Doação de sangue animal é tema de projeto de extensão

junho 6, 2010

Desenvolvido no HV, projeto ajuda animais que precisam de transfusão sanguínea

Edição: Beto Carlomagno
Pauta e reportagem: Marcia Boroski

A doação de sangue não é um procedimento feito só em humanos. Diariamente são realizadas transfusões de sangue, em cães e gatos, no Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Dentro do Departamento de Clínicas Veterinárias da UEL, a professora doutora em Clínica Médica pela Universidade Estadual Paulista, Patrícia Mendes Pereira, coordena o Projeto Vida fase II: conscientização populacional da importância da doação de sangue animal – manutenção e ampliação do banco de sangue de cães no Hospital Veterinário da UEL. O projeto é de extensão e dá continuação às atividades desenvolvidas na primeira fase do Projeto Vida, que começou em 2006.

A doutora Patrícia Mendes  explicou que objetivo do Projeto Vida engloba a procura de doadores, avaliação clínica desses animais, colheita de sangue, encaminhamento para exame de reação cruzada (compatibilidade sanguínea), transfusão e controle pós-transfusional.

“Nós priorizamos o doador. Um dos pontos fundamentais que levamos em conta é que o doador, e o proprietário, vêm até o Projeto Vida para fazer uma boa ação. Por isso, são feitos exames periódicos nos ‘doadores de carteirinha’”, disse a professora.

Cerca de 40 cães são “doadores de carteirinha” do banco de sangue do HV. O intervalo entre uma doação e outra é de, no mínimo, três meses.  Depois de um ano, o animal cadastrado nos doadores do Projeto Vida, passa a receber vacinas e avaliações clínicas gratuitas dentro do banco de sangue.

A professora explicou que atualmente houve um aumento na demanda de transfusões no HV. “O banco de sangue do HV da UEL é o único do Paraná. Outras clínicas e hospitais fazem este procedimento, mas não possuem a estrutura de um banco de sangue. Fazemos até dez transfusões por semana. Mas, às vezes, a disponibilidade de bolsas de sangue no banco não suporta esta demanda, então, colheitas emergenciais têm que ser realizadas”, afirmou a doutora Patrícia Mendes.

Fernando Luís Massaro Junior é consciente da importância do Projeto Vida e leva sua cachorra regularmente para fazer doações. Teca, uma labradora de quatro anos doa sangue há um ano. Fernando é professor e disse que a Teca não fica agitada durante a doação. A labradora se preparava para sua quarta doação enquanto brincava no pátio do HV da UEL com seu dono e os participantes do banco de sangue.

Conforme o participante do Projeto Vida, Igor Ferreira, estudante do quarto ano do curso de Medicina Veterinária, uma bolsa de sangue, com aproximadamente 450ml, leva de 10 à 15 minutos para ser coletada, e a transfusão desta bolsa dura em média quatro horas, pois deve ser feita com calma e atenção. Ferreira está no projeto há um ano e nesse período desenvolveu interesse maior pelo tema do projeto. “Eu pude aprender bastante na área de hematologia, que eu tinha total desconhecimento”, disse o estudante.

Segundo a professora coordenadora do projeto, Patrícia Mendes, durante o currículo regular do curso de Medicina Veterinária da UEL, pouco é ensinado sobre hematologia. Ela também explicou que este conteúdo é ministrado em uma aula, no quarto ano, na disciplina de Clinica Médica de Pequenos Animais. “O currículo desta disciplina é bastante extenso, por isso, a maioria dos alunos tem contato com a hematologia apenas neste momento, sem envolvimento prático”, explicou a doutora.

Ao entrar no banco de sangue, o estudante tem uma aula sobre os procedimentos e a dinâmica do projeto e no decorrer, alguns seminários são apresentados, pelos próprios participantes, sobre temas pertinentes.

O grupo que participa do banco do sangue é composto por 16 pessoas, as quais dividem-se em três grupos que se revezam entre as funções de coleta de sangue e transfusão. Os grupos atendem aos casos em regime de plantão.

Bruna Bolsoni Alves também cursa o quarto ano de Medicina Veterinária e entrou no projeto, há três anos, em busca de aprimoramento dos estudos acadêmicos, principalmente, da parte prática. “As coletas são bem divertidas, lidamos com cães grandes e dóceis, e proprietários conscientes da importância da doação de sangue. Na transfusão, é muito gratificante ver a melhora do paciente recebendo o sangue”, disse a aluna.


Quem precisa de transfusão

A transfusão é feita em cães com anemia, em diversos graus. Os animais que chegam ao Projeto Vida vêm de casos do HV ou externos, podendo ser de clínicas particulares de Londrina ou até mesmo de outras cidades. “Para que precisem de uma transfusão sanguínea, o estado destes animais deve estar muito ruim. Geralmente, eles têm anemia porque estão com alguma doença grave, imunossuprimidos e qualquer bactéria, por estarem com baixa imunidade, acaba sendo fatal”, explicou a professora doutor Patrícia Mendes.

Mesmo depois da transfusão, o animal muito doente pode precisar que o procedimento seja repetido.  A coordenadora do Projeto Vida explicou que como os cães não possuem anticorpos sanguíneos naturais, como os seres humanos, a primeira transfusão não precisa, necessariamente, passar por exame de compatibilidade, ou reação cruzada. Já as seguintes, obrigatoriamente, devem. “Depois de receber sangue do doador, o paciente pode desenvolver anticorpos. Caso ele precise receber novamente sangue, o exame de reação cruzada  detectará se o sangue presente no paciente vai reagir contra o sangue a ser recebido”, alertou.

Sobre os felinos

Conforme a doutora em Clínicas Veterinárias Patrícia Mendes, a casuística de gatos do hospital é pequena, por isso, quando acontece de necessitarem de transfusão, o doador é procurado para a coleta. “O que acontece sempre é que os gatos doadores vêm do próprio pessoal do HV. Residentes, estudantes e professores, que tem gatos com mais de 4,5 kg e acima de dois anos, são mobilizados quando aparecem estes casos emergenciais”, disse Patrícia Mendes

Quem pode doar

O ideal, segundo a coordenadora, é que na geladeira do banco tenha três bolsas disponíveis para tranfusão. A coleta pode ser agenda conforme a disponibilidade do doador.

Cães com mais de 28kg, de 2 à 8 anos de idade estão aptos à doarem sangue. Além disso, o cachorro deve ser dócil, tranqüilo ou o dono deve conseguir domá-lo no momento da coleta pois, uma das prioridades do Projeto Vida, é o bem-estar do doador. “Não aplicamos medicamentos anestésicos nos cães para coletarmos sangue”, lembra a doutora Patrícia Mendes.

A aluna Bruna Bolsoni explica o desconhecimento da população sobre o assunto da doação de sangue animal. “Essa questão ainda é muito nova para as pessoas”. E esse pode ser o motivo de não procurarem o banco de sangue para fazer a doação.

Igor Ferreira aponta a importância de doações freqüentes. “A demanda de sangue é muito grande, semanalmente aparecem vários casos de cães apresentando anemias de diversos graus, então é necessário que tenhamos um estoque para atendê-los”.

Seviço:
Se eu cão se enquadra no perfil de doador do Projeto Vida, ligue para (43) 88030241 e agende uma coleta.

O Projeto Vida também possui uma página na internet, na qual os estudantes postam informações sobre as coletas, as transfusões e o estado dos animais.
Acesse http://projetovida-uel.blogspot.com/


Crédito da ilustração:
Projeto Vida

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Proposta para o gerenciamento do lixo da UEL

maio 10, 2010

Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da Universidade expõe maneiras de como tratar o lixo de forma organizada e frisa a importância da adoção de medidas ambientalmente corretas

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Beatriz Pozzobon


De acordo com a norma ABNT 10004:2004, resíduos sólidos são resíduos nos estados sólidos e semi-sólido, que resultam de atividade de origem industrial, doméstica, hospitalar, agrícola e de serviços de varrição. A norma inclui ainda, os lodos provenientes dos sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e controles de poluição. Inclui também determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou em mananciais, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente viáveis face a melhor tecnologia disponível. Os resíduos sólidos são popularmente conhecidos como “lixo”.

O grande volume de lixo gerado pela Universidade Estadual de Londrina ” UEL tinha destino certo: o aterro municipal. Com a aprovação da Lei 203/91 pela Câmara Federal que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos isso não será mais permitido. A lei, aprovada no último mês, impõe obrigações aos empresários, aos governos e aos cidadãos no gerenciamento dos resíduos. Em especial, à destinação desses. Cada integrante da cadeia produtiva ” fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e até consumidores ” ficará responsável, junto com os titulares dos serviços de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, pelo ciclo de vida completo dos produtos. O professor do Departamento de Geociências Cleuber Moraes Brito ficou responsável por subsidiar informações para a elaboração do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da UEL.

Brito é graduado em Geologia pela Universidade Federal da Bahia ” UFBA e mestre em Geofísica pela Universidade de São Paulo – USP. Atualmente, trabalha como docente da UEL pelo Departamento de Geociência, ministrando aulas para nos cursos de graduação de Geografia, Química, Agronomia e Engenharia Civil; e pós graduação nos cursos de Análise Ambiental e Ciências da Terra, Fundamentos de Gestão Ambiental e Auditoria Ambiental. Ele atua também como consultor ambiental. “A UEL tem que fazer um plano de gerenciamento de seus resíduos e diminuir sua geração. Quanto menor a produção de lixo, menor será o custo da destinação”, afirma o professor. Ele explica que o procedimento anterior ficava a cargo da Prefeitura e agora com a implementação da lei, a UEL terá que pagar para a destinação do resíduo. “A Universidade vai ter que contratar um aterro privado, que vai pesar o resíduo e vai cobrar por peso. E, a UEL terá que arcar com esse custo”, explica. A Universidade dispõe de um local provisório para o armazenamento dos resíduos recicláveis coletados ” a central de resíduos recicláveis, com 60 m² de área física.

Outro fator importante que pesou na mudança do local para onde destinava-se o lixo da Universidade, foi a aprovação do Decreto Nº 4167 ” 20/01/2009 que obriga todas as instituições da administração direta e indireta públicas em separar os resíduos recicláveis (papel, plástico, metal, vidro). O decreto é intitulado “Coleta Seletiva Solidária”, e o objetivo é a disponibilização do resíduo reciclável para que associações de catadores possam incorporar essa renda para a melhoria social deles. Cleuber Brito explica que por causa disso a UEL está obrigada, desde o ano passado, a separar o lixo reciclável e enviar para as associações.

Para lidar com essa nova realidade, Brito propõe o gerenciamento de resíduo dentro da instituição, para que se possa diminuir a geração, o que acarreta em uma diminuição de custos. “Um plano de gerenciamento significa que você terá que fazer o tratamento do lixo de maneira planejada, organizada, com alguns princípios filosóficos (reduzir, reutilizar e reciclar)”, explica. Brito, então, questiona: “E como fazer para reduzir a geração de resíduos”? Ele responde que por meio de medidas simples é possível que haja redução. “São necessárias mudanças de comportamento. Dentro dos departamentos é necessário o espírito da redução, como ao diminuir o número de páginas impressas, no Restaurante Universitário eliminam-se os copinhos descartáveis e por todo o Campus é necessária a instalação de coletores coloridos para a separação do resíduo”, afirma o professor.

De acordo com ele, para que haja essa mudança de comportamento é necessária a conscientização das pessoas por meio da educação ambiental. “Através de cartilhas, panfletos, peças teatrais, vários tipos de intervenções para que as pessoas comecem a entender como isso funciona”, explica Brito. Ele frisa que é preciso trabalhar um aspecto operacional e outro educacional; “não adianta ter a estrutura e não educar as pessoas, como também não adianta educar as pessoas sem ter a estrutura. É preciso um processo conjunto para que o plano de certo”.
Na parte operacional, o professor explica que é necessário um investimento da Universidade. O valor seria o investimento em coletores, equipamentos de segurança, construção de armazéns, treinamentos e oficinas, material institucional de divulgação, triturador de resíduos, prensa hidráulica, carrinho coletor para gari, entre outros.

O lixo do Hospital Universitário ” HU ” faz parte do “Plano de Gerenciamento, volume II”. O professor explica que o lixo do HU é um resíduo especial, porque lá há resíduo contaminado, como sangue e material cirúrgico. “Esse lixo não pode ser misturado ao lixo doméstico. Ele é tratado de maneira individual e hoje a UEL terceiriza esse serviço”, explica.

Brito frisa que “seja qual for o motivo, a Universidade teve que se apresentar em termos da questão dos resíduos. A UEL não tem mais condição de continuar o tratamento de resíduos como é feito hoje. Não é a maneira correta, não é a maneira racional, não é a maneira ambientalmente correta”. O professor espera que o Plano seja um divisor de águas em como se dava e como se dará o tratamento do lixo dentro da instituição. Ele conclui dizendo que é necessário que a questão do ambiente seja tratada de forma mais séria do que hoje é tratada.

De acordo com Luiz Cláudio Buzeti, diretor de serviços da Prefeitura do Campus, o projeto é muito recente, e por isso ainda não foi encaminhado para a Prefeitura. O pró reitor de planejamento, professor doutor Otávio Shimba, informou que o Plano está na fase de aprovação, e que essa demora em torno de seis meses para terminar. E só então, terá informações sobre a parte prática do projeto.

Números
(A partir do levantamento feito através de um inventário e de informações da Prefeitura do Campus)
O inventário foi aplicado ao responsável pelo setor do ponto de geração de resíduos para elaboração dos instrumentos de coleta de dados levantados.
A quantidade mensal de resíduos gerados pela UEL de acordo com o tipo de resíduo foi caracterizada da seguinte forma:

*Resíduo Urbano: 56, 49%
*Resíduos Agrícolas: 26,27%
*Resíduos de Saúde: 13,66%
*Resíduos de Construção Civil: 1,91%
*Resíduo Especial: 1,23%
*Resíduo Geral não Reciclável: 0,39%
*Resíduo Tecnológico: 0,04%

Quantidade Mensal (kg)
*Resíduo Urbano: 15.300,80
*Resíduos Agrícolas: 6.655,00
*Resíduos de Saúde: 3.537,50
*Resíduos de Construção Civil: 505,00
*Resíduo Especial: 327,00
*Resíduo Geral não Reciclável: 0
Total: 26.625,30 Kg

Legenda da Foto: Professor Cleuber Brito, responsável por subsidiar informações para a elaboração do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da UEL
Créditos: Beatriz Pozzobon


Museu de Ciência e Tecnologia expõe projetos para a população

março 28, 2010

Estudantes exibem seus experimentos nos salões da instituição no campus da UEL

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Lucas Martins

“Divulgar a Ciência e a Tecnologia inseridas num contexto cultural mais amplo”. Segundo o Prof. Sérgio de Mello Arruda – bacharel em Física, mestre em Ensino de Ciências e doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) – esse é o principal objetivo do Museu de Ciência e Tecnologia, instituição que faz parte do Centro de Ciências Exatas (CCE) e que expõe os projetos experimentais desenvolvidos pelos próprios alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para a população da cidade e de outros locais.

Localizado próximo a AINTEC (Agência de Inovação Tecnológica), o museu iniciou suas atividades em 2005. De acordo com Arruda, a ideia de construir uma instituição parecida surgiu no começo da década de 90 e, só depois de dez anos, é que foi possível adquirir os recursos para a realização da obra. O professor ainda explica que, no começo, só foram construídos os dois salões que hoje abrigam as experiências dos estudantes da universidade e anos mais tarde, foram inaugurados os outros setores, como o Planetário e o Observatório.

Segundo Arruda, uma das atividades realizadas pelo Museu de Ciência e Tecnologia de Londrina (MCTL) é o atendimento voltado para alunos do Ensino Fundamental e Médio, tanto de escolas públicas, quanto de particulares. O professor explica que já foram feitas várias visitas de estudantes de diversas cidades do interior do Paraná e de outros estados. Entretanto, ele destaca que esse projeto foi interrompido em consequência da construção de outros setores e só retornou dois anos depois.

A ciência e a tecnologia não ficam só em Londrina. Por meio do projeto “Museu Itinerante” desenvolvido pelo MCTL, elas também viajam para outras cidades do interior do Paraná e de São Paulo. Arruda explica que essa atividade faz parte de tantos outros trabalhos desenvolvidos pelo “Universidade sem Fronteiras” da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná.1 “Em 2008 e 2009, visitamos 75 municípios ao longo das diversas regiões do estado, o que deu em média um atendimento a 40 mil alunos”, afirma o professor. Segundo ele, essa atividade tem como principal objetivo levar a ciência e a tecnologia para cidades que apresentam um baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)2 e garante que em todos os núcleos visitados essa meta foi alcançada.

“Além dessas atividades, também temos os estudos de Astronomia que são realizados no Planetário, no centro da cidade – onde existem equipamentos voltados para o céu – e no Observatório localizado no museu”, afirma Arruda. Segundo ele, essa atividade se concentra em cursos para professores que dão aulas para o Ensino Médio e Fundamental e para estudantes de diversos níveis. O professor também explica que, desses estudos, são montados cursos, jornadas e projetos de iniciação científica.

De acordo com Arruda, as atividades desenvolvidas pelo MCTL fazem parte de uma nova forma de ensino: a educação não-formal. O professor afirma que a intenção é aglutinar conhecimento e adotar a educação continuada, assim como divulgar sua pesquisa para a comunidade. Segundo ele, o ensino de ciência e tecnologia está cada vez mais fora do controle das escolas, pois, nessas instituições, o currículo não abrange todo o conhecimento e fica difícil de competir com mídias que tem uma forma mais eficaz de transmitir informações, como a internet.

O professor explica que o MCTL planeja ampliar o atendimento. Ele afirma que, desde o início, apenas estudantes foram atendidos e puderam visitar o museu. No entanto, Arruda pretende abri-lo para a visitação de outras comunidades, independente de agendamento. “ Nós, até então, temos atendido mais a comunidade escolar. Mas, temos um objetivo maior: atender toda a população, não só as escolas”, comenta. Ele explica que isso ainda não foi possível, pois precisa terminar a fase de implantação e o quadro de funcionários ainda não é o adequado para esse tipo de projeto.

Para agendar uma visita ao Museu de Ciência e Tecnologia de Londrina, os interessados devem entrar em contato pelo telefone (43) 3371-4804 ou (43) 3371-4805 e falar com a secretária.

1.Universidade Sem Fronteiras: Programa desenvolvido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, cujo objetivo é promover a relação entre estudantes e profissionais das universidades estaduais e a população. Essa parceria entre a Secretaria e as universidades se dá por meio de financiamento de projetos que atendam a comunidade em geral. (Fonte: http://www.seti.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=27)

2. IDH: O Índice de Desenvolvimento Humano representa o nível de qualidade de vida de uma população. Ele é medido através dos indicadores de riqueza, educação e expectativa de vida. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/IDH)

Ano 7 – Edição 84 – 28/03/2010


Projeto analisa a concentração da renda brasileira associada ao crescimento econômico do início do século

novembro 30, 2009

O estudo levará em conta as políticas de transferência de renda e, principalmente sua concentração na agricultura, além de questões como a aposentadoria e as pensões

Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Tatiane Hirata
Edição: Vitor Oshiro e Guilherme Santana

Quando comparados os últimos anos da década de 90 com os primeiros cinco do século XXI, o que se percebe, em termos de concentração de renda no Brasil, é uma ligeira queda. Mesmo assim, os números da desigualdade entre pobres e ricos brasileiros continuam altos, quando comparados a países desenvolvidos. Cerca 10% da população detêm mais de 50% da renda, enquanto 90% detêm aproximadamente 30% do restante da renda do país. Os dados são oriundos do projeto de pesquisa do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), “Concentração de renda e políticas redistributivas e de mercado de trabalho no Brasil”, coordenado pelo professor Doutor Carlos Roberto Ferreira, graduado em Economia pela UEL, mestre em Economia Rural pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e doutor em Economia Aplicada pela Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisa tem por objetivo analisar a concentração de renda no Brasil e, em especial, no Paraná e suas relações com as políticas de transferência de rendimento. De acordo com o professor Carlos Ferreira, a metodologia do estudo é quantitativa ” econômica, estatística e matemática. “Eu não vou a campo. Compro um CD vendido no Rio de Janeiro contendo os dados oficiais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”, explica o economista, que vem buscando essas informações desde 1982. Esses dados, entretanto, trabalham com um grupo focal de 400 mil pessoas. É um número relativamente grande, mas pequeno quando comparado à totalidade da população brasileira, que, segundo o professor, hoje, gira em torno de 190 milhões. “Através das amostras, eu procuro entender o todo. A PNAD é feita nas cidades, na área rural, em todos os estados do país, inclusive a parte rural da região norte, que é de difícil acesso. É como uma radiografia do país”, relata.

O economista explica que a PNAD mede o nível da concentração de renda no país por meio do Índice de GINI(1), um coeficiente utilizado para medir qualquer tipo de concentração, porém, mais comumente, a concentração de renda. O professor esclarece que o índice varia de 0 (zero) ” condição de igualdade total (todos tem a mesma renda) ” a 1 (um) ” condição de desigualdade máxima (apenas um indivíduo detém a renda de toda a sociedade e a renda de todos os outros indivíduos é nula). O índice de GINI brasileiro, como ressalta Ferreira, está hoje em torno de 0,6. Um número considerado alto, principalmente quando comparado com países como Estados Unidos e Japão, cujos coeficientes situam-se, aproximadamente, entre 0,3 e 0,4.

A pesquisa analisa particularmente a concentração de renda na agricultura e a questão das aposentadorias e pensões. “Temos cada vez mais pessoas com maior número de terras, tratores, colheitadeiras; e, em contrapartida, há também uma grande quantidade de agricultores que, ou estão sem, ou com pouca terra e que recebem uma renda muito pequena. Isso faz com que muitos migrem para as cidades”, declara Carlos Ferreira, que esclarece ainda o motivo da ênfase no período pós-2000 pelo projeto: “Foi para tentar fazer uma comparação entre a fase do Plano Real(2) e a fase de crescimento econômico do início do novo século. Porque o mundo, depois de 2000, principalmente 2003, teve um desenvolvimento econômico muito grande. O objetivo é verificar se esse crescimento tem sido benéfico de fato e, se sim, quem está sendo beneficiado”.

O período de desenvolvimento econômico no Brasil citado pelo economista coincide com o período de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o Ferreira, esse fato se deve, provavelmente, às políticas redistributivas, como Bolsa Família e Fome-Zero(3): “são políticas desenvolvidas pelo governo com o intuito de retirar dos que tem mais renda, para dar aos que tem menos”. Ferreira esclarece também que antes disso, outras medidas redistributivas beneficiaram o país. Um exemplo é o próprio Plano Real, idealizado pelo então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, durante o governo do Presidente Itamar Franco, em 1994: “O Brasil vivia uma condição de inflação muito elevada ” uma situação que retira de quem não tem muita renda para dar a quem concentra muita renda. Quem ganhava muito e depositava nos bancos, com os juros altos, acabava beneficiado. Já para o trabalhador que ganhava, por exemplo, o equivalente a quinhentos reais, era preciso gastar tudo no supermercado assim que o salário era recebido, pois os preços dos produtos subiam todos os dias. O Plano Real minimizou a inflação e o trabalhador assalariado foi beneficiado com isso”, afirma.

Já no que diz respeito à Previdência Social, o coordenador do projeto revela a existência de uma polêmica referente à questão de ela ser ou não benéfica para a distribuição de renda. “No Brasil inteiro, nós temos cidades onde o nível de desenvolvimento é baixíssimo. Então, quando as pessoas se aposentam, isso é muito bom para elas. São pessoas que não têm renda, nem emprego, e os filhos delas também não. Isso, então, redistribui a renda. Por outro lado, na mesma cidade pobre, tem aquele que é mais rico e se aposentou também. É certo que ele contribuiu com a Previdência, mas como as regras não são muito bem definidas, há pessoas que já tem um poder aquisitivo muito bom e recebem um valor muito alto. Diferente daquela que sempre teve que trabalhar muito e ganhar pouco, porque não teve estudo, e que recebe salário mínimo”, explica.

Outro ponto analisado no trabalho é a situação do mercado de trabalho brasileiro. O pesquisador cita algumas das mudanças ocorridas no período que compreende o estudo: “A década de 80 foi praticamente perdida, no sentido em que passamos por uma recessão e não houve crescimento econômico. Consequentemente, as pessoas não tinham emprego. Havia um nível de informalidade muito grande ” pessoas tendo que fazer “bicos”, trabalhar na rua. Já quando se analisa o final da década de 90, há uma inversão. Percebe-se um crescimento mundial e brasileiro acentuados, as pessoas tendo emprego. Houve uma melhoria na qualidade de vida, no sentido do trabalho ” e isso faz com que haja renda e uma melhoria em termos de distribuição ” só que isso não é uma forma igualitária, estamos muito distantes do ideal”, afirma. De acordo com o economista e professor Doutor Carlos Ferreira, para melhorar a situação da distribuição de renda, é necessário melhorar a educação. As pessoas precisam ter qualificação. “Tudo é muito automatizado hoje, não há o mesmo nível de emprego de antigamente. Há crescimento econômico, mas não há crescimento de emprego na mesma intensidade. É uma série de fatores que discutimos dentro do trabalho para enfatizar”, completa.

Em relação ao Paraná, em termos de distribuição de renda, a pesquisa revela que o estado se encontra em uma condição um pouco melhor que a média brasileira, mas possui a média mais baixa do sul do país, principalmente na região rural. “A região metropolitana de Curitiba, o norte do estado e cidades da parte oeste, como Cascavel, Foz do Iguaçu e outras próximas estão em uma boa condição de distribuição de renda. O resto é que é muito complicado. As cidades entre Londrina e Ponta Grossa, por exemplo, são cidades onde a terra não é boa para agricultura e a região é montanhosa. Nesses lugares, o índice de pobreza é muito alto. Chega a se comparar com as regiões pobres do Nordeste do país, ou até pior. Dentro de um mesmo estado, temos regiões muito ricas e muito pobres”, analisa Carlos Roberto Ferreira.

O pesquisador ressalta neste ponto a importância do projeto e do que ele pretende proporcionar: “a contribuição que esperamos é mostrar para institutos do governo que há situações em que determinadas políticas não são necessárias em cidades como Londrina, mas deveriam ser implantadas, por exemplo, em Mauá da Serra. Às vezes, equivocadamente, são colocadas em cidades que não estão precisando. Aqui, há condições de suprir essas necessidades pelas próprias indústrias e pelo comércio. Enquanto que outras cidades menores dependem muito mais de um olhar mais aprofundado do governo para melhorar a sociedade, a população”, finaliza o coordenador.

(1) O Coeficiente de Gini é uma medida de desigualdade desenvolvida pelo estatístico italiano Corrado Gini, e publicada no documento “Variabilità e mutabilità” (italiano: “variabilidade e mutabilidade”), em 1912. É comumente utilizada para calcular a desigualdade de distribuição de renda, mas pode ser usada para qualquer distribuição. (Fonte:Wikipedia)
(2) Plano Real foi um programa brasileiro de estabilização econômica, iniciado oficialmente em 27 de fevereiro de 1994 com a publicação da Medida Provisória nº 434 no Diário Oficial da União. Tal Medida Provisória instituiu a Unidade Real de Valor (URV), estabeleceu regras de conversão e uso de valores monetários, iniciou a desindexação da economia, e determinou o lançamento de uma nova moeda, o Real. (Fonte:Wikipedia)
(3) O Programa Bolsa Família (PBF) é um programa de transferência de renda com condicionalidades criado pelo Governo Lula em 2003 para integrar e unificar ao Fome Zero os antigos programas criados no Governo FHC: o “Bolsa Escola”, o “Auxílio Gás” e o “Cartão Alimentação”. O PBF é tecnicamente chamado de mecanismo condicional de transferência de recursos. Consiste-se na ajuda financeira às famílias pobres, definidas como aquelas que possuem renda per capita de R$ 70,01 até 140,00 e extremamente pobres com renda per capita até R$ 70,00. A contrapartida e que as famílias beneficiárias mantenham seus filhos e/ou dependentes com frequência na escola e vacinados. Fome Zero é um programa do governo federal brasileiro que foi criado em 2003, em substituição ao Programa Comunidade Solidária. que fora instituído pelo Decreto n. 1.366, de 12 de janeiro de 1995, para o enfrentamento da fome e da miséria. (Fonte: Wikipedia)

Crédito da foto: Tatiane Hirata

Ano 6 – Edição 82 – 30/nov/2009


Música aproxima Universidade de realidade social

outubro 27, 2009

Dois projetos do Departamento de Música da UEL têm objetivo de interligar a erudição musical da Academia com conhecimentos musicais de comunidades carentes

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Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Leonardo Felix
Edição: Kauana Neves

Sair das teorias da Universidade e ingressar na realidade prática das comunidades londrinenses. Esse é o objetivo descrito no resumo do projeto Movimentos Sociais e práticas musicais no contexto da periferia urbana de Londrina iniciado em abril de 2007. Para a coordenadora do projeto Cleusa Erilene dos Santos Cacione, graduada em música pela Faculdade de Música Mãe de Deus e mestre em Educação pela Universidade Estadual de Londrina, mais do que um objetivo, essa filosofia é uma necessidade: “antes a Universidade era um “castelo” e o pesquisador não punha o pé para fora dele. Hoje, o pesquisador tem que trabalhar junto com a comunidade, estar inserido nela e as pesquisas têm que sair dessa relação”.

A professora conta como houve a percepção de que estudantes e professores deveriam imergir nos costumes de uma comunidade antes de trabalhar com ela: “a maioria dos nossos estudantes, quando fazia suas inserções e estágios, sempre levava informações a respeito da música que eles traziam, já que eles eram músicos de orquestra, coral ou da noite. Quando eles entravam em contato com os adolescentes, cujo meio musical é bem distante do que nosso curso oferece, o papel desses universitários de levar a música à comunidade ficava comprometido. A partir disso, existiu a preocupação de se aproximar do contexto social do indivíduo com o qual nós queríamos trabalhar”.

Assim, iniciaram a ideia de uma oficina de música para crianças de colégios da periferia, que respeitasse o discurso musical desses alunos. Cleusa Cacione afirma que Movimentos Sociais só foi posto em prática após um estudo da cultura juvenil. E foi a cultura juvenil que os participantes utilizaram no período inicial de contato com os jovens do colégio estadual Antônio Moraes de Barros, situado no Jardim Bandeirantes, zona oeste de Londrina. Depois da aproximação, houve a inserção gradativa de estilos musicais até então desconhecidos dessas pessoas. Uma das ações foi aproveitar músicas já conhecidas e acolhidas pela maioria dos adolescentes e fazer rearranjos delas, inserindo elementos mais sofisticados. Romper o bloqueio natural que os estudantes do colégio ofereciam com relação ao novo foi outro desafio enfrentado, ressalta a professor Cleusa Cacione, mas com o uso de estratégias de aproximação, como o uso de músicas e textos presentes em suas realidades, a receptividade aos integrantes do projeto foi positiva.

Além de rearranjos de músicas já existentes, alguns estudantes do Colégio Antônio Moraes de Barros chegaram a apresentar composições próprias: “houve um grupo da 7ª série que nos apresentou um rap que eles tinham composto e foi uma grata surpresa, porque eles faziam todos os sons dos instrumentos e da percussão só com o corpo e com a voz”, elogia a coordenadora. Cleusa Cacione frisa que nunca passou por nenhum problema de comportamento com qualquer aluno que tenha participado das oficinas musicais.

O projeto recebeu recursos da Fundação Araucária para compra de equipamentos e materiais como computadores, impressoras, câmeras de vídeo e fotografia digitais, data shows, livros e para pagar bolsas aos estagiários. Com esses equipamentos, o grupo pôde registrar as oficinas e apresentações realizadas pelos jovens. A intenção, segundo a coordenadora, é de que esse material seja editado e apresentado ao público, embora ainda não haja previsão. Movimentos Sociais e práticas musicais no contexto da periferia urbana de Londrina também objetiva “trazer para dentro do curso de Música toda a análise dos materiais coletados para o projeto, revertendo todos esses dados em literatura para os alunos de Música não só da UEL, mas de uma maneira geral”, nas palavras da professora. A finalização do projeto era prevista para o dia 30 de setembro de 2009, mas, devido a atrasos em seu início, Movimentos Sociais só vai ter os trabalhos concluídos em 2010.

Enquanto o resultado final desse projeto não sai, um segundo de mesmo cunho e inspirado no primeiro já está em curso. Trata-se do projeto Identidades e culturas juvenis: agregando escola e comunidade na busca da transformação social, coordenado pelo professor do Departamento de Música Leandro Ernesto Maia, graduado em Música e mestre em Literatura brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Os princípios e objetivos são semelhantes aos do anterior, mas com local diferente: o colégio estadual Ana Garcia Molina, no Jardim Interlagos, zona leste da cidade.

As oficinas musicais ocorrem aos sábados, no período matutino, e ainda estão em processo de iniciação. Para chamar os moradores e, principalmente, os jovens do bairro a participar, os integrantes saem às ruas do Interlagos com instrumentos na mão, batucando. “No primeiro dia teve algumas resistências à nossa música, como aquele senhor que fica observando do portão de casa e olhando para nós com cara feia”, descreve Leandro Maia. Ele explica que apesar dessas exceções, o grupo tem sido bem recebido pelas pessoas, principalmente, crianças. O estudante Pedro Henrique, de 12 anos, é morador do Jardim Interlagos e participa da oficina pela primeira vez: “estou gostando muito, porque você aprende a fazer música e a ouvir eles (os músicos do projeto) tocando também”, diz.

Para o coordenador, o processo de iniciação visa criar uma motivação musical. Serão utilizados nessa evolução instrumentos como flauta doce, violão e principalmente a percussão, considerada pelo professor como o principal ponto estratégico para aproximar músicos e população. Maia ainda pondera que “o papel da Universidade durante as oficinas é aprender e articular junto com a comunidade e a escola as possibilidades de construção da cidadania, da auto-estima, da formação de valores sociais, da convivência social, de uma cultura de paz e, no futuro, de alternativas sociais dentro das artes e da cultura para esses jovens”.

A realização das oficinas durante os sábados só é possível porque o colégio Ana Garcia Molina é o único da cidade a praticar um projeto escolar chamado Escola Aberta, que consiste em abrir as dependências durante os fins de semana e oferecer aos habitantes de seu entorno diversas atividades culturais. Segundo o diretor auxiliar do período noturno do colégio, Jorgisnei Rezende, já foram oferecidas pelo Escola Aberta mais de dez oficinas para os residentes da região. Atividades como artesanato, capoeira, teatro, culinária, hip hop, grafite, dança de salão, futebol, línguas, violão e, agora, a oficina musical coordenada pelo professo Leandro Ernesto Maia. O diretor justifica que, além da integração e inclusão social geradas pelas oficinas, há um outro fator que motiva ao colégio a praticar o Escola Aberta: “Existe um estigma negativo com relação ao colégio Ana Garcia Molina, que sempre aparecia na mídia por aspectos negativos: ou porque achavam armas e drogas na escola, ou porque algum aluno agredia o professor. E nós temos conseguido grandes avanços na tentativa de resgatar a imagem do colégio, através de eventos e projetos como o Escola Aberta”.

O grupo musical formado pelos integrantes de Identidades e culturas juvenis: agregando escola e comunidade na busca da transformação social e pelos jovens participantes da oficina já tem uma apresentação prevista a ser realizada em 20 de novembro, no próprio Ana Garcia Molina, durante a semana da Consciência Negra. Já existem também convites para que eles se apresentem em outros colégios de Londrina, mas o coordenador do projeto preferiu não citar os nomes e as datas até que as apresentações estejam confirmadas.


Além de sujar as ruas, os pombos também podem transmitir doenças respiratórias

setembro 21, 2009

Especialista em aves da UEL explica porque é importante controlar a população de pombos em Londrina

IvensgomesPauta: Ana Carolina Contato
Repórter: Fernanda Cavassana
Edição: Beatriz Assumpção

Em Londrina, este ano, já foi registrada a morte de uma pessoa por criptococose – uma infecção fúngica, conhecida como “doença do pombo”. Segundo o professor Ivens Gomes Guimarães, graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com mestrado em Patologia Animal e doutorado em Biologia Animal, ambos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a ave não é o único meio de transmiti-la. Atualmente, Ivens Gomes é professor da Universidade Estadual de Londrina e coordenador do Centro de Investigação em Medicina Aviária do Paraná (Cimapar).
De acordo com Ivens Guimarães, o fungo causador da doença pode ser o Cryptococcus neofarmans ou Cryptococcus Gatti. “Eles aparecem em fezes de animais, assim como podem se desenvolver em qualquer matéria orgânica. Por meio da inalação das hifas – filamentos que em conjunto formam o talo de um fungo – do cryptococcus, em ambientes contaminados, é que se inicia a infecção”, disse o professor. Os fungos, na natureza, vegetam em ambientes favoráveis a seu desenvolvimento. A umidade, as temperaturas baixas e as zonas de sombreamento favorecem seu crescimento. “Após crescerem, como um bolor, eles florescem, produzem sementes e assim vão se proliferando. Onde há proliferação, há esporos do fungo pelo ar, que podem ser inalados e com isso causarem a contaminação”, completou.
“Ao ser inalado, o ar contaminado vai para o pulmão, passando pela traquéia, e assim infecciona”. Segundo o professor, a hifa do fungo faz o ciclo completo de acordo com o local do organismo. “No homem, por exemplo, é possível desenvolver o bolor na traquéia pelas condições de umidade apresentadas nela. É uma complicação grave, porque esse mofo chegará ao pulmão e causará uma inflamação. No caso do pulmão humano, pode-se não enxergar o bolor presente na região a partir de um exame, mas isso é evidente no sistema respiratório das aves. Como o mofo se desenvolve em lugares com bastante ar e temperatura mais baixa, com a análise dos sacos aéreos de uma ave é possível identificá-lo”, de acordo com o professor.
“A doença traz várias complicações sérias ao organismo humano, como no caso do fungo acabar vivendo como saprófito (que se alimenta de animais em decomposição) e agir como decompositor na árvore brônquica”, complementou. O professor Ivens Gomes também citou a meningite como uma enfermidade grave como consequência da criptococose. “Se a hifa chega ao Sistema Nervoso Central, nas meninges, causará uma meningite ou uma encefalite, mesmo não apresentando o bolor. Haverá uma doença micótica”, afirmou. A meningite causada pelo Cryptococcus, se não tratada a tempo, pode levar à morte.
Sobre o caso de morte na cidade por causa da doença, Ivens Guimarães ressaltou o fato da vítima não apresentar nenhum histórico, já que essas enfermidades podem ser favorecidas por uma inter-ocorrência. As crianças, os imunodeprimidos, como os aidéticos, assim como os operados que tomam remédios imunosupressores para evitar rejeição de transplantes, são alvos mais frágeis à doença. “A pessoa pode já ter uma doença crônica de insuficiência respiratória, pode ser um homem que tem um enfisema crônico agudo ou que tenha doenças de fibrose intersticial pulmonar, pode até ser um alérgico. O clima, a época do ano, além do frio que traz junto a umidade, tudo tem que ser analisado. A população é mais suscetível devido ao seu estado imunológico ou a inter-ocorrência de vários fatores que levem a um quadro de doenças, ou uma síndrome por exemplo”, ressaltou.
Praças e Pombas
As praças são apontadas por muitos como principal local para transmissão da doença. O professor Ivens Gomes discorda e afirma que os sistemas de ventilação podem representar um perigo maior para a população. “Nós falamos de limpeza de praças, de fezes, de contaminação nelas e às vezes esquecemos que estamos numa sala com ar condicionado. Portanto, nós não podemos só nos ater à questão da praça pública, mas também ao sistema de ar artificial dos prédios, disse. De acordo com o professor, se há uma contaminação ambiental, é preciso acabar com ela por meio de limpeza, desinfecção e arejamento do local.
Sobre a grande quantidade de pombas na cidade, o coordenador da Cimapar disse que é importante o controle da população do animal, a partir de uma política sanitária de controle de pragas. “Nós temos que criar mecanismos inteligentes para controlar as populações de animais em geral. Se até o homem controla sua população utilizando todos os medicamentos necessários para o controle da natalidade, por que quando se fala em fazer isso com aves tem gente que acha um absurdo? É como se ninguém usasse pílulas anticoncepcionais ou preservativos”, argumentou Ivens Guimarães. Segundo o professor, deve-se levar em consideração até que ponto o papel natural das pombas é positivo para a cidade. “Tudo que é demais ou de menos faz mal. Hoje, por exemplo, vemos em Londrina uma população de pombos que extrapola os limites da normalidade da parte boa e começa a se tornar um problema, chamado de distúrbios tipos sinantrópicos. Esses distúrbios surgem em função da evolução, das ações do homem, das cidades, aglomerados urbanos, do desmatamento para o plantio da agricultura, se não morremos de fome com uma superpopulação”.
Para Ivens Guimarães, é inevitável a interferência para solução do problema. “Diante desses momentos que eu diria caóticos, nós temos que interferir. Desenvolver sistemas, métodos, ferramentas, produtos que mantenham as aves em locais que elas podem ficar sem que prejudiquem a humanidade ou o meio ambiente. E também temos que discutir muito o assunto, com o tempo pode-se planejar e implementar ações efetivas”, ressaltou. Ivens Gomes ainda alegou que é impossível erradicar o problema, mas que um monitoramento ativo e um controle permanente de animais que são pragas devem ser feitos. O professor elogiou as medidas tomadas pela prefeitura na gestão do prefeito Roque Neto, como o decreto que proibiu a população de alimentar os pombos da cidade, e as que estão entrando em vigor com o prefeito Barbosa Neto. “A educação do povo em não alimentar essas aves precisa ser realmente implementada. Eu apóio o que o ex-prefeito fez assim como apóio também agora mesmo com o Barbosa Neto, é um passo a frente.


Adição de vitamina E em carnes de frango aumenta a validade do produto

setembro 21, 2009

A constatação é resultado de uma pesquisa realizada na Universidade Estadual de Londrina

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Pauta: Ana Carolina Contato
Repórter: Beatriz Pozzobon
Edição: Beatriz Assumpção

A adição de vitamina E uma semana antes do abate pode aumentar em até 50% o prazo da validade da carne de frango nos supermercados. A conclusão está na dissertação de mestrado de Adriana Lourenço Soares, orientada pela professora Elza Iouko Ida. “É perceptível que a vitamina E atua como melhor antioxidante quando fornecida ao animal na sua dieta durante o seu desenvolvimento, inibindo mais efetivamente a rancidez da carne, do que quando injetada após o abate do animal”, afirma a pesquisadora.
Hoje, Adriana Soares é doutora em Ciência dos Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina – UEL e docente do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da UEL. Ela foi orientada pela professora Elza Ida na sua dissertação de mestrado, atualmente,  as duas trabalham juntas na UEL e continuam pesquisando o assunto. Elza Ida, que conversou com o Conexão Ciência sobre a pesquisa, é doutora em Ciência dos Alimentos pela Universidade de São Paulo – USP. O nome da dissertação de Adriana Soares é “Ação de ácido fítico e alfa-tocoferol na oxidação lipídica e alteração de cor de carnes de frango”.
Adriana constatou que “o processo de oxidação lipídica é considerado a causa primária da perda de qualidade de carnes e produtos cárneos, conduzindo a perda do valor nutritivo, mudanças no sabor, textura e odor e também a formação de produtos tóxicos a saúde do consumidor”. Por isso, o controle da oxidação lipídica torna-se essencial, e pode ser feito por antioxidantes sintéticos (já utilizados pelas indústrias) e naturais (como no caso da vitamina E).

Segundo a pesquisadora, o uso de antioxidantes naturais vem sendo preferido devido à menor toxidade à saúde dos consumidores. “Além disso, a oxidação lipídica e a geração de radicais livres (substâncias provenientes do próprio processo oxidativo) estão associados com o desenvolvimento de várias doenças como envelhecimento, diabetes, mal de Alzheimer e câncer”, afirma Soares.
A professora doutora Elza Ida explica que a vitamina E, também chamada de tocoferol, foi utilizada como antioxidante. “A função do antioxidante é aumentar o tempo de prateleira da carne”, explicou. “Nós testamos também outro antioxidante, o ácido fítico, que está presente em muitos grãos como o gérmen de milho, farelo de arroz, casca de trigo e diversos outros tipos”. A partir dessa combinação foram realizados testes na dieta do frango e depois que esse era abatido, para verificar se realmente a vida do produto se estendia, o que foi comprovado.
Os testes também constataram que ao requentar a carne de frango, que contenha vitamina E, ela não apresenta um sabor desagradável, o que foi relatado pela professora: “Na hora que você requenta o frango cozido ou assado, o sabor muda totalmente, o que não é agravável para o consumidor, e é também um indicador que o produto sofreu oxidação. Com a vitamina E o sabor de requentado é inibido, o que torna a carne favorável para o consumo”.
Como explica a professora Elza Ida, a vitamina E é lipossolúvel, o que significa que ela é solúvel em meios gordurosos. “É por isso que nós utilizamos a vitamina E como antioxidante, pois ao estar junto com as gorduras, ela inibe a oxidação dessas, o que a torna mais vantajosa”, garantiu. Segundo ela, a vitamina E é permitida para ser utilizada como antioxidante, o que não acontece com todos os conservantes e aditivos.
A idade das aves interfere no processo de adição das vitaminas. “É recomendado que os suplementos sejam adicionados uma semana antes do abate; as aves, por sua vez, devem ter 42 dias de idade, aproximadamente”, explicou Ida. De acordo com ela, o procedimento é necessário para a qualidade do produto final. “Normalmente, a carne fica nos supermercados por 5 ou 6 dias, e com esse processo é possível aumentar a estabilidade da carne por mais 2 ou 3 dias”, afirmou.
Após o período de congelamento foi detectado que houve uma considerável diminuição da oxidação do produto. “A redução foi de cerca de 80 a 90% do processo de oxidação, o que aumentou o tempo de validade da carne”, constatou a professora.
Essa pesquisa foi publicada em 2004 na revista internacional: “Brazilian Archives of Biology and Tecnology”, além de ter sido apresentada em congressos e eventos da área.