UEL recebe Programa Educativo sobre Fissuras Labiopalatinas

maio 25, 2009

Entre causas e consequências, o evento discutiu as maneiras para tratar o chamado “lábio leporino”

Sorriso - materiaFELIPE - SITE

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Felipe Barros
Edição: Vitor Oshiro

Vulgarmente conhecida por “lábio leporino”, as fissuras labiopalatinas comprometem a anatomia facial do recém-nascido, como resultado de uma malformação durante a 4ª e a 12ª semana de gestação. Consistem em uma abertura na região do lábio, ou do palato ” estrutura que separa as cavidades nasal e bucal ” , podendo, também, atingi-las simultaneamente.*
Foi este o tema do evento realizado, no início do mês, no Hospital Universitário, com a presença de estudantes e profissionais das áreas de medicina, enfermagem, odontologia, pediatria, nutrição e fonoaudiologia. O primeiro Programa Educativo sobre Fissuras Labiopalatinas teve apoio do Centro de Apoio e Reabilitação dos Portadores de Fissura Lábio-Palatal de Londrina e Região (CEFIL), cujo escritório está localizado em Londrina, e da Operação Sorriso do Brasil (OSB).
A OSB é um órgão privado, sem fins lucrativos, que pertence à Operation Smile, uma organização internacional fundada em 1982 e presente em 27 países, atendendo mais de 120.000 crianças. No Brasil, a OSB realiza programas humanitários com profissionais voluntários nos mutirões em regiões carentes do território nacional. Criada em 1997, a OSB já visitou nove estados brasileiros: Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Mais de 28 mutirões atenderam 2,6 mil crianças carentes desses estados.**
Integrante da Operation Smile, Álvaro Fagotti Filho, formado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especializado em cirurgia plástica pela mesma Instituição, foi um dos palestrantes do evento. “O objetivo principal desse encontro é mobilizar os universitários, estimulando a parte científica e médica do tema”, explica.
Em Londrina, a realização de cirurgias plásticas reparadoras ainda é recente. “O Cefil, até dois anos atrás, encaminhava crianças para locais como Curitiba e Bauru. Há dois anos, eu comecei a fazer cirurgias no HU e as crianças não precisam mais tratar fora da cidade. Elas tem, aqui, um centro de tratamento”, afirma.
O Hospital de Reabilitação de Anomalias Cranofaciais da Universidade de São Paulo, mais conhecido por Centrinho, estima que um em cada 650 recém-nascidos apresente fissura labiopalatina, representando, atualmente, 280.000 pessoas. As causas específicas, porém, ainda não foram descobertas. De acordo com Fagotti Filho, os pais precisam estar atentos a possíveis perigos no período da gravidez. “Vários estudos apontam que a maioria dos casos se relaciona com problemas como nutrição não-balanceada, uso de drogas, cigarros ou medicamentos”, esclarece. O cirurgião plástico, no entanto, ressalva: “existem os casos randômicos, que são a minoria, ligados ao fator genético. Por vezes, tudo é feito corretamente e, mesmo assim, a criança nasce com fissura”.
As diferentes formas da anomalia permitem uma série de tratamentos distintos, os quais envolvem a colaboração de profissionais de diferentes áreas da saúde durante um longo processo. São feitas, no mínimo, duas cirurgias reparadoras na região do lábio e do palato. O aleitamento materno exige um maior cuidado para evitar a aspiração do leite e uma eventual desnutrição do bebê. A criança, também, deve praticar exercícios de fonoaudiologia a fim de não ter a fala comprometida, bem como fazer uso de aparelhos ortodônticos. Psicólogos podem ser necessários em casos de difícil aceitação dos pais à criança com fissura.***
O diagnóstico da fissura labiopalatina pode ser feito durante a gravidez através do ultrassom e é recomendável o tratamento do paciente ainda no início de vida. Para quem quiser mais informações, entrar no site http://www.centrinho.usp.br.

* Fonte: http://www.centrinho.usp.br
**Fonte: http://www.operacaosorriso.org.br/
***Fonte: http://www.saudetotal.com.br/artigos/fonoaudiologia/fissura.asp