Curso ressalva a importância da História em documento

maio 29, 2011

A promoção do Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) teve a finalidade de discutir e orientar a respeito da documentação histórica e sua preservação

Fotos que provêm de doadores revelam os efeitos da deteorização pela falta de cuidados específicos

 

Edição e pauta: Paola Moraes
Reportagem: Nathalia Maciel

Foi realizado nos últimos dias 17 e 18 de maio, no Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH), vinculado ao Departamento de História e ao Centro de Ciências Humanas (CCH) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o curso “Organização e Preservação de Periódicos e Fotografias”. O coordenador da iniciativa é o professor Marco Antônio Neves Soares, graduado em História pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), onde concluiu também mestrado e doutoradoem História Social.

O curso, dirigido a 20 inscritos, entre eles alunos da área de humanas da UEL e profissionais interessados na preservação de documentos históricos, foi ministrado pelas funcionárias do CDPH Leila Bernardes Rosa e Laureci Silvana Cardoso, juntamente com os alunos estagiários Sara Vicelli de Carvalho e Alyson Ferraz de Barros, que cursam o último ano do curso de História da UEL.

Poline Fernandes Thomaz, aluna do curso de Arquivologia da UEL e participante do curso, em visita ao acervo do CDPH

Além de apresentarem as atividades realizadas pelo CDPH, que possui um vasto acervo documental público e privado, prioritariamente regional, e que serve a pesquisadores de diversas áreas e cursos da UEL, os ministrantes ressaltaram a importância dos materiais preservados enquanto fontes e objetos da História, produtos e produtores de memória. Entre eles podem ser encontradas fotografias, revistas extintas, jornais, teses, mapas e audiovisuais, resquícios do passado que na mão de historiadores são transformados em documentos.

“O curso é uma maneira de divulgar o CDPH. Muita gente, dentre os próprios alunos de História, não sabe da existência desse acervo”, disse a estagiária Sara Carvalho e acrescentou: “Grande parte das pessoas inscritas já atua na área da preservação documental, por isso o curso acaba promovendo também um intercâmbio de informação e de experiências que é muito válido”.

Orientaçõs práticas sobre restauração, preservação e fichamento dos materiais a serem arquivados. Na foto: Sara Carvalho com os alunos do curso

Técnicas de organização e acondicionamento, bem como práticas de manuseio, de fotografias e periódicos foram orientadas aos ouvintes do curso, que puderam conferir de perto os efeitos da deterioração causada pela falta de cuidados encontrada em materiais doados ao acervo.  A digitalização também teve o enfoque merecido, uma vez que evita o contato direto com o material a ser pesquisado. Conforme informaram as funcionárias, o CDPH disponibiliza em seu site algumas páginas digitalizadas pertencentes ao acervo e tem planos de digitalizar a Folha de Londrina desde o seu início, por volta dos anos 50, para que não se perca essa riqueza histórica local. Por conta da fragilidade do material, por enquanto está suspensa a consulta aos exemplares da Folha de até meados dos anos 70.

No cronograma do curso constava, além de discursos e demonstrações, uma visita guiada ao acervo do CDPH, tida como a parte prática do curso. Quando perguntado sobre o que motivou o curso, o coordenador esclareceu que o mesmo corresponde justamente à função que tem o CDPH, que, além da preservação e organização de arquivos, deve cumprir seu objetivo de promover a socialização do conhecimento.

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Pesquisa historiográfica sobre o ensino e a escola no Brasil

outubro 11, 2009

Esse foi o tema da palestra de abertura da XI Semana de Educação da UEL

Professora Rosa Fátima de Souza

Pauta: Daniela Brisola
Repórter: Alessandra Vitti
Edição: Beatriz Assumpção e Fernanda Cavassana

Aconteceu em setembro, a XI Semana da Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), cujo tema principal foi a História da Educação. O evento foi promovido pelo curso de Mestrado em Educação e pelo Departamento de Educação no CECA. De acordo com que Marta Regina Gimenez Favaro, coordenadora do curso de Pedagogia da UEL, disse na abertura do evento, o objetivo era estimular a discussão de temas como ensino e escola a partir de uma perspectiva histórica. A conferência de abertura, intitulada “Os desafios da investigação comparada em âmbito regional para a escrita da história da educação brasileira”, foi proferida pela professora adjunta da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Rosa Fátima de Souza, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP).

A doutora Rosa de Souza apresentou o projeto de pesquisa do qual é coordenadora. O projeto é intitulado “Por uma teoria e uma história da escola primária no Brasil: investigações comparadas sobre a escola graduada (1870 1950)”, e foi iniciado em 2008, com apoio do CNPq. Segundo a professora, o projeto é trabalhado a partir de investigações comparadas sobre a institucionalização de grupos escolares. Rosa de Souza ressalta que esse processo é inseparável das diversas políticas educacionais implementadas pelos governos estaduais no decorrer do século XX. No projeto, essa institucionalização está sendo estudada em 14 Estados brasileiros no período de 1870 a 1950.

A professora da Unesp ressalta, ainda, os reflexos de seu projeto para a sociedade: “Os resultados dessa produção acadêmica enriquecem a historiografia da educação, além de prestar um inegável serviço à memória social, contribuindo para a preservação do patrimônio educacional do país”.

Na apresentação da conferência, Rosa de Souza propôs a discussão dos desafios da investigação comparada em âmbito regional, destacando questões de ordem interpretativa e de natureza teórica e conceitual com as quais se defrontou na realização desse estudo historiográfico.

A professora tratou dos estudos realizados nos últimos anos sobre a estrutura dos grupos escolares: “Nós temos trabalhado com essa ideia de escola primária do final do século XIX e início do século XX, quando há a implementação da chamada escola primária moderna”. Rosa de Souza explica que esse modelo de escola implantado durante o século XX no Brasil acompanhou o espírito de modernidade e racionalização da época. Esse espírito refletiu-se tanto na estrutura administrativa como pedagógica, revelando a existência de um ensino primário de excelente qualidade naquele período.

Rosa de Souza ainda examinou o conceito de região e história regional da educação. A professora ressaltou, durante a palestra, a influência do Estado na implantação de um modelo de escola primária no período republicano: “de um modo geral, as investigações sobre os grupos tem apontado intrínsecas relações entre a política republicana estadual e a difusão e modernização da escola primária. É implantado, pelo governo republicano, um modelo de escola mais adequada para a difusão da educação popular e para a formação do cidadão republicano”.

De acordo com os estudos do projeto, a professora explica que é possível identificar em vários Estados brasileiros semelhanças nas implementações e nas práticas discursivas de diversas instituições públicas. Porém, lembrou em sua palestra que, na realidade, a situação é um pouco diferente em alguns lugares: “Efetivamente, apenas aqueles Estados que apresentavam significativa prosperidade econômica no início do século XX, como SP, MG e RS, puderam implantar um sistema público moderno de educação primária com qualidade. No resto do País, os grupos aparecem apenas como vitrine da modernização, enquanto a grande parte das crianças estava estudando em escolas em situações mais precárias.”

A professora também analisou as potencialidades e desafios da comparação para a escrita da história da educação brasileira. Ela desenvolveu um panorama geral da origem do método comparativo como instrumento científico e falou sobre as dificuldades encontradas no decorrer da pesquisa: “Um estudo envolvendo 14 Estados está longe de mostrar a situação em todo o território nacional. Os Estados representados nas pesquisas são aqueles nos quais efetivamente contamos com uma produção de estudos sobre a história da escola primária, o que revela a precariedade do conhecimento existente sobre a história da educação no País como um todo.”

Além da conferência ministrada pela professora Rosa Fátima de Souza, a XI Semana da Educação teve mais três dias de eventos, dentre eles outras conferências, encontros de grupos de pesquisa, eventos culturais e grupos de trabalho.


Museus londrinenses se unem em prol da cultura local

junho 16, 2009

A 7ª Semana Nacional de Museus marca a pretensão da instituição em conquistar o maior público possível com atrativos diferenciados

Foto-GUI1menorPauta: Ana Carolina Contato
Repórter: Guilherme Santana
Edição: Vitor Oshiro

Frequentar museu não é um hábito da maioria dos brasileiros, mas, mesmo assim, essas instituições que abrigam uma parte da História e artefatos de domínio público estão presentes e querem conquistar espaço na cultura brasileira. A 7ª Semana Nacional de Museus, realizada em todo o país entre os dias 17 e 23 de maio desse ano provou essa ambição. Em Londrina, pela primeira vez em sete edições, o Museu Histórico de Londrina (MHL), o Museu de Arte de Londrina (MAL) e o Museu de Ciência e Tecnologia de Londrina (MCTL) trabalharam em conjunto na comemoração da semana dedicada ao dia internacional do museu – 18 de maio.
Segundo a coordenadora do evento no MHL, Angelita Marques Visalli, as atividades oferecidas correspondem ao trabalho de três museus integrados em resposta ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que organiza a semana de museus desde 2003. “No país inteiro, os museus apresentam atividades que vão ser desenvolvidas particularmente durante essa semana, respondendo ao tema proposto pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), que para o ano de 2009 propôs: Museus e Turismo”, explicou Angelita Visalli, graduada em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com mestrado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorado também em História Social pela Universidade de São Paulo (USP).
A temática apresentada, de acordo com a coordenadora, possibilita uma visibilidade maior das atividades que já eram desenvolvidas, e durante a semana, há a proposta de trabalhos que possam apresentar ao público em geral qual o cotidiano do museu, o que tem a oferecer e possibilitar um espaço de reflexão no relacionamento dessa instituição com seus visitantes. “Na maioria dos casos, esses visitantes são turistas que procuram referências históricas e artísticas, ou fonte de conhecimento e de prazer pela cidade; a idéia é apresentar de forma organizada e estruturada, pela semana de museus, essas atividades”, especificou a coordenadora Angelita Visalli.
Um dos destaques do evento foi a exposição tátil “Para ver com o dedos”, que reservou alguns objetos do museu para ser admirada de uma maneira singular por um grupo diferenciado: os deficientes visuais. Com a possibilidade de tocar algumas peças e encontrar uma explicação em braile sobre a história delas, a estudante Luana Regina Soares, que possui baixa visão, pôde pela primeira vez ir ao museu e “ver” o que os outros “sentem”: “Aqui eu posso sentir do que tudo é feito, para que servem, coisas que fizeram parte da História. É como se as pessoas estivessem “abrindo os olhos” para nós que não enxergamos”.
Para explicar a relação entre os museus e o turismo, foi realizada uma conferência pela coordenadora do Curso de Turismo E Hotelaria da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) e professora do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Dirce Vasconcellos, graduada em Turismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com mestrado em Comunicação Social pela Université Catholique de Louvain (UCL) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). “A intenção é desenvolver a relação dos museus, como potencial artístico e histórico, com o turismo. O foco é no turista estrangeiro, que possui interesse cultural muito grande pelas instituições, e esse atrativo turístico nem sempre é apresentado como uma opção. O ideal é mostrar a importância dos museus para o turismo local e ações para incluir as visitas, como por exemplo, nos pacotes turísticos, como acontece em outros contextos”, explicou a professora a respeito dos principais pontos abordados na conferência do tema estabelecido pelo ICOM em 2009.

Ainda sobre o tema Museus e Turismo, Dirce Vasconcellos aponta uma problemática: “Em Londrina, não há um vínculo de propostas de visitação, não só aos museus, mas também com o patrimônio arquitetônico da cidade, que tanto como o MHL, o MAL e o MCTL, não são incluídos em eventos culturais como o Festival Internacional de Londrina (FILO) e o Festival de Música de Londrina (FML)”. Segundo a professora, deveria existir uma divulgação maior, incluir em programações de evento visitas aos museus, não como parte do acontecimento, mas como uma opção de turismo.

Serviço:
O MHL está localizado na Rua Benjamim Constant, 900 ” Centro (Antiga Estação Ferroviária)
O MAL está localizado na Rua Sergipe, 640 ” Centro
O MCTL se divide em três setores: Centro de Ciências, Observatório e Planetário. Os dois primeiros se situam, um ao lado do outro, no campus da UEL, próximo ao Centro de Educação Física e Esportes (CEFE), enquanto o Planetário está localizado na Rua Benjamin Constant, 800.