Presidente do IPEA discute problemas socioeconômicos brasileiros

setembro 12, 2011
Em palestra ministrada na UEL, o economista Márcio Pochmann ilustrou o panorama econômico mundial e brasileiro

O presidente do IPEA, Márcio Pochmann, explicou, em palestra na UEL, o panorama social e econômico atual do Brasil

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Hirafuji
Reportagem:Rafael Gratieri
No fim de agosto, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e economista, professor doutor Márcio Pochmann*, ministrou uma palestra na Universidade Estadual de Londrina (UEL). No evento, sob o título “Conjuntura socioeconômica brasileira e Universidade”, Pochmann discutiu temas da economia brasileira.

Antes de se aprofundar na realidade do Brasil, o presidente do IPEA expôs o atual cenário socioeconômico mundial. “Estamos diante de uma transição de uma velha ordem para outra ordem. Ela revela-se justamente pelo fato que há um deslocamento do centro dinâmico do mundo, constituído dos Estados Unidos, para outros países. Aos Estados Unidos acresce a União Européia, a Ásia, especialmente a China, e o Brasil”, explica Márcio Pochmann.

Temas ambientais também foram abordados pelo economista. Ele utilizou como exemplo o padrão de desenvolvimento industrial dos Estados Unidos. “Esse padrão não pode atingir mais do que um quarto da população mundial. Mais do que isso há efeitos maléficos desse padrão de produção e consumo, que se tornaria insustentável do ponto de vista ambiental”, afirma Pochmann.

Esse modelo norte-americano não poderia se aplicar a todos os países ou pessoas do globo. “O debate que estamos vivendo hoje é como transitar desse padrão de desenvolvimento insustentável ambientalmente para outro. Evidentemente, temos dificuldades que não são pequenas, apesar de esforços de determinados setores”, esclarece o economista.

A partir disso, o professor doutor Márcio Pochmann discutiu a problemática brasileira, comentando algumas deficiências do país quando comparado a países mais ricos. “Nós não somos um país desenvolvido, ele ainda é caracterizado pelo subdesenvolvimento, pela profunda desigualdade que marca a sociedade, pelas diferenças entre pobres e ricos. E ademais, não reunimos as características básicas dos países capitalistas desenvolvidos, como: moeda de curso internacional, um sistema de defesa, ou seja, forças armadas de nome e inovações tecnológicas”, exemplifica o presidente do IPEA.

O economista elucida os desafios que serão enfrentados pelas políticas públicas no futuro, como a questão da demografia e envelhecimento da população brasileira, fatos intimamente ligados. “A partir de 2030, devemos entrar em uma fase de regressão absoluta no número de brasileiros. Nós vamos ter uma quantidade de pessoas que nascem menor do que o número de pessoas que morrem”, mostra Pochmann. “Nós não estamos preparados para conviver com essa mudança etária, considerando o que significa do ponto de vista da saúde pública, o impacto que vai ter isso do ponto de vista da mobilidade social, da mobilidade territorial”, completa.

Com base em estatísticas e levando em consideração as características da sociedade brasileira de hoje, o professor doutor Márcio Pochmann explica por quê levar em consideração o fator étnico. “Em 2030 podemos ter quase 70% dos brasileiros na condição de não-brancos. Digo isso não por uma questão preconceituosa, mas pelo reconhecimento de que as pessoas não-brancas no Brasil são aquelas que têm mais dificuldade de acesso à educação, à saúde e aos bons empregos. Se nós não tivermos uma ação adequada, do ponto de vista de políticas públicas, nós corremos o risco de aprofundar as desigualdades no Brasil”, esclarece o economista.

Ainda sobre o tema, o presidente do IPEA comenta sobre as cotas, relacionando-as sob um viés econômico e social do país. “As políticas de cotas são um avanço certamente, mas elas se mostram suficientes apenas para gerar uma elite não-branca. Nós precisamos trabalhar cada vez mais na universalização das políticas. É um desafio inegável no Brasil de hoje”, destaca Pochmann.

O papel da educação ao longo da vida, incluindo o cidadão inserido no mercado de trabalho, também foi abordado por Márcio Pochmann. “Na sociedade atual, do conhecimento, é fundamental estudar a vida toda. Mesmo estando no mercado de trabalho, mesmo sendo adulto, é necessário estudar – seja para o trabalho, seja para a complexidade da vida que representa o mundo moderno das tecnologias de informação”, esclarece o presidente do IPEA.

Após mostrar o panorama completo socioeconômico brasileiro, o economista encerrou sua palestra fazendo um apelo. “Nós que temos acesso à educação temos mais responsabilidade, pois nós temos o conhecimento, que é uma peça fundamental da construção do novo Brasil. Não há nada que nos impeça de transformar o Brasil senão o medo. O medo de ousar, de se rebelar, de escrever a nossa história com nossas próprias mãos”, conclui o professor doutor Márcio Pochmann.

* Márcio Pochmann é economista e formou-se pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com especialização em ciências políticas e em relações do trabalho. É mestre e doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).Desde 2007 é o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Crédito da foto: Rafael Gratieri
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Agricultura sem agrotóxicos

agosto 22, 2011
Alunos do curso de agronomia da UEL promovem conscientização ambiental e alimentar com a criação de hortas educativas 

Posto de venda na Fazenda Escola da UEL (FAZESC). Todas as sextas-feiras mulheres do assentamento de reforma agrária Iraci Salete, Alvorada do Sul – PR e integrantes da Horta comunitária Campus Verdes, Cambé – PR vendem os alimentos no Campus da UEL.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Gabriel Bandeira
O projeto de extensão “Hortas educativas produzindo alimento e melhorando a qualidade de vida” tem o objetivo de incentivar a melhoria na qualidade de alimentação, assim como demonstrar a importância da relação do homem com o meio ambiente e a necessidade de sua conservação através da educação ambiental. O projeto, do departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é coordenado pelo professor doutor Adilson Luiz Seifert, graduado em agronomia pela UEL e possui o título de mestre e doutor em agronomia pela mesma instituição.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia e qual o objetivo do projeto?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: O projeto surgiu há dez anos com a professora Dra. Cristiane de Conti Medina, do departamento de Agronomia da UEL. A proposta de trabalho do projeto é a transferência de conhecimento para a construção de hortas nas quais são cultivados alimentos sem a utilização de defensivos agrícolas químicos. Isso incentiva uma alimentação mais saudável, assim como demonstra a importância da relação do homem com o meio ambiente e a necessidade de sua conservação através da educação ambiental. Os alimentos produzidos geram renda para as pessoas envolvidas. O benefício para os alunos do curso de agronomia é a possibilidade de aplicação prática da teoria aprendida em sala de aula. Promove também uma maior interação com a comunidade externa. É a retribuição do investimento que a sociedade faz na universidade.

Conexão Ciência: Onde é realizado e como é feito o trabalho?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: O projeto é desenvolvido em cinco locais: Colégio Aplicação e creche da UEL; Escola Mundo Encantado; Horta Comunitária Campus Verdes, Cambé – PR; Centro de recuperação de vidas – CARV, Londrina – PR; e assentamento de reforma agrária Iraci Salete, Alvorada do Sul – PR. As principais atividades desenvolvidas são: construção de canteiros, semeadura e plantio de hortaliças, orientação na condução e manutenção das hortas, construção de estufa para produção de mudas, produção de composto e palestras sobre temas relacionados às atividades do projeto.

Conexão Ciência: Qual é o benefício do cultivo de hortaliças sem a utilização de defensivos agrícolas químicos?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: A não utilização de defensivos agrícolas químicos segue o preceito da agroecologia. O objetivo é conscientizar as pessoas sobre a importância de praticar uma agricultura auto-sustentável, menos agressiva à natureza. A alimentação saudável é outra consequência do projeto. Todas as pessoas envolvidas no projeto, tanto crianças como adultos, entenderam que o cultivo de alimentos sem defensivos agrícolas químicos é benéfico por não agredir o meio ambiente e para a própria saúde das pessoas.

Conexão Ciência: Qual é a importância da interação do homem com o meio ambiente?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: Ao aprender passo a passo as técnicas de plantio das hortaliças, os envolvidos adquirem uma relação mais respeitosa com a natureza por entender a importância de sua preservação. Por consequência, quando essas pessoas entendem a importância e necessidade de preservação do meio ambiente, passam a divulgar a ideia e a chamar a atenção de outras pessoas para o mesmo objetivo.

Conexão Ciência: De que maneira esse projeto pode gerar renda para as pessoas envolvidas?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: As famílias ligadas à Horta Comunitária Campus Verdes, Cambé – PR e as mulheres ligadas ao assentamento de reforma agrária Iraci Salete, Alvorada do Sul – PR participam de feiras e eventos realizados pela UEL, Emater e MST para comercializar os alimentos cultivados em suas respectivas hortas. Todas as sextas-feiras é montado um posto de venda na Fazenda Escola da UEL (FAZESC). As mulheres do assentamento faturam aproximadamente R$ 300,00 e os produtores da Horta comunitária Campus Verdes por volta de R$ 150,00 por dia.

Conexão Ciência: Qual é o resultado do projeto?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: O resultado do projeto é satisfatório ao mostrar que é possível, através das atividades desenvolvidas, a interação dos alunos com a comunidade envolvida, a inclusão social e a geração de renda. No Centro de recuperação de vidas – CARV, dependentes químicos e de álcool são ressocializados e podem aproveitar o conhecimento para trabalhos ligados à agricultura. Na Horta Comunitária Campus Verdes, o objetivo é a inclusão social por meio da geração de renda obtida com a venda dos produtos. No assentamento de reforma agrária Iraci Salete, o público alvo são as mulheres porque elas não tinham fonte de renda. Apenas os homens possuíam fonte de renda.

Conexão Ciência: O projeto será publicado em alguma revista científica?
Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert: Não será publicado em nenhuma revista científica, mas foi escolhido pela UEL para ser apresentado no 29º SEURS – Seminário de Extensão Universitária da Região Sul, que será realizado na cidade de Foz do Iguaçu – PR, entres os dias 22 à 24 de agosto de 2011.


Abertura da “Exposição UEL 40 anos” reúne convidados no Museu Histórico de Londrina

agosto 21, 2011
Em comemoração aos 40 anos da Universidade, exposição e revista comemorativa são lançadas em noite no Museu Histórico    

Durante a solenidade, a reitora Nádina Aparecida Moreno destacou: “Quantas pessoas não construíram e ajudaram a edificar essa instituição? É o momento de resgatar essa memória, porque sem memória não há história”.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Ana Luisa Casaroli
“É uma grande emoção celebrar os 40 anos da nossa Universidade, depois de tantas dificuldades que passamos para fundá-la”, frisa Ascêncio Garcia Lopes, o primeiro-reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele foi um dos convidados presentes na inauguração da exposição que comemora a data, no Museu Histórico de Londrina.

O evento foi realizado na noite do dia 11 de agosto e, após a cerimônia de abertura, todos saborearam um grande bolo de aniversário. Em seu discurso, a reitora da UEL, Nádina Aparecida Moreno, conta que, tanto ela, como a vice-reitora Berenice Quinzani Jordão, entraram na UEL em 1977, como alunas.  “Quarenta anos atrás, ninguém podia imaginar o que seria a Universidade Estadual de Londrina e, hoje, é difícil imaginar a cidade sem ela”, completa a reitora.

A exposição não foi o único presente que a Universidade recebeu. Também foi lançada uma revista comemorativa, produzida pela equipe de jornalismo da Coordenadoria de Comunicação Social da UEL (COM), com projeto gráfico dos estudantes do Curso de Design Gráfico. As 64 páginas vêm repletas de fotos antigas e atuais, que mostram o crescimento da instituição.

A edição apresenta temas variados: detalhes sobre o Campus, especificidades de cada centro, vestibular, Movimento Estudantil, Hospital Universitário, Orquestra Sinfônica, histórias de ex-alunos, entre outros temas. Também traz uma entrevista com o ex-governador do Paraná, Paulo Pimentel, quem assinou, em 1970, o decreto de criação da Universidade. No ano seguinte, ela seria plenamente reconhecida pelo Ministério da Educação.

Maria Lopes Kireff, presidente da Associação Amigos do Museu, compareceu à solenidade. Ela destacou a importância do Museu Histórico de Londrina para a preservação da história da cidade. “Essa exposição é bastante especial porque os 40 anos da UEL representam muito para uma jovem cidade de menos de 80 anos”, afirma.

A exposição está disposta em três salas, totalizando 180 metros quadrados. Entre as curiosidades, há relíquias como o primeiro rádio gravador utilizado pela rádio universitária e instrumentos cirúrgicos e odontológicos da década de 70. Um grande painel mostra dados sobre a instituição: são 64 cursos, 1.635 docentes, 13.549 estudantes de graduação ativos e 61.350 concluintes (1971-2010). Somando alunos, professores e servidores, há cerca de 23 mil pessoas diariamente na UEL, uma das 15 maiores universidades do país.

As fotos dos jardins e árvores do Campus colorem a exposição. Outro destaque é o mural de fotografias “3X4”. O fotógrafo do museu Rui Cabral foi responsável por fotografar alunos, professores e funcionários em diversos pontos da Universidade. “Conseguimos aproximadamente 1.370 fotos, mas aceitamos voluntários. Quem quiser, pode nos trazer sua foto”, garante.

A “Exposição UEL 40 anos” ficará aberta até o fim de outubro, no Museu Histórico de Londrina (Rua Benjamin Constant, 900), de terça a sexta-feira da 9h às 11h30 e das 14h30 às 17h30. Aos sábados e domingos, das 9h às 11h30 e das 13h30 às 17h. A reitora lembrou que haverá um baile no Iate Clube, no dia 7 de outubro, para festejar o aniversário da UEL, e pediu a presença dos londrinenses.


Biblioteca Central promove exposição para marcar o Dia da Fotografia

agosto 21, 2011

Exposição comemora o Dia Mundial da Fotografia com obras do fotógrafo José Juliani   

Comissão organizadora da exposição. Respectivamente: Maria Aparecida Letrari, Claudete Spuzeti, Izabel Aguiar, Enidelci Zaquia e Olga Nishimura.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Rafael Gratieri 
A exposição “José Juliani: o colono fotógrafo” teve início no dia 15 de agosto, na Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A exposição é uma comemoração ao Dia Mundial da Fotografia, celebrado em 19 de agosto. A mostra é composta por quadros com reproduções de algumas das principais fotografias de José Juliani* e pode ser visitada até o dia 26 deste mês.

Izabel Aguiar, uma das organizadoras da exposição na biblioteca, explica porque escolheu José Juliani para representar o Dia Mundial da Fotografia. “Ele percebeu a importância de registrar o começo de uma cidade. Captou os momentos mais importantes da história: do início, do desbravamento e da construção da cidade de Londrina”, observa Izabel Aguiar.

No local podem ser encontrados quadros com fotografias de José Juliani como empregado da Companhia de Terras Norte do Paraná, registrando cenas do empreendimento colonizador. Também podem ser vistas fotografias de estúdio, onde o fotógrafo retratou a entidade familiar, por exemplo. Izabel  Aguiar comenta sobre essa pluralidade. “José Juliani foi um autodidata. Leu, estudou e descobriu como era ser fotógrafo. Foi um sonhador”.

Os quadros com fotografias de José Juliani já estiveram expostos em outros locais, como no Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss. Agora estão inseridos na Biblioteca Central da UEL, por ser uma exposição itinerante. “Ela é fácil de levar, por isso pode ir para escolas, museus e faculdades”, explica Izabel Aguiar.

Além disso, a comissão organizadora da exposição tem por objetivo divulgar ainda mais o trabalho de José Juliani. “Qualquer pessoa pode vir à mostra. Estamos fazendo uma ampla divulgação, e até quem é de fora pode vir. Quem não teve a oportunidade de ir até o museu, pode vir até aqui, na biblioteca”, convida a organizadora.

A Biblioteca Central aproveita a ocasião para mostrar livros sobre o fotógrafo. É o caso do livro “Juliani: um homem, sua máquina e a história de Londrina”, escrito por sua filha Maria Juliani e inserido na exposição em conjunto com os quadros. “A gente procura, além de expor quadros, expor livros que falem sobre o assunto. Assim divulgamos nosso acervo também”, encerra Izabel Aguiar.

* José Juliani:  Fotógrafo que retratou a história da cidade de Londrina, nasceu em Piracicaba, no interior de São Paulo, mas estabeleceu-se em Londrina em 1933. Foi contratado pela Companhia de Terras Norte do Paraná parra registrar o empreendimento colonizador. Como fotógrafo de estúdio, perseguiu a composição perfeita para enquadrar a infância, a família, a beleza da moça, os noivos. Como fotógrafo contratado, registrou o crescimento da vida urbana e de suas instituições. Como fotógrafo de rua congelou as feições dos transeuntes que assim o desejavam, numa época onde as câmeras fotográficas eram extremamente raras. Suas imagens são de indiscutível valor histórico.


Dança para a saúde dos idosos

agosto 1, 2011

Idosos praticam dança, unindo coordenação motora e convívio social.

Projeto do departamento de Fisioterapia aplica a dança na melhora da qualidade de vida de idosos

Edição: Beatriz Pozzobon

Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji

Reportagem: Ana Luisa Casaroli

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a preocupação com a saúde da terceira idade envolve tanto o aspecto físico, como o psicológico. O projeto de pesquisa “Efetividade da fisioterapia associada à dança em idosos saudáveis: ensaio clínico aleatório” aborda essas duas questões. A coordenadora é Suhaila Mahmoud Smaili Santos, graduada em Fisioterapia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especializada em Fisioterapia Neurofuncional Adulto, também pela UEL, e doutora em Fisiopatologia em Clínica Médica, pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP).

O objetivo do projeto, segundo a professora doutora, é verificar a melhora que a dançaterapia pode proporcionar no equilíbrio, na flexibilidade, na agilidade e na minimização dos riscos de queda. Além disso, ela explica que a grande diferença da dança em relação às técnicas tradicionais de fisioterapia é a sua contribuição para a socialização do idoso, afastando as chances de desenvolvimento de depressão. “Os pacientes realizam essa atividade em grupo, compartilham experiências e participam com muita animação”, conta Suhaila Santos.

O estudo foi realizado com cerca de 40 idosos saudáveis, tanto homens como mulheres, divididos em dois grupos e avaliados inicialmente. Um dos grupos permaneceu sem tratamento (“grupo controle”). O outro (“grupo intervenção”) recebeu 20 sessões de terapia, duas por semana. Cada sessão corresponde a meia hora de fisioterapia convencional e meia hora de dançaterapia. Após as intervenções, os dois grupos foram reavaliados, por meio de testes padronizados e questionários. “Os resultados obtidos foram muito positivos. Os pacientes tratados tiveram grande melhora na coordenação motora”, relata a professora doutora.

Suhaila Santos observa que, após a conclusão das análises, o grupo controle, que ficou sem as terapias, também foi submetido ao tratamento, por razões éticas. A pesquisa em si foi finalizada em dezembro do ano passado, após seis meses do seu início, mas devido à ótima recepção por parte dos idosos, os encontros continuam ocorrendo semanalmente, na Igreja Nossa Senhora das Graças, situada no Jardim Petrópolis (Rua Luiz Dias, 393). “O local foi escolhido por ser de fácil acesso e conhecimento”, explica. Além da professora doutora, também estão envolvidos no projeto a residente Natália Mariano Barboza e 11 graduandos de fisioterapia.


Projeto do departamento de Agronomia coopera com ONG e valoriza a agricultura familiar

agosto 1, 2011
Iniciativa enriquece o conhecimento de agricultores do centro-sul e litoral do Paraná e norte Catarinense 

Encontro de agricultores experimentadores para avaliação e debate sobre resultados produtivos e econômicos das lavouras de milho em transição agroecológica, em Irineópolis, março 2009

Edição: Paola Moraes
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji  
Reportagem: Vanessa Tolentino

Desde 1993, a Organização Não-Governamental de Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA) trabalha com o Programa do Contestado, região entre os estados do Paraná e Santa Catarina*, e tem como objetivo a construção coletiva do conhecimento agroecológico – uma proposta alternativa de agricultura familiar socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável.*A ONG conta com a ajuda de diferentes organizações formais e informais da agricultura familiar da região, outras ONGs e movimentos sociais.**

Um projeto do departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) apóia e coopera com a AS-PTA. A coordenadora do projeto, Maria de Fátima Guimarães, graduada em Ciências Agronômicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), mestre e doutora em Solos e Nutrição de Plantas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), explica que a ideia surgiu há quase dez anos e vem sendo desenvolvida em uma sucessão de projetos. No início era aplicado principalmente no sul do Paraná, e com passar do tempo se expandiu para o litoral e norte catarinense.  Ainda segundo a professora doutora, o objetivo principal é “a pesquisa integrada do que acontece fisicamente, biologicamente e quimicamente no solo, com a preocupação de repassar tudo isso para os agricultores”.

Edinei de Almeida, graduado em Engenharia Agronômica e especializado em Manejo de Solos  pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (ESALQ/USP) e mestrando na UEL, explica que a pesquisa ajuda os agricultores a entenderem o perfil cultural do solo e a partir disso construírem um sistema de manejo adequado que possibilite uma melhor produtividade agrícola. O estudante acredita que o diferencial do projeto é “a interação do conhecimento acadêmico com o conhecimento tradicional”, e que apesar de voltado para a parte agronômica, essa interação mexe com a auto-estima dos agricultores. “Os valores rurais não são mais tão importantes quanto os valores urbanos, então, o fato deles participarem ativamente do processo e contribuírem usando o próprio conhecimento é uma forma de resgate desses valores”, afirma Edinei de Almeida.

No projeto atual, o acompanhamento e a assessoria dos agricultores são feitos pela ONG. “O trabalho que temos desenvolvido é o de coletar dados junto com os agricultores, analisar, gerar o conhecimento e em seguida, junto com a ONG, trabalhar esse conhecimento para esses resultados voltarem para as atividades de formação dos agricultores”, esclarece Edinei de Almeida. “O interessante é que esse trabalho é feito junto com os agricultores e eles participam de toda a coleta de dados. Então, fica bem mais fácil deles entenderem os resultados”, complementa a coordenadora do projeto.

O projeto já atuou em cidades como Rio Azul, São Mateus do Sul e Bituruna no Paraná. Hoje, já abrange cidades de Santa Catarina como Porto União, Irineópolis e Canoinhas. Além do litoral, o qual é uma área de atuação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “O que tem em comum entre uma cidade e outra é a predominância da agricultura familiar e com exceção do litoral, também é uma região muito parecida fisiograficamente. Além de ter um processo histórico de colonização semelhante”, explica a professora doutora.

Com tantos anos de pesquisa, o projeto rendeu várias publicações. “Já saíram alguns artigos, algumas coisas foram divulgadas em congressos e a minha dissertação está fundamentada nesse trabalho, então, acredito que com a finalização sejam publicados mais alguns artigos”, completa o estudante Edinei de Almeida.

*Fonte: Wikipédia

**Fonte: http://www.aspta.org.br/


Rádio UEL FM organiza II Festival de Música

agosto 1, 2011

Festival de música busca levar artistas independentes a tocarem em rádios por todo o Brasil 

Rádio UEL FM coordena Festival de Música da ARPUB no Paraná

Edição: Beatriz Pozzobon

Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji

Reportagem: Pamela Oliveira

“É um festival que visa levar músicas independentes e de qualidade para as rádios públicas do país”, diz Rogério Cavalcante, coordenador do II Festival de Música da UEL FM, formado em Jornalismo pela Universidade do Norte do Paraná (Unopar). Segundo ele, o diferencial deste festival de música em relação aos outros é a circulação das músicas dos vencedores nas principais rádios educativas e públicas do Brasil. Rogério Cavalcante explica que este festival busca revelar e divulgar gravações de obras inéditas, conseguindo garantir a circulação da música independente por bastante tempo.

As inscrições para o II Festival de Música da UEL FM ocorreram em junho, sendo que havia duas categorias para a inscrição: melhor música com letra e melhor música instrumental. Para se inscrever, era necessário obrigatoriamente ser inédita a exibção do material. O inscrito também deveria ser natural do Paraná, podendo estar morando fora do estado.

Rogério Cavalcante informa ainda que o festival começou a partir da iniciativa da Rádio Educadora FM, de Salvador, Bahia, servindo como embrião. A partir dela difundiu-se pelo país. Segundo ele, a Rádio UEL FM não realizou o festival no ano passado, mas voltou este ano, pois consideram Londrina uma “cidade muito plural, com muitos bons músicos”. “Temos um curso fantástico de música na UEL, então decidimos abraçar isso, pelo prazer e pela importância de ver Londrina inserida neste circuito nacional”, completa.

De acordo com Rogério Cavalcante, a UEL faz parte da Associação das Rádios Públicas do Brasil (ARPUB), que foi quem decidiu organizar o festival para mostrar “outro lado da música brasileira, que é um lado muito forte e maduro”.

A seleção dos vencedores da etapa regional está ocorrendo conforme a decisão da banca de jurados formada por José Flávio Garcia, colaborador da Rádio UEL, e outros dois produtores.  “Repassamos o material, eles ouviram faixa por faixa. Agora estão escolhendo os finalistas, estes irão para a etapa nacional, em Salvador, no fim do ano”, diz o coordenador.

No último dia 25, a Rádio UEL FM divulgou os nomes dos dez semifinalistas, dentre eles: Francisco Klank, de Aracaju, Sergipe, na categoria “Música Instrumental”, com a música “Não dá pra dizer”; e Anwar Houly, de Londrina, na categoria “Música com letra” com a faixa “O tempo”. As músicas destes semifinalistas farão parte da programação musical da Rádio entre os dias 26 de julho e 05 de agosto. A divulgação dos nomes dos dois finalistas ocorrerá no dia cinco deste mês, no programa Trêm das Onze, da Rádio UEL. Estes passarão para o III Festival de Música da ARPUB.

O jornalista Rogério Cavalcante comenta que Londrina está muito bem posicionada no âmbito do Paraná, informando que Curitiba não participou este ano por não ter obtido nenhuma inscrição. “Nós do norte do Paraná estamos muito bem posicionados em relação a outras grandes capitais”, explica ele.