doutorado em Meijo University, Japão.

 

** A Food and Drug Adiministration (FDA ou USFDA) É uma agência do United States Departmente of Health and Human Services. A FDA é responsável por proteger e promever a saude pública através da regulação e supervisão da segurança alimentar, produtos de tabaco, suplementos alimentares, prescrição de medicamentos, vacinas, biofármacos, transfusões de sangue, produtos veterinários e cosméticos.


UEL sedia o V Encontro de Professores de Língua Espanhola do Paraná

maio 17, 2011
O evento, que ocorrerá pela primeira vez na Universidade Estadual de Londrina, será realizado nos dias 27 e 28 de maio

Para a Profª.Dra. Valdirene Zorzo, coordenadora do evento, “Lamentavelmente, não estamos com um cenário muito positivo no sentido da educação regular em Londrina”.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Repórter: Ana Maria Simono 
O V Encontro de Professores de Língua Espanhola do Paraná (EnPLEE) será realizado nos dias 27 e 28 de maio de 2011, no anfiteatro maior da UEL. O encontro tem como área temática central “La Enseñanza del Espanhol como Lengua Extranjera em Paraná”, mas abordará também outras três áreas: a língua espanhola, a metodologia do ensino de espanhol, e os estudos literários, culturais e históricos do espanhol.

O evento tem parceria com a subseção de Curitiba e com a Associación de Professores de Español del Estado de Paraná(APEEPR), atualmente com sede em Cascavel. A coordenadora do encontro, a professora Valdirene Zorzo Veloso, licenciada em Letras Habilitação Português/Espanhol pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, doutora e mestre em Língua Espanhola e Literatura Hispano-Americana pela Universidade Estadual de São Paulo (USP), conversou com o Conexão Ciência e explica sobre a organização e como deverá ocorrer o evento.

Conexão Ciência: Quais são os objetivos do encontro?
Profª. Dra. Valdirene Zorzo Veloso: Por ser um encontro promovido primordialmente pela Associação de Professores de Espanhol do estado do Paraná, o objetivo principal é reunir estes professores para um intercâmbio de resultados de pesquisa. Mas temos também a proposta de colocar os alunos de licenciatura em espanhol da UEL em contato com as experiências dos professores que estão atuando com o ensino da língua espanhola.

Conexão Ciência: É a primeira vez que a Universidade Estadual de Londrina sedia esse evento. Quanto aos encontros anteriores, os resultados obtidos foram satisfatórios?
Profª. Dra. Valdirene Zorzo Veloso: A Associação de Professores de Espanhol já tem, no Paraná, vinte e cinco anos de existência; ela foi a terceira a ser criada no Brasil, precedida apenas por Rio de Janeiro e São Paulo, ou seja, tem uma larga tradição. Mas, como a associação foi criada primordialmente por professores de Curitiba, ela ficava apenas naquele eixo de circulação. E, como era o único ponto de encontro desses profissionais, os resultados sempre foram bastante positivos.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia de trazer o evento para a UEL?
Profª. Dra. Valdirene Zorzo Veloso: A ideia de trazer para a Universidade Estadual de Londrina surgiu ano passado, quando fomos ao encontro da quarta edição, promovido pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), em Cascavel. O Estatuto das associações permitiu a criação de algumas subseções, ou seja, a formação de “braços” que colaborariam com a seção da Associação de Professores de Espanhol, dada a extensão do Estado. Curitiba abriu uma subseção e, para mostrar um pouco do trabalho que a área de língua espanhola tem desenvolvido aqui, resolvemos trazer uma subseção também para Londrina.

Conexão Ciência: Este ano, haverá algo diferente na programação em relação aos encontros anteriores?
Profª.dra. Valdirene Zorzo Veloso: Uma das novas propostas este ano da Comissão Organizadora da Universidade Estadual de Londrina foi tentar abordar as questões mais latentes do ensino de espanhol para o ano de 2011, já que se trata de um evento anual. Nós procuramos, então, responder aos anseios dos professores com relação ao ensino do espanhol na educação pública no estado do Paraná, e também buscamos verificar o cenário e o posicionamento do Estado diante da lei 11161, de agosto de 2005, que previa a obrigatoriedade do ensino do espanhol nos currículos plenos do ensino médio.

Conexão Ciência: Quais são as expectativas para o encontro?
Profª. Dra. Valdirene Zorzo Veloso: Uma das expectativas seria esclarecer como está a situação do ensino do espanhol de um modo geral, e atender aos anseios dos professores, principalmente quanto à questão do material didático para a língua. Como o espanhol é uma nova área, ainda em ascensão, a conferência de abertura, que será realizada no dia 27 de maio reunirá os dois autores que tiveram suas coleções selecionadas para o ensino do espanhol nas séries finais do ensino fundamental. Desse modo, os então escolhidos professora doutora Fátima Cabral Bruno, da Universidade de São Paulo, e professor doutor Ivan Martin, do curso de Letras/Espanhol da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), estabelecerão um diálogo sobre as possibilidades de uso desses materiais, que serão distribuídos pelo governo para o ensino do espanhol.

Conexão Ciência: Quais são as modalidades previstas?
Profª. Dra. Valdirene Zorzo Veloso: Nós teremos as conferências, os minicursos dentro das três áreas temáticas abordadas (linguística de espanhol, ensino e literaturas hispânicas), as oficinas, as mesas-redondas e, após, teremos também dois momentos em que os participantes poderão se comunicar, apresentar os resultados de seus trabalhos, e estabelecer um debate sobre o assunto. O evento estará “recheado”.

Conexão Ciência: Quais serão os nomes de destaque que ministrarão as palestras e mesas-redondas?
Profª. Dra. Valdirene Zorzo Veloso: Estamos honrados com a presença de dois importantes autores da área de Língua Estrangeira, a professora doutora Fátima Cabral Bruno e o professor doutor Ivan Martin. Este ano, também conseguimos trazer a professora Fanny Bierbrauer, da Universidade de Córdoba/Argentina, autora de livros sobre o ensino do espanhol como língua estrangeira. Obviamente teremos também os colegas do departamento de Línguas Estrangeiras Modernas, os profissionais do estado do Paraná, e a professora doutora Terumi Koto Bonnet Villalba, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que é um nome de bastante expressão para o ensino da língua.

Conexão Ciência: Quem poderá participar do evento? Ele é voltado para algum público específico?
Profª. Dra. Valdirene Zorzo Veloso: À priori sim. O evento será voltado para os professores de espanhol e para os alunos das licenciaturas em letras – espanhol, mas os interessados de outras áreas também podem participar.

Conexão Ciência: Qual o número de participantes esperado?
Profª. Dra. Valdirene Zorzo Veloso: Espera-se, de acordo com a média dos anos anteriores, entre 150 e 200 participantes. Até o último dia 29/04/2011 já haviam cem pessoas inscritas, o que é um número consideravelmente bom, levando em conta que o brasileiro deixa tudo para a última hora.

Conexão Ciência: Qual é a situação do quadro de ensino da língua espanhola em Londrina e no Paraná? E qual a importância dessa língua para os brasileiros de um modo geral?
Profª. Dra. Valdirene Zorzo Veloso: Lamentavelmente, não estamos com um cenário muito positivo no sentido da educação regular em Londrina, pois não temos o espanhol na matriz curricular das escolas de ensino médio. Mas, por outro lado, tivemos uma expansão enorme da língua espanhola com o Centro de Estudos de Línguas Estrangeiras Modernas (CELEM), que oferece gratuitamente o ensino extracurricular de línguas estrangeiras nas escolas públicas do Estado do Paraná. Então penso que a maior parte das escolas do núcleo de Londrina oferece o espanhol como língua estrangeira no CELEM, mas não como disciplina obrigatória para os alunos. Para falar sobre o cenário do Paraná de um modo geral, precisaríamos de informações mais precisas da secretaria de educação do Paraná, já que a lei 11161 deixa espaços para o não cumprimento da obrigatoriedade do ensino do espanhol nos currículos plenos do ensino médio.


Quanto à importância do espanhol para os brasileiros, além do Mercosul, eu citaria as possibilidades de turismo, comércio, estudos, entre outros. Tratam-se de culturas muito próximas, dada nossa localização geográfica, e existem pólos de educação importantíssimos na América Latina, com excelentes universidades. Há também a questão de uma literatura riquíssima e de uma língua muito afetiva, por conta principalmente da proximidade de origem com o português. Para todos os lados que a gente olha, com pouquíssimas exceções, temos países que em que se fala espanhol, e a possibilidade de entrar em contato com essas culturas pode ser muito interessante.

Serviço:

As inscrições são realizadas somente pela página da UEL, no endereço http://www.uel.br/eventos/enplee-pr e os valores variam. Para professores de espanhol e alunos de pós-graduação o investimento é de R$ 50; para estudantes de graduação será R$ 25; e, para os demais interessados, R$ 55. Vale lembrar que os sócios da Associação de Professores de Espanhol do Estado do Paraná (APEEPR) com anuidade de 2011 paga terão essa taxa isenta. As inscrições vão até o dia 17 de maio Para obter mais informações e conferir a programação completa, basta acessar a página do evento ou entrar em contato pelo e-mail enplee5apeepr@yahoo.com.br.

Crédito da foto: Ana Maria Simono

Pesquisa do departamento de Zootecnia enfatiza o bem-estar do gado de leite

maio 9, 2011

Método canadense de produção é ponto de partida para pesquisa que busca avanços na pecuária de leite brasileira

Edição e pauta: Paola Moraes
Reportagem: Bruna Madeira 

Intitulado “O comportamento alimentar de novilhas da raça holandesa”, o projeto de pesquisa do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Londrina (UEL); coordenado pelo professor doutor José Antônio Fregonesi, graduado em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), mestre na Universidade de São Paulo (USP) e doutorado pela Universidade de Londres, busca –  juntamente com os alunos da pós-graduação – maior produtividade e rentabilidade na pecuária através de estudos que analisam os hábitos comportamentais de bovinos. O professor doutor, que leciona na Universidade há mais de vinte anos, explica ao Conexão Ciência os pontos primordiais da pesquisa que deverá ter artigos publicados na revista brasileira de ciências agrárias Jornal Science após seu encerramento em 2012.
Conexão Ciência: Quais os animais analisados na pesquisa e como é feita essa seleção?
Prof. Dr. José Antônio Fregonesi: Trabalhamos com bovinos leiteiros. Primeiro, estabelecemos uma faixa etária em torno de três, quatro meses. Chamamos isso na pesquisa de “controle”, que é a seleção a partir da idade. Depois esses animais são resignados nos experimentos aleatoriamente para que a pesquisa não fique tendenciosa.

Conexão Ciência: Qual o objetivo principal da pesquisa e quais os resultados esperados?
Prof. Dr. José Antônio Fregonesi: O objetivo é analisar o comportamento  exploratório desses animais, ver a expectativa deles ao receber determinado alimento, além de avaliar o seu consumo e analisar como isso exerce influências na produção final. Procuramos melhoras tanto na parte de rentabilidade como nos preocupamos em melhorar o bem-estar animal em confinamento. Esse estudo difere da ciência animal tradicional: ela não enfoca tanto a produtividade, mas busca, principalmente, melhorar a qualidade de vida dos animais para que eles produzam mais.
Conexão Ciência: O estudo é realizado somente no Brasil ou também em outras partes do mundo?
Prof. Dr. José Antônio Fregonesi:
Temos convênio desde 2001 com a Universidade da Columbia Britânica que fica em Vancouver. Esse estudo é feito no Canadá, porque eles possuem melhores condições estruturais. Mas, ele é válido também para o  Brasil, porque o objetivo principal é justamente melhorar o sistema de produção em confinamento, que ainda é pouco rentável em relação aos outros países.
Conexão Ciência: Há na universidade alguma empresa interessada em financiar o projeto ou que busca resultados?
Prof. Dr. José Antônio Fregonesi:
Nesse projeto aqui no Brasil não, mas no Canadá sim. Lá o financiamento é feito pela união dos produtores de leite. Aqui, infelizmente, a indústria do leite não possui a mesma mentalidade de apoiar pesquisas, eles já querem algo pronto.
Conexão Ciência: Existe muita diferença entre a produção brasileira de leite e a canadense?
Prof. Dr. José Antônio Fregonesi:
Sim, existe. A produção deles é muito mais alta, mas no Brasil temos algumas áreas similares como a região de Castro que adota muito o sistema canadense de produção- o free stall* – mas que representa apenas 10% da produção, já que o país possui maior vocação ao pasto livre, devido aos custos de investimento. A  média de cada animal no Canadá é de quarenta litros por dia, enquanto a nossa é de oito litros somente, isso tem grande representação  e demonstra como o sistema, a alimentação e o potencial genético do animal influenciam diretamente na produção final.
Conexão Ciência: Existem diferenças de comportamento ou adaptação entre uma raça e outra?
Prof. Dr. José Antônio Fregonesi:
Em termos de comportamento em geral, não. Só exploratório. Uma vaca Zebu e Holandesa não possuem muitas diferenças, mas em relação a adaptação sim. Foi escolhida a raça holandesa, porque nessa região, onde estão sendo feitos os experimentos, a raça Zebu não sobreviveria ao rigoroso clima, além de que a novilha holandesa – originada entre a Holanda e a Alemanha e presente hoje no mundo todo – é a raça mais representativa e produtiva de leite.
Conexão Ciência: A época do ano influencia na produção?
Prof. Dr. José Antônio Fregonesi:
Sim, lá a produção aumenta no inverno, porque os produtores estocam alimento e os animais acabam consumindo mais, consequentemente, a produção também é maior. Já no Brasil, no sistema pasto, a queda costuma ser bem grande no inverno devido à diminuição das pastagens  nessa época do ano.


* No sistema free stall os animais permanecem lado a lado, em baias individuais que devem ser bem dimensionadas, com largura suficiente para o conforto do animal, sem, entretanto, permitir que o mesmo vire-se. O comprimento deve ser o mínimo, para que a novilha, ao deitar-se, permaneça com o úbere e as pernas alojadas internamente ao cubículo, enquanto as dejeções são lançadas no corredor de limpeza. As dimensões das baias variam de acordo com o peso e a categoria do animal.
Fonte: http://www.infobibos.com/artigos/zootecnia/constleite/index.htm

Foto: Bruna Madeira


Projeto visa a educação ambiental por meio da comunicação

abril 17, 2011

Estudantes de Engenharia Civil produzem documentários e concurso de fotografia para estimular a consciência ambiental

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Karina Constâncio
Reportagem: Gabriel Bandeira

O projeto de pesquisa “O lançamento clandestino de resíduos sólidos urbanos junto a regiões periféricas e fundos de vales de Londrina: uma proposta de conscientização popular”, do Departamento de Construção Civil da Universidade Estadual de Londrina (UEL); coordenado pelo professor doutor Gilson Morales, tem o objetivo de conscientizar a população, particularmente os estudantes universitários e do ensino médio, sobre a importância da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável através de uma campanha de conscientização ambiental.
O professor doutor Gilson Morales é graduado em Engenharia Civil pela UEL, com mestrado e doutorado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) voltados para a área de reciclagem do lodo de esgoto sanitário, estágio doutoral na École des Ponts et Chaussées de Paris sobre o mesmo tema e pós-doutorado na Universidade Federal de Florianópolis (UFSC) na área de Gestão Ambiental.

Conexão Ciência: Qual é o objetivo do projeto?
Prof. Dr. Gilson Morales: Identificar os pontos de lançamentos clandestinos de resíduos na cidade de Londrina. A partir dos dados obtidos, será produzido material de divulgação que conscientize as pessoas sobre a importância da preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. O foco principal são os estudantes universitários e do ensino médio. O importante é estimular os estudantes de engenharia civil a desenvolverem propostas de conscientização ambiental. Atuar também no ensino médio porque eu acredito muito na formação básica. O indivíduo que até os 13 anos não desenvolveu a cidadania, vai ser difícil desenvolver depois dessa idade. A educação começa em casa.

Conexão Ciência: Como funciona o projeto?
Prof. Dr. Gilson Morales: A cidade foi dividida em cinco áreas: norte, sul, leste, oeste e centro. Os alunos foram divididos em grupos e fizeram inspeções locais para identificar quais eram os pontos mais críticos de lançamentos clandestinos em terrenos baldios, praças públicas, vales e locais onde não havia vigilância. Também foram realizadas entrevistas com a população em feiras livres, áreas de lazer, escolas, universidades e no centro da cidade na tentativa de verificar o nível de informação das pessoas sobre preservação ambiental.

Conexão Ciência: Quais foram os resultados obtidos?
Prof. Dr. Gilson Morales: Constatou-se que a situação mais crítica está na zona norte com 35% dos pontos de lançamentos de resíduos em Londrina, seguido pela zona sul – 24%, zona oeste – 22% e zona leste – 19%. A maior parte dos resíduos despejados são produtos de material de construção civil como cerâmicas, argamassas, concreto e madeira. Os impactos causados, com diferentes porcentagens em cada região, foram os seguintes: poluição visual, degradação da vegetação, proliferação de insetos vetores de doenças, obstrução de vias públicas, assoreamento de rios, lagos ou córregos e entupimento da rede de drenagem urbana. Sobre o resultado das entrevistas realizadas com a população, ficou evidente a falta conhecimento sobre o que é sustentabilidade, agressão ao meio ambiente, quais resíduos podem ser reciclados ou não, etc. E isso não depende de condição socioeconômica. Depois desse levantamento, começamos a pensar as propostas de criação de material para conscientização da população sobre preservação ambiental.

Conexão Ciência: O que já foi feito para divulgar a importância da preservação ambiental?
Prof. Dr. Gilson Morales: Este ano (2011), é o ano das propostas. Nós temos dois documentários em fase de produção. Os alunos já fizeram várias tomadas nas quais eles são os atores em alguns momentos. Existe também uma parte de desenho animado. Depois que os documentários estiverem prontos, a intenção é apresentá-los em escolas públicas, em locais de concentração de pessoas, aqui na UEL também, com o objetivo de chamar a atenção da população. O documentário tem uma linguagem provocante, atual, de questionamento e vai mostrar cenas do cotidiano. Talvez as pessoas se “vejam” no documentário ao lembrar de situações parecidas quando os mesmos erros foram cometidos. Este documentário está sendo orientado pelo engenheiro civil e diretor de curta metragem Guilherme Peraro, que já trabalhou na produção de filmes ligados à Kinoarte* em Londrina, e pela jornalista Débora Morales. Então, nós pretendemos finalizar com um curta-metragem e apresentá-lo em algum festival. Não sei se é muita pretensão, mas acreditamos que seja possível.

Conexão Ciência: Quem está financiando esse documentário?
Prof. Dr. Gilson Morales: Nós que estamos envolvidos no projeto. A pró-reitoria de extensão da UEL tem dado uma pequena ajuda, mas a maior parte somos nós que financiamos.

Conexão Ciência: Qual é a previsão para o documentário ser finalizado? Já existe a negociação de alguma mostra para o documentário ser exibido?
Prof. Dr. Gilson Morales: A ideia é finalizar o documentário até o final deste ano. Estamos na fase de edição e sonorização que leva tempo. Sobre a exibição em alguma mostra, ainda não existe nada definido.

Conexão Ciência: Além do documentário, existe algum outro projeto de divulgação?
Prof. Dr. Gilson Morales: Ainda temos para este ano a ideia de um concurso de fotografias voltado para a temática do lançamento de resíduos. O concurso será aberto aos estudantes do ensino médio e aos universitários de outras instituições além da UEL. As fotos serão escolhidas por especialistas da área de fotografia para depois ser montada uma exposição em espaços públicos. O objetivo é sensibilizar ainda mais as pessoas sobre a importância de preservar a natureza. A linguagem visual é muito importante para isso.

Conexão Ciência: O resultado da pesquisa será publicado em alguma revista cientifica ou publicação do gênero?
Prof. Dr. Gilson Morales: O artigo será publicado na revista Semina Tecnologia da UEL e na Acta Scientiarum da UEM. Existe também a intenção de publicar em um veículo que seja da área de engenharia ambiental.

*A Kinoarte é uma associação cultural sem fins lucrativos criada em julho de 2003 e com atuação em quatro áreas: produção, exibição e preservação de filmes, além da realização de projetos de formação audiovisual. Em seis anos e meio, a Kinoarte produziu cerca de 20 filmes nos mais variados suportes (35mm, HDV, mini-DV, super-8), conquistando mais de 20 premiações em festivais nacionais e internacionais.


Projeto de pesquisa avalia os benefícios do plantio direto

novembro 17, 2010

Técnica reequilibra a biodiversidade da área plantada

Edição: Tatiane Hirate
Pauta e reportagem: Rosana Reineri Unfried

O projeto de pesquisa ‘Efeitos das operações agrícolas na estrutura do solo em plantio direto’, do departamento de agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL); coordenado pelo professor Dr. Ricardo Ralisch, visa investigar os impactos causados pelo plantio direto que, segundo explicação do pesquisador, consiste no plantio de culturas diretamente na palha, sem o preparo do solo. Dr. Ricardo Ralish é graduado em Agronomia na UEL; mestre e doutor em mecanização agrícola e impacto no sistema de produção, pela Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (UNESP-Botucatu).

Conexão Ciência: O plantio direto surgiu em substituição do plantio convencional. Como era feito esse plantio?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: O plantio convencional é baseado em uma agricultura temperada, importada da Europa, principalmente, que se baseia no preparo do solo a cada safra. Nesse sistema se faz, periodicamente, o preparo do solo com implementos agrícolas, como arados, grades, entre outros.

Conexão Ciência: Quais eram os benefícios e os malefícios desse sistema?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: Ele possui alguns efeitos importantes e indiscutíveis. A aração tem a capacidade de incorporar, ou seja, colocar insumos, adubos e matéria orgânica dentro do solo através do revolvimento mecânico. Por serem operações que revolvem bastante o solo, esse método é muito agressivo, o que compromete o equilíbrio biológico. O segundo ponto negativo é a perturbação da estrutura do solo. Esta tem a ver com o material de origem, com o clima em que esse solo está, tem a ver também com a atividade biológica associada a essa área. Além disso, essas são operações onerosas, em energia, tempo e dinheiro. Nessa linha o preparo convencional deixa de ser periódico e passa a ser opção corretiva, ou seja, se o agricultor quer de fato corrigir alguma característica do solo, por exemplo, melhorar a aeração para haver uma maior penetração de raiz, uma alternativa seria a utilização do preparo do solo, o agricultor somente vai fazer esporadicamente e em condições mais próximas possíveis da adequada. A melhor alternativa é evitar que o solo se desgaste, isso com o manejo adequado.

Conexão Ciência: Em que consiste o plantio direto?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: O plantio direto é feito diretamente na palha, sem que se faça um revolvimento no solo.

Conexão Ciência: Como e porque foi desenvolvido esse sistema?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: O plantio direto deriva de uma situação do final dos anos 50, 60 quando a agricultura passou a se tecnificar muito. Nesta época, houve um grande desenvolvimento de máquinas e tratores. As ações de preparo do solo que antes eram feitas por tração animal passaram a ser feitas por tração mecânica, os tratores começaram a aumentar de potência exponencialmente e os implementos ficaram cada vez maiores, desta forma as operações de preparo do solo foram ficando cada vez mais pesadas, exigindo cada vez mais potência e isso estava criando um circulo vicioso negativo de busca de mecanismos cada vez maiores e cada vez mais onerosos em energia. Nas décadas de 50 e 60, surgiram as primeiras manifestações americanas sobre a real necessidade de se preparar solo. Então, houve uma coincidência de iniciativas americanas e inglesas para discutir por que era feito e quais eram os efeitos desse preparo intensivo. A partir de então, começou a se estudar isso com um pouco mais de atenção, começaram a ser feitas pesquisas rudimentares e descobriram que a planta não responde ao preparo do solo.  Os primeiros trabalhos para não preparar solo foram feitos nos EUA. Começaram a pensar em máquinas para semear nessa nova condição. Nos EUA , foram desenvolvidas as primeiras semeadoras (plantadeiras) para plantio direto na palha. O objetivo era não se fazer mais preparo do solo nas culturas anuais. Os agricultores americanos foram os pioneiros na utilização dessa técnica substituindo o preparo do solo para controle do mato por herbicida, para diminuir a demanda de energia.

Conexão Ciência: Como esse sistema chegou ao Brasil?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: No Brasil, esse sistema chegou pelas mãos de um proprietário de terras da região de Rôlandia, Herbert Bartz, em 1972. Principalmente no verão, quando era preparado, o solo apresentava problemas de erosão, ele começou a ficar preocupado porque era o patrimônio que estava sendo jogado fora, então ele associou diretamente a erosão com o preparo do solo. Lendo ele teve contato com a experiência dos EUA, o No-till (plantio direto), sem preparação. Ele teve contato com jornais e revistas e foi pra lá. A tecnologia foi sendo aperfeiçoada e difundiu-se para outras regiões e, no Brasil ,começou a ser chamada de plantio direto. No entanto, não adianta somente substituir a preparação do solo pelo plantio direto, há a necessidade de três fatores: não preparo do solo (mínimo revolvimento possível), cobertura permanente do solo e rotação de cultura.

Conexão Ciência: Qual a diferença do No-till americano e do plantio direto brasileiro?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: Temos uma mudança significativa de rumo da técnica do No-till que é desenvolvido em clima temperado, sem a agressividade do clima e o plantio direto que é feito em clima tropical, no qual é necessário conciliar a atividade com a agressividade do clima. A vegetação seria uma proteção do solo dos efeitos da chuva e do sol. Por esta razão, o solo em clima tropical tem que estar permanentemente coberto; seria uma espécie de proteção física do solo. Por muito tempo, foi considerada, como melhor alternativa para essa cobertura, a utilização de palha, ou seja, vegetais mortos, hoje já não se trabalha mais com essa alternativa. Atualmente, se fala muito em cobertura viva, por isso são utilizadas as combinações pecuária, lavoura-florestal.

Conexão Ciência: Como pode ser feito o controle do mato no plantio direto?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: Fala-se que o plantio direto é dependente de herbicidas, mas não é verdade. Desde que se adote práticas adequadas  e se mantenha uma área com plantas permanentemente, a probabilidade de ter invasoras vai diminuir. Algumas plantas têm a capacidade de inibir o surgimento de outras em função de seus extratos vegetais e aspectos químicos. Por exemplo, a aveia preta tem a capacidade de inibir o aparecimento de outras gramíneas na área, isso pode ser considerado uma aleopatia. Hoje é possível se adotar técnicas culturais, ou seja, usar plantas para controlar plantas. Em grandes áreas comerciais, as pessoas ainda preferem trabalhar com o herbicida, pois é mais fácil de gerenciar. A redução de mato, doenças e pragas está relacionada a biodiversidade; se o agricultor conseguir manter o equilíbrio dessa biodiversidade, consequentemente diminuirá o potencial de ataque desses problemas e em conseqüência a dependência de controle químico.

Conexão Ciência: E como ele atua no controle a erosão?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: Agora, a aplicação do plantio direto para a contenção de erosão merece mais atenção até em termos conceituais, porque o plantio direto nasceu para controlar a erosão e realmente reduz o potencial erosivo, mas ele não pode ser utilizado isoladamente para isso porque talvez ele não seja suficiente. Mecanismos para diminuir o potencial erosivo: aumentar a infiltração da água da chuva no solo, as áreas compactadas são muito mais erosivas do que áreas sem compactação. A erosão nasce do escorrimento superficial, que é mais água caindo do que a capacidade que o solo tem de absorver e com a declividade essa água vai escorrer dando inicio a erosão. A capacidade de absorção de água feita pelo solo pode ser aumentada através de raízes. Os terraços são alternativas fundamentais para o controle da erosão, a fim de conter o escorrimento superficial.

Conexão Ciência: Em sua opinião, o que seria necessário para que o plantio direto comece a ser feito de forma consciente pelos agricultores?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: Para que o agricultor se conscientize e comece a fazer efetivamente o plantio direto de maneira correta, é necessária a criação de políticas agrícolas, as quais fariam com que o agricultor fosse menos dependente do mercado . Tais políticas, como a política de preço mínimo, fariam com que o produtor pudesse diversificar as culturas de sua propriedade. Outro aspecto importante são os serviços ambientais da agricultura; os benefícios que a agricultura traz ao meio ambiente. Para isto, o plantio direto é o que traz mais benefícios ao meio ambiente, pela proteção da água em função de sua infiltração no solo, redução de erosão, etc. Aumento da biodiversidade e redução dos gases do efeito estufa na atmosfera. A agricultura faz tudo isso. Se ela está prestando esse serviço, alguém esta sendo beneficiado, esse alguém é todo mundo. Se todo mundo está sendo beneficiado isso pode ser remunerado. Em outros países, isso já é bastante discutido. O objetivo é remunerar a agricultura pelos serviços ambientais que ela presta. Já existem agricultores sendo beneficiados pelo crédito de carbono, isso deve ser ampliado.

Conexão Ciência: Se fosse para identificar o maior benefício do plantio direto, qual seria?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: A água. Não havendo erosão, não terá transporte de soluto para dentro dos rios e com a infiltração dela no solo aumentará o volume de água no lençol freático.

 

Imagem: Google Imagens