Violência, educação e indisciplina

maio 1, 2011

Os temas são abordados por profissionais de diferentes áreas do conhecimento em livro organizado por duas professoras da UEL


Pauta e Edição: Karina Constancio
Reportagem: Leonardo Caruso

Lançado em abril, livro “Violência, educação e indisciplina”, de duas professoras do Departamento de Educação da UEL reúne textos de autores que se encontram em diferentes áreas do conhecimento. Uma das organizadoras, a professora Leoni Maria Padilha Henning, graduada em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná, mestre em Educação pela Mississippi State University e doutora, também em Educação, pela Universidade Estadual Paulista, explicou os motivos da criação da obra, suas relações com a realidade em que estamos inseridos e como foi desenvolvido o projeto.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia do livro?
Profª. Dra. Leoni Maria Padilha Henning: Há alguns anos, um dos colegas de departamento, então diretor do Colégio de Aplicação, teve a idéia de fazer um curso de capacitação (sobre o tema violência e indisciplina na educação) dos docentes do Aplicação e chamou alguns professores do nosso departamento, incluindo eu e a professora Maria Luiza Macedo Abudd, também organizadora do livro, além de outros colegas de outros departamentos em suas diferentes áreas de conhecimento e por 2 anos trabalhamos nesse curso. Nunca tinha pensado esse assunto a partir da filosofia. Achei muito interessante fazer uma análise desse fenômeno a partir de diferentes olhares. Então pensei e falei com minha colega e propus a ela.

Conexão Ciência: E qual é a intenção de vocês ao criarem esse livro? Querem atingir que público?
Profª. Dra. Leoni Maria Padilha Henning: Diante daquela experiência, a fomentação e estimulo da participação de diferentes profissionais sobre o problema é, como cidadãos, um compromisso, uma responsabilidade e no livro abarcamos quem poderia contribuir com o assunto. É um convite para que todos entrem nesse início de debate sobre o problema da violência e educação.

Conexão Ciência: Esse livro é focado aos professores ou algum ramo de profissionais?
Profª. Dra. Leoni Maria Padilha Henning: Eu penso que pode ser usufruído por diferentes setores. Por estarmos trabalhando com estudantes e professores, logo pensamos nesse público. Mas professores, estudantes e cidadãos comuns podem usufruir do livro.É indicado a todos que quiserem se ocupar desse fenômeno social hoje tão incrementado e com situações cada vez mais assustadoras.

Conexão Ciência: Visto esses acontecimentos recentes como casos de bullying e o ocorrido no RJ, o livro traz informações para orientar pessoas que queiram saber como lidar com essas situações?
Profª. Dra. Leoni Maria Padilha Henning: Eu penso que sim. Aqui no livro você vai encontrar a discussão sobre a violência e indisciplina na escola, que é um caso. Mas também há o caso de violência da escola.</i>

Conexão Ciência: O que seria a violência da escola?
Profª. Dra. Leoni Maria Padilha Henning:  Seria o preconceito que está de alguma forma subsumida no comportamento dos professores, funcionários da escola ou na própria grade curricular, havendo previlégio de um assunto em detrimento de outro. Há também a exclusão, pessoas que não são consideradas na discussão do todo daquela comunidade escolar ou não são consideradas em suas individualidades ou cultura. Para essas pessoas, a escola deve ser desconfortável e traumática. Há situações explícitas de violência, e há as implícitas, sugeridas de alguma forma. Muitas vezes a pessoa fala “eu não quis dizer isso! Não quis fazer aquilo!”, mas faz e acaba prejudicando os outros. Às vezes num grau profundo. Tem violência em relação às pessoas, em relação às coisas, às edificações – quando as pessoas quebram as coisas, fazem vandalismo ou roubam o que é patrimônio de todos ou que assim deveria ser entendido. São situações que se pensarmos bem, vão além da escola. A educação, por si mesma, se define como grande esperança na humanidade. Se nós pensarmos que há essas situações desses níveis e que elas afetam a formação humana, acho que é um problema que os educadores deveriam tomar como interessante e não só educadores na escola, mas todos nós exercendo nosso papel, quando educamos de alguma forma o irmão, algum membro da família, os colegas. Nós somos educadores que participam de uma sociedade. Pelo menos deveríamos pensar assim.</i>

Conexão Ciência: Enquanto organizava esse material, a Sra. chegou a alguma conclusão das causas dessa violência e/ou indisciplina?
Profª. Dra. Leoni Maria Padilha Henning: De tudo isso que falamos, podemos perceber quão extenso é o alcance desse tipo de situação e como exige uma consideração muito ampla. Se pensarmos numa sociedade hoje que nos oferece uma série de benefícios, uma série de benesses que podemos usufruir, mas que por outro lado nos coloca com tantas possibilidades, a agitação em que vivemos, querendo fazer tudo, faz com que as famílias se desagreguem um pouco, se desunam, vivendo cada um pra si, cada um fazendo as suas coisas. Há essa preocupação com a formação humana enquanto sociedade. Podemos resgatar a idéia da PAIDEIA GREGA em que as pessoas se preocupavam, tomadas as devidas proporções, com a discussão daquilo que era a virtude do homem grego, feitas nas praças, quais seriam essas virtudes, as mais interessantes para que o sujeito pudesse se inserir na sociedade e fazer diferença nela, ser realmente um cidadão. Era uma concepção de cultura, de educação e formação muito ampla, que abarcava esse espírito do homem dentro de uma sociedade. Com a modernidade e todas essas características do mundo moderno, acabamos atribuindo a uma entidade, a escola, essa função. Esquecemos que a escola está ligada a uma hierarquia de poder, como o estado, tendo que obedecer à políticas públicas e que por outro lado impõem à criança algumas situações que se entendem as mais importantes para a formação. E muitas famílias não se sentem incluídas nesse processo. Então há toda uma rede de instituições dentro da qual a escola está inserida. Observando isso, como vamos dizer onde está a causa [da violência e indisciplina]? Pode estar na família e refletir diretamente na escola, pode estar na dificuldade que o estado tem tido de operar no âmbito da segurança pública, pode ser o problema do desarmamento e a facilidade que as pessoas têm [em adquirir armas], podem ser muitas coisas que somam. Daí a importância dessa forma com que encaramos o fenômeno, chamando para o debate diferentes setores da sociedade, diferentes pessoas de diferentes formações. O próprio fenômeno exige isso. É uma concepção de homem e de sociedade que precisamos investir, nos sentindo corresponsáveis nessa formação.

Conexão Ciência: Como está organizado o livro?
Profª. Dra. Leoni Maria Padilha Henning: O livro tem 9 partes. A primeira são autores que falam sobre violência, indisciplina e educação a partir de uma análise da contribuição da filosofia da educação. Na segunda parte, o tema é ‘analisado’ pela história da educação. Na terceira parte, uma análise pela psicologia da educação. A quarta parte trata das contribuições da antropologia e sociologia da educação. Na quinta parte nos temos ‘violência, indisciplina e educação: uma análise a partir das contribuições da arquitetura e urbanismo’. Na sexta, temos a contribuição da arte e da linguagem. Depois, na sétima parte, temos a contribuição das políticas publicas e do direito. Na parte oito, as contribuições da área da saúde. O esporte entra nessa área, e, como sabemos, é muito importante para a questão de inclusão social e criação de vínculos afetivos. Na nona parte encontramos a avaliação e gestão escolar. No total são 33 autores. Alguns convidados incluíram orientandos na produção dos artigos.

Conexão Ciência: A contribuição da arquitetura e urbanismo vem como na questão da violência?
Profª. Dra. Leoni Maria Padilha Henning: Muitas vezes, aquilo que é patrimônio histórico e tombado como tal, pode não ser bem compreendido pelas pessoas. Pode ser visto como algo que de alguma maneira é uma agressão a essa pessoa. Também suponhamos uma escola arquiteturalmente importante, mas você vê crianças vandalizando e banalizando a construção. Nesse caso, a criança pode não se sentir incluída nessa realidade. O ambiente escolar, estruturalmente, pode encorajar ou desencorajar a movimentação dos alunos e professores pela escola, incentivando ou não a interação entre as pessoas. Existem estruturas que são extremamente limitantes nesse aspecto. É importante o espaço, sentir-se acolhido nele. Há uma questão de ordem pedagógica também. Não adianta o professor se propor a inovar se o espaço no qual trabalha não permitir.

Conexão Ciência: E como foi o processo de seleção dos autores e textos?
Profª. Dra. Leoni Maria Padilha Henning: Foi um trabalho interessante. Busquei muito pela internet. Entrei pelo [site do] CNPq e procurei por assuntos. Quando encontrava alguém que estava ligado ao tema que queria, buscava no currículo suas publicações, o que ela tem feito, onde ela trabalha, há quanto tempo lida com a questão. Conforme eu via que se encaixava, entrava em contato. Muitas pessoas que não me conheciam, e que ainda não conheço pessoalmente, participam da obra.

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Alunos de odontologia levam informação e atendimento à população carente

maio 1, 2011

Programa de extensão do Departamento de Odontologia da UEL procura passar conhecimentos sobre saúde bucal à população não assistida pelo governo

Pauta e Edição: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Pamela Oliveira

“O Programa de Educação Continuada em Saúde Bucal visa atender uma população até então desassistida no que diz respeito a seus problemas bucais”, disse o professor Wagner José Silva Ursi, atual coordenador do projeto, graduado na Universidade Estadual de Londrina (UEL) em odontologia, mestre em Clínicas Odontológicas pela Universidade Paulista e doutor em Materiais Dentários pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo ele, o objetivo do programa, que é realizado há mais de dez anos, é conscientizar os atendidos, ensinando toda a parte preventiva, incluindo bocheco, escovação supervisionada e orientação.

O professor doutor diz ainda que o programa atende aproximadamente dez mil pessoas por mês em todo o município de Londrina, sendo que houve épocas em que o número de atendimentos era maior. “A demanda vem de uma população reprimida e não assistida. Algumas escolas do estado não conseguem atender, então nós acabamos atendendo. Quem determina parte do atendimento é o gestor municipal”, explica, acrescentando que o programa também alcança, além de escolas, outros grupos não previstos pelo município, como asilos, pastorais e creches.

Wagner José Silva Ursi explica que o programa também visa atender aqueles que possuem câncer bucal. “As técnicas em higiene dental, acompanhadas dos alunos de graduação, fazem os atendimentos e, ao detectarem alguma anomalia intra-bucal, encaminham os pacientes ao setor competente dentro da Universidade para fazer o diagnóstico precoce de lesões cancerizadas”, esclarece. Ele explana ainda que o câncer bucal tem uma ocorrência muito alta, principalmente oriundo de hábitos como fumar e ingerir bebidas alcoólicas, afirmando que se detectado precocemente há uma grande chance de cura e, para isso, é necessário consultar um dentista regularmente.

Segundo o professor doutor, os alunos de odontologia que participam do programa se beneficiam muito, pois saem da visão protecionista “intra-muro” da universidade e entram em contato com a realidade da população que atendem. Para ele, como professor e coordenador do programa, é necessário e faz parte da formação do profissional da área da saúde, não só o atendimento da doença, mas também a conscientização dos problemas sociais. “É o aluno quem atua no programa, junto com as técnicas em higiene dental, sob delegação. São eles que fazem todo o procedimento e os levantamentos para sabermos se o programa está dando resultado”, afirma.

O professor explica que para realizar o programa, os alunos de odontologia vão diretamente às escolas, creches, asilos, pastorais e centros comunitários, basicamente para prevenção e conscientização. “O atendimento é feito em cadeiras com iluminação artificial e, apenas quando é detectado alguma doença, quando necessita de atendimento curativo, encaminhamos o paciente para o setor competente da universidade”, diz.


Projeto oferece consultoria para micro e pequenas empresas

maio 1, 2011

Realizado pelo departamento de administração da UEL, disponibiliza conhecimentos acadêmicos para auxiliar a sociedade

Pauta e Edição: Karina Constancio

Reportagem: Guilherme Vanzela

O projeto de extensão de atendimento às organizações empresariais e socioeconômicas de micro e pequeno porte (PROEMS) é coordenado pelo professor Saulo Fabiano Amâncio Vieira, que é graduado em administração pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e mestre e doutor em administração, pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pela Universidade 9 de Julho (UNINOVE), respectivamente. Segundo Saulo Vieira, o estudo busca aplicar o conhecimento de alunos, auxiliando pequenos e médios empresários. “O principal objetivo do projeto PROEMS é prestar serviços de consultoria pra micro e pequenas organizações, fazendo com que os alunos de administração e secretariado executivo possam aplicar na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula, todos com supervisão de docentes”, coloca o Professor Doutor.

O projeto, que teve início no ano de 2010 e tem término previsto para o ano de 2013, possui objetivos específicos. Entre eles: “ampliar a vivência, oferecer conhecimentos adquiridos aos empresários, oportunizar orientação no desenvolvimento de novos negócios, montar um banco de dados destas empresas aqui na administração e, também, garantir condições de desenvolvimento de atividades acadêmicas como uma forma de atividade complementar para nossos alunos,” revela Saulo Vieira.

Uma das atividades práticas desenvolvidas pelo projeto, atualmente, consiste em auxiliar a comunidade indígena da reserva do Apucaraninha, localizada na cidade de Tamarana, no Norte do Paraná“Na verdade este é um dos subprojetos do PROEMS e, em conjunto com o professor Benílson Borinelli*, estamos assessorando a comunidade na estruturação administrativa, buscando um modelo de gestão num programa de sustentabilidade que está sendo implementado lá. Este programa conta, também, com o auxílio de estudiosos de outras áreas, contabilizando ao todo 40 pesquisadores,” pontua o coordenador do projeto.

Outra atividade do projeto consiste no auxílio ao Pró-Esporte, que administra o time de vôlei da cidade de Londrina. “Estamos realizando, a partir do ano de 2011, uma assessoria ao Pró-Esporte que está sendo prestada através do professor Edson Antônio Miura**, o coordenador deste subprojeto. O intuito é criar uma maior identidade do time com as pessoas de Londrina pelo fato de a cidade ainda não ter um histórico de ir torcer pelo time de vôlei, e, também, assessorar na parte do marketing, na qual o professor Miura é especialista”, diz o Doutor.

Ele fala, também, que o projeto busca auxiliar a pequenos e médios empresários de qualquer área, e que havendo interesse basta entrar em contato. “Micro e pequenos empresários que tenham interesse, que estejam abrindo novos negócios, podem entrar em contato com o departamento e requisitar a assessoria, que é feita gratuitamente”, salienta o Professor Doutor Saulo Vieira.

Departamento de Administração da UEL: (43) 3371-4275

* Benílson Borinelli: possui graduação em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (1992), mestrado em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (1998) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2007).

** Edson Antônio Miura: possui graduação em Administração pela Universidade Estadual de Londrina (1990), graduação em Comércio Exterior pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana (1992) , especialização em Desenvolvimento Gerencial e Marketing pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana (1992) , mestrado em Administração pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1998) e doutorado em Ciências Empresariais pela Universidad Del Museo Social Argentino (2007) .