Pesquisa do IAPAR estuda as microalgas como fonte de energia

abril 20, 2010

Projeto busca a produção de combustíveis a partir de óleos extraídos desses micro-organismos

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Lucas Martins

Microalgas são, segundo os conceitos da Biologia, seres unicelulares que representam a base da cadeia alimentar de muitos ecossistemas aquáticos. Entretanto, para o projeto desenvolvido pela pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Dra Diva de Souza Andrade – graduada em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), mestre em Ciências do Solo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutora em Ciência Biológicas pela London University Wye College ” esses micro-organismos têm outras funções. Segundo a doutora, esse

trabalho desenvolvido no IAPAR pretende descobrir uma maneira de retirar, de forma comercial, o óleo de certas microalgas para a produção de biocombustíveis. Em entrevista ao Conexão Ciência, ela explica mais sobre esses estudos:

Conexão Ciência: No que consiste o projeto?
Dra Diva de Souza Andrade:
O projeto consiste no desenvolvimento de tecnologias para a multiplicação em massa das microalgas, visando a produção de meios combustíveis e outros produtos a base desses micro-organismos Para isso, o IAPAR pretende fazer um levantamento do estado da arte do que já tem publicado e conhecer todas as espécies que já estão catalogadas.

Conexão Ciência: E como surgiu a ideia de montar este projeto?
Dra Diva de Souza Andrade:
O IAPAR trabalha já com bioenergia de plantas, visando a produção de biocombustíveis, em parceria com algumas empresas: como a Companhia Paranaense de Energia (COPEL) e a Petrobras. E, mais recentemente, a COPEL veio com essa demanda de produzir fontes alternativas de energia por meio de micro-organismos,querendo que nós utilizemos esses seres vivos para a retirada da massa e da extração de lipídeos.


Conexão Ciência: E como desenvolve o cultivo dessa microalga?
Dra Diva de Souza Andrade:
O cultivo principal dela é em água, tanto em salobra (mares), como água doce (lagoas). São nesses lugares que ela consegue crescer e ser uma fonte de alimento para outros seres. Como elas são micro-organismos fotossintéticos ” conseguem realizar a fotossíntese, como as plantas durante o dia, também podem diminuir a liberação do gás carbônico e produzir uma quantidade num tempo muito mais rápido do que as plantas.

Conexão Ciência: Qual é o custo-benefício desse tipo de combustível?
Dra Diva de Souza Andrade:
O custo-benefício seria a possibilidade de uma grande produção dessa biomassa e o fornecimento de matéria-prima suficiente para suprir uma grande parte de nossas indústrias e também por ser uma energia renovável. Além disso, ela pode ser cultivada em locais que não sejam destinados para plantas de grãos e alimentos. Esses seriam os seus benefícios. Mas, até o momento, ainda não existe um cultivo que seja de larga escala e viável economicamente. Existem criações de laboratórios em quantidades menores. Porém, o custo ainda é alto para produzir essa biomassa.

Conexão Ciência: Para que seria usado esse biocombustível?
Diva de Souza Andrade:
A demanda seria para energia. Mas, os óleos que são extraídos dessas microalgas já são estudados há muitos anos em vários países. Esses lipídeos também podem ser usados em cosméticos e para a alimentação. E, no caso, a COPEL exigiu para que esses estudos sejam dirigidos para a criação de óleos combustíveis que seriam uma fonte de energia alternativa. Mas, até no momento, o projeto está na sua fase inicial. Pode ser que o mais viável economicamente não seja combustível de veículos, e sim, para outros coprodutos.

Conexão Ciência: A retirada em massa desses micro-organismos pode destruir o ecossistema?
Diva de Souza Andrade:
A princípio, existem coleções de microalgas que estão sendo formadas pelo IAPAR. Portanto, a retirada delas não seria do ecossistema. Só seria uma cédula que seria multiplicada em laboratórios por meio de biorreatores1. E, a produção do biocombustível seria em condições controladas.

1.biorreatores: Sistema de frascos de vidros contendo material biológico para ser reproduzido. Por meio de tubos de borracha flexíveis que os interligam, os recipientes recebem ar e água por aspersão – processo constituído por respingos de substâncias ” e borbulhamento.

Ano 7 – Edição 87 -18/04/2010

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Projeto analisa Período Militar no Brasil

abril 20, 2010

Estudo busca discutir e ampliar os conhecimentos a respeito dos governos militares na América Latina, com destaque para o brasileiro


Edição: Fernanda Cavassana
Pauta e Reportagem: Guilherme Vanzela

O projeto “O Brasil se prepara para o golpe militar” coordenado pelo professor Hernan Ramiro Ramirez, Licenciado e Bacharel em História e Mestre em Partidos Políticos pela Universidad Nacional de Córdoba (Argentina), Doutor em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRS), e Pós-Doutorado em Ciência Política no Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (IUPERG), aborda segundo o doutor Ramirez, um tema muito importante em muitos aspectos, não apenas desde o ponto de vista histórico. “Muitos desdobramentos têm tido consequências políticas e sociais concretas para a vida em democracia”, afirma o coordenador.


De acordo com o Dr Hernan Ramirez, o tema da ditadura militar se encontra ainda um tanto encoberto para a sociedade brasileira. “O que me preocupa é que as ditaduras são vistas como militares e não em toda sua dimensão. A sociedade civil participou, por isso devemos considerar esses eventos como civico-militares. Empresários, meios de comunicação, igrejas, políticos de diversos partidos, ainda na ativa, e acadêmicos, dentre outros, foram fundamentais para desestabilizar os governos democraticamente constituídos e fizeram parte das administrações autoritárias”, argumenta Hernan Ramirez.

O papel dos meios de comunicação no período e o discurso que os militares transmitiam por meio deles,é presente nas discussões do projeto. De acordo o Dr Ramirez, “os militares não agiram sozinhos, eles tiveram apoio para deslegitimar o governo Jango, durante o golpe e para tocar e legitimar a ditadura depois. O Estadão estava metido no golpe até o pescoço. A Folha inclusive emprestava seus carros para a operação Bandeirantes. Apenas a Última Hora do Samuel Wainer, sustentava o Jango”, e ele complementa falando que os militares optaram em usar os meios de comunicação já existentes, comprando espaço e pressionando alguns dos seus donos, editores e jornalistas ao invés de criar meios próprios.

A questão da “marcha da família com Deus pela liberdade”, movimento que deu certa sustentação ao regime militar, também é abordada no projeto. O professor identifica que houve grande manipulação para que realmente ocorresse o protesto. “No meu livro e no do Dreifuss¹, que me serviu de base, fica claro que não foi um movimento espontâneo, importantes setores da sociedade civil estavam participando de forma articulada. Inclusive, já em 1962, em uma reunião do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES), um dos seus membros colocava a questão de como a classe média poderia ser manobrada para os seus propósitos. E mais, colocava a mulher como virtual ponta de lança da estratégia. A aliança da cruz, da espada e do dinheiro já se deu várias vezes na história mundial. A Igreja até essa época tinha muito poder ideológico. No entanto devemos distinguir: a Igreja de 1964 não era a de 1968”, afirma o professor.

Ao ser perguntado sobre punições as pessoas envolvidas em crimes de tortura, Hernan Ramirez fez a seguinte consideração: “O delito de tortura é considerado pela justiça internacional como imprescritível. Devem ser julgados, não apenas para punir, mas para demonstrar que as instituições funcionam e reparam, mas tarde do que cedo, as atrocidades cometidas”, e conclui dizendo: “Essas são discussões circulares, que permanecerão vivas enquanto os atores sociais que as protagonizaram permanecerem vivos e as suas consequências ainda sejam sentidas”.

1. O cientista social René Armand Dreifuss é graduado em Ciências Políticas e História pela Universidade de Haifa, em Israel, mestre em Política, pela Universidade de Leeds e PhD em Ciência Política pela Universidade de Glasgow, ambas na Grã Bretanha. Escreveu vários livros como 1964: A Conquista do Estado (Vozes, 1981); A Internacional Capitalista (Espaço & Tempo, 1986); O Jogo da Direita na Nova República (Vozes, 1989); Política, Poder, Estado e Força – Uma Leitura de Weber (Vozes, 1993); A Época da Perplexidade (Vozes, 1996).

Ano 7 – Edição 87 -18/04/2010


Política e Religião são focos de projeto do departamento de Ciências Sociais

abril 20, 2010

A pesquisa tem como objeto de estudo o discurso-memória de lideranças religiosas da Igreja Católica na Arquidiocese de Londrina

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta e Reportagem: Bruna Letícia Gonçalves

O projeto de pesquisa “Religião e Política em Londrina-PR: O Discurso- Memória das Lideranças Religiosas” orientado pelo doutor Fábio Lanza ” graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com doutorado na área pela mesma universidade e docente deste mesmo curso na Universidade Estadual de Londrina (UEL) “visa estabelecer relações entre as posturas assumidas pelos diversos setores da Igreja Católica em Londrina, a experiência pessoal dos futuros entrevistados, pertencentes ao clero católico londrinense, e os posicionamentos político-ideológicos do período da Ditadura Militar (1964-1985).

Durante a graduação, o professor enveredou na pesquisa sobre “a Ditadura Militar e a Igreja Católica” e, com uma proposta de mestrado sobre “Discurso-Memória do Clero da Arquidiocese de São Paulo”, trouxe esta mesma idéia de estudos para Londrina.

O Projeto abrange tanto a disciplina de Ciências Sociais, como as de História e de Serviço Social. Assim, está associado com o Laboratório de Estudo sobre Religiões e Religiosidades (LER) – vinculado com a Associação Nacional de História (ANPUH) – e com a disciplina Sociologia das Religiões, além de contar com a colaboração de professores e de alunos das áreas citadas.

A maior referência em pesquisa na área de história oral utilizada é o Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) da UEL. Porém, grande parte do acervo encontrada envolve apenas os pioneiros, com poucas contribuições no campo religioso. “É urgente buscar constituir esses arquivos históricos a partir dos depoimentos, das entrevistas. Temos uma exigência e uma necessidade que envolve tanto a historiografia como a sociologia que é fazer essas entrevistas e procurar prepará-las e disponibilizá-las para o CDPH”, antes que essas memórias sejam perdidas,
alerta o professor.

Com menos de um ano de implantação, o projeto ainda está no começo das pesquisas e entrevistas. “Inicialmente, o nosso foco é privilegiar as fontes, os depoimentos dos possíveis entrevistados que vivenciaram o período da ditadura militar”, conta Lanza e complementa que futuramente pode abranger a atual situação das relações políticas da arquidiocese. Apesar do pouco tempo, o projeto já conta com, em média, dez entrevistas realizadas pelos alunos das
matérias envolvidas e com o desenvolvimento do mesmo, outras ainda serão feitas. Elas podem não possuir um conteúdo muito aprofundado, mas “são referências que não existiam e que vão ser todas doadas para o CDPH”, finaliza o orientador.

Ano 7 – Edição 87 -18/04/2010