Composição de paisagem sonora urbana é tema de pesquisa na UEL

maio 29, 2011

Projeto de pesquisa busca evidenciar a presença de musicalidade em paisagens sonoras urbanas por meio de composições realizadas a partir dos princípios da soudscape composition 

Edição e pauta: Paola Moraes
Reportagem: Ana Carolina Ferezini

“Onde se dá a passagem do sonoro ao musical?” A partir dessa indagação, a professora Fátima Carneiro teve a idéia de iniciar um projeto de pesquisa, no qual coloca alunos e professores envolvidos no processo de composição musical utilizando a escuta como ferramenta principal e dando aos ambientes uma nova perspectiva através da musicalidade. “A idéia principal do projeto é vivenciar composições poéticas a partir de paisagens sonoras.” – explica a coordenadora do projeto, professora do curso de Música da UEL, formadaem Artes Plásticaspela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especializadaem Arte Educaçãopela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Comunicação e Semiótica pela Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), doutora em Música pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e pós-doutoraem Composição Musicalpela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Fátima Carneiro explica que o processo de composição da paisagem sonora, do inglês soundscape composition, inicia-se com a percepção do som de um ambiente urbano, que é captado por um gravador com um microfone específico. Esse material poderá ser modificado em estúdio, adicionando a ele instrumentos acústicos ou elétricos. Até mesmo a voz citando poesias pode ser incorporada. O formato das composições varia de acordo com o estilo de cada compositor. O artista não altera a paisagem em sua composição. Tem a preocupação de retratá-la exatamente como ela é. Dessa forma, o resultado desse ato composicional pode funcionar como registro das paisagens atuais e, com o passar dos anos servir de base para uma comparação com novas paisagens, informa a professora pós-doutora.

A coordenadora completa que a soundscape composition surgiu nos anos 70, quando, preocupado com a mudança da paisagem sonora de Vancouver em função da poluição sonora devido ao crescimento da cidade e ao aumento de automóveis circulando, o compositor canadense Murray Schafer, juntamente com outros compositores e pesquisadores ligados a música, começaram a mapear as paisagens sonoras urbanas da região, registrando-as através de gravações dos ambientes sonoros de diferentes locais. Esse movimento foi alastrando-se com a idéia de ecologia acústica – que estuda a relação entre o homem e o ambiente sonoro em que ele vive.

A pós-doutora conta que ao se inserirem profundamente nas paisagens, os pesquisadores se conscientizaram sobre os perigos trazidos pela poluição sonora e decidiram informar a população. Então, programas educativos foram criados nas rádios. De acordo com Fátima Carneiro, muito material começou a ser gravado pelos compositores que, encantados com as sonoridades produzidas pelas paisagens, passaram a utilizá-las em suas obras, surgindo a partir daí a soundscape composition. “A composição de paisagens sonoras nasce desse movimento preocupado com a ecologia acústica, e parte do ético para o estético, mas sem deixar o ético de lado.”, segundo a entrevistada.

A doutora garante ainda, que se pôde perceber com as experiências realizadas pelo projeto, que ao entrar em contato com as composições, e até mesmo no ato composicional, o sujeito, mesmo que leigo, passa a ver e observar a paisagem sonora de outra forma. Com isso, cria-se o hábito de prestar mais atenção em sonoridades que antes passariam despercebidas, e constatar que a linha que divide o sonoro do musical fica praticamente indiscernível.

O projeto iniciou-se em 2009 e teve seu término prolongado até agosto de2012. Acoordenadora do projeto, Fátima Carneiro, informou que os resultados – as composições realizadas durante esse período – deverão ser expostos em um evento idealizado pelo próprio departamento de música da UEL.

 

 


Política e Religião são focos de projeto do departamento de Ciências Sociais

abril 20, 2010

A pesquisa tem como objeto de estudo o discurso-memória de lideranças religiosas da Igreja Católica na Arquidiocese de Londrina

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta e Reportagem: Bruna Letícia Gonçalves

O projeto de pesquisa “Religião e Política em Londrina-PR: O Discurso- Memória das Lideranças Religiosas” orientado pelo doutor Fábio Lanza ” graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com doutorado na área pela mesma universidade e docente deste mesmo curso na Universidade Estadual de Londrina (UEL) “visa estabelecer relações entre as posturas assumidas pelos diversos setores da Igreja Católica em Londrina, a experiência pessoal dos futuros entrevistados, pertencentes ao clero católico londrinense, e os posicionamentos político-ideológicos do período da Ditadura Militar (1964-1985).

Durante a graduação, o professor enveredou na pesquisa sobre “a Ditadura Militar e a Igreja Católica” e, com uma proposta de mestrado sobre “Discurso-Memória do Clero da Arquidiocese de São Paulo”, trouxe esta mesma idéia de estudos para Londrina.

O Projeto abrange tanto a disciplina de Ciências Sociais, como as de História e de Serviço Social. Assim, está associado com o Laboratório de Estudo sobre Religiões e Religiosidades (LER) – vinculado com a Associação Nacional de História (ANPUH) – e com a disciplina Sociologia das Religiões, além de contar com a colaboração de professores e de alunos das áreas citadas.

A maior referência em pesquisa na área de história oral utilizada é o Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) da UEL. Porém, grande parte do acervo encontrada envolve apenas os pioneiros, com poucas contribuições no campo religioso. “É urgente buscar constituir esses arquivos históricos a partir dos depoimentos, das entrevistas. Temos uma exigência e uma necessidade que envolve tanto a historiografia como a sociologia que é fazer essas entrevistas e procurar prepará-las e disponibilizá-las para o CDPH”, antes que essas memórias sejam perdidas,
alerta o professor.

Com menos de um ano de implantação, o projeto ainda está no começo das pesquisas e entrevistas. “Inicialmente, o nosso foco é privilegiar as fontes, os depoimentos dos possíveis entrevistados que vivenciaram o período da ditadura militar”, conta Lanza e complementa que futuramente pode abranger a atual situação das relações políticas da arquidiocese. Apesar do pouco tempo, o projeto já conta com, em média, dez entrevistas realizadas pelos alunos das
matérias envolvidas e com o desenvolvimento do mesmo, outras ainda serão feitas. Elas podem não possuir um conteúdo muito aprofundado, mas “são referências que não existiam e que vão ser todas doadas para o CDPH”, finaliza o orientador.

Ano 7 – Edição 87 -18/04/2010


Pesquisadora desenvolve estudo de gerenciamento do trânsito de Londrina

maio 25, 2009

A falta de sincronia dos semáforos seria uma das causas das filas de congestionamento na cidade

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Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Tatiane Hirata
Edição: Vitor Oshiro

Atualmente, Londrina conta com mais de 500 mil habitantes e um dos principais setores afetados por esse grande contingente populacional é o trânsito. Pode-se dizer que ele se encontra mais problemático principalmente nos horários de pico, entre às 07h00 e 08h00 e entre às 17h00 e 19h00. Para se ter uma idéia, segundo dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), entre abril de 2008 e abril de 2009, a frota de veículos da cidade aumentou de 239.328 para 255.557. São 16.229 veículos a mais no intervalo de um ano, sem contar os veículos das cidades vizinhas que transitam em Londrina.
Para o condutor londrinense, isso representa perda de tempo em filas de congestionamento, um trânsito perigosamente complicado e muito mais estresse no final do dia. Paulo Corso, que dirige há 15 anos, afirma que é difícil manobrar e estacionar no trânsito de Londrina, porque o “motorista é obrigado a ficar costurando entre os carros”. Para ele, uma das causas do problema é a falta de sincronia dos semáforos, um dos fatores que provoca a criação de filas.
Embora não seja a única causa, a falta de sincronia dos semáforos é um dos maiores agravantes na problemática do trânsito. Pelo menos é isso que afirma a engenheira Silvia Galvão de Souza Cervantes, doutora em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo ela, em Londrina, dos 70 semáforos localizados na malha central, cerca de apenas 10 são elétricos. Os outros todos ainda são eletromecânicos, controlados pelo homem. Eles possuem uma temporização que se mantém constante, baseada em estudo empírico que não atende às necessidades do trânsito do centro de Londrina.
Silvia Cervantes coordena um grupo de pesquisa da Universidade Estadual de Londrina que desenvolve trabalhos de gerenciamento do tráfego de Londrina. A pesquisa é uma continuidade do trabalho de doutorado da engenheira. Ao voltar para Londrina, em 2005, depois de estudar quatro anos em Santa Catarina, a engenheira quis aplicar o estudo na cidade. Procurou a prefeitura e entrou em contato com membros do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), em busca de um convênio para o projeto. “Nós começamos em uma parceria”, conta Silvia, “eles me forneceram dados do funcionamento da malha viária central de Londrina, que é uma das mais problemáticas, e a contagem de veículos, que normalmente é uma informação difícil de obter das prefeituras. Nesse caso, porém, ela foi extremamente participativa, porque também tinha interesse no trabalho”.
A princípio, o trabalho consistia na instalação de sensores magnéticos nos semáforos da malha viária central da cidade. Esses sensores são compostos por um software que faz a contagem dos veículos, que depois pode ser transferida para o computador. Com os dados, desenvolve-se um algoritmo em tempo real a partir do qual se desenvolve um cálculo do melhor tempo de verde para diminuir o tamanho das filas e, conseqüentemente, o atraso. Com isso, obtém-se uma coordenação dos semáforos, a chamada “onda verde”, nome pelo qual se denomina o projeto no site do IPPUL (http://www.londrina.pr.gov.br/ippul/transito/projeto_ondaverde.php).
Entretanto, isso se tornou inviável. “Seria difícil aplicar aqui em Londrina, porque o tempo real envolve um custo maior de implantação. Teria que ter detectores em todas as vias e controladores semafóricos eletrônicos, coisa que não existe muito aqui. Há alguns na Higienópolis, na JK, na Tiradentes e na Maringá, mas no restante, é tudo eletromecânico ainda. São super antigos, não recebem uma programação eletrônica. Então, teria que trocar todos os controladores semafóricos”, afirma a pesquisadora. Além disso, Silvia Cervantes explica que os sensores magnéticos inicialmente aplicados são produzidos fora do país e são difíceis de serem importados.
Com isso, o grupo de pesquisa partiu para o desenvolvimento de um algoritmo em tempo fixo. “Conhecemos a quantidade de veículos que estão circulando na malha e, com essa quantidade, faço um plano de tempo semafórico. Então, calculamos esses tempos semafóricos em tempo fixo e aplicamos esses tempos semafóricos de tal forma a minimizar as filas. Por fim, aplicamos algoritmos de otimização”, diz a engenheira. O sensor utilizado para a contagem de veículos passou a ser um móvel, que funciona através de laços indutivos, que são dispositivos capazes de detectar a passagem de uma massa metálica por um campo indutivo.
Com o atual equipamento semafórico de Londrina, a temporização colocada é fixa. Para mudá-la, um funcionário responsável faz isso manualmente. A pesquisadora diz que o ideal seria ter um tempo de verde e vermelho para cada horário do dia, variando em dias da semana, feriados e finais de semana, de acordo com o movimento de veículos. “Também precisaria de controladores melhores, que recebessem essa programação”, afirma.
Como exemplo, a pesquisadora cita um dos trechos mais problemáticos da malha viária central de Londrina: o cruzamento das ruas Goiás e Duque de Caxias. Conforme dados obtidos pela pesquisa no primeiro semestre de 2008, a capacidade do semáforo (o número suportável de veículos que chega das duas vias, medido de acordo com a largura e tamanho da via) nesse cruzamento é de 1800 veículos por hora, em cada via. Como são duas vias, a capacidade total é de 3.600 veículos. Nos horários de pico, o grupo de pesquisa colheu dados de 2.700 veículos cruzando as duas vias, um número menor do que a capacidade. Teoricamente, portanto, não haveria filas, mas elas existem. Para a pesquisadora, isso se deve ao tempo errado de verde e vermelho utilizado no semáforo da via. O objetivo da pesquisa é desenvolver cálculos de tempo de verde que minimizem problemas como esse.
Atualmente, para vencer a falta de investimentos, o projeto tenta estabelecer um convênio com a atual administração de Londrina. A pesquisadora afirma que isso seria bastante importante para “realizar alguns testes que faltam e para comprar um simulador que revalidaria os resultados obtidos”.
A professora Silvia cervantes afirma ainda que em nenhuma cidade só o gerenciamento semafórico resolve, mas Londrina tem esse problema e precisa ser resolvido. Mesmo que o convênio não saia e não seja possível aplicar os resultados da pesquisa em Londrina, o estudo continuará. “Se não for aplicado aqui, será aplicado em outro lugar”.