Pesquisa estuda a utilização de vigas de madeira como reforço para pontes

junho 16, 2009

Professor de Engenharia Civil da UEL propõe aumento de resistência de pontes de madeira com vigas armadas feitas de Pinus e Eucalipto

Foto-Camila -   httpwww.der.ro.gov.brmenorPauta: Ana Carolina Contato
Repórter: Camila Venceslau
Edição: Beatriz Assumpção
“No Brasil cerca de 1.600.000 km do sistema viário são de estradas, e deste total apenas 10% é pavimentado. Os 90% que sobram ainda são de estradas sem asfalto”, de acordo com o professor da UEL e doutor em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo (USP), Everaldo Pletz.
As estradas asfaltadas contam com pontes feitas em concreto, que, segundo o professor da UEL, são mais resistentes. Já a parte que não tem pavimentação possui pontes em madeira, que muitas vezes não suportam cargas muito pesadas.
Pensando em solucionar parte dos problemas com as pontes em madeira, o pesquisador Everaldop Pletz juntamente com estudantes do curso de Engenharia Civil da Universidade implantou o projeto Estudo de Vigas de Madeira ” EVAM.
Pletz afirma que apesar de a maioria das pontes brasileiras serem em madeira e se localizarem em estradas secundárias, possuem um papel importante na economia do país. Desse modo, o objetivo do projeto é desenvolver alternativas para este tipo de ponte, viabilizando o processo econômico do país, com o uso de madeiras de reflorestamento.
O projeto que teve início em 2005 estudou primeiramente as vigas de madeira de Pinus Taeda e Eucalipito Citriodora. Para o professor, as madeiras destas espécies são de crescimento rápido e sua extração não afeta a natureza, desde que as árvores extraídas sejam substituídas por outras.
Para que a armação das pontes fique mais resistente, os participantes do EVAM propõem utilizar as vigas de Pinus e de Eucalipto armadas com barras de aço, o que aumenta a capacidade de suportar a passagem de caminhões com cargas pesadas.
Outra técnica apresentada pelo projeto é a fixação das vigas uma do lado da outra, juntamente com barras de aço. Este sistema também provoca um efeito cooperativo entre as vigas, o que aumenta seu potencial de sustentação.
O coordenador do projeto diz ainda, que o que influenciou na escolha dessas espécies, é que o Pinus Taeda é rejeitado pelas construtoras por ser mais leve. Apesar disso, possui muitas qualidades nas construções. “O Pinus é bastante leve e assimila bem os tratamentos de preservação da madeira. Por ser leve, ninguém imagina que pode ser utilizado para este fim. Por isso, estamos agregando valor a uma madeira que muitos desacreditam e que pode ser encontrada em grande quantidade no estado do Paraná”, completa. Segundo Pletz, o Eucalipito Citriodora é mais procurado, pois possui bastante resistência e por isso é mais utilizado em construções e grandes estruturas.
O professor ressalta também, que a madeira de reflorestamento possui propriedades diferentes da madeira de lei, que é a mais usada na confecção de pontes, por isso, a de reflorestamento precisa ser estudada em todas as suas possibilidades de uso para ser bem aproveitada.
O teor de umidade, por exemplo, é uma das características da madeira que deve ser analisada. A umidade influi na rigidez das peças de madeira, podendo causar sua degradação ao longo do tempo. Peças umidecidas demais podem ficar inchadas e se secas em excesso, sofrem retração. Para solucionar as variações que acontecem com a madeira, os pesquisadores utilizam o processo de compensação com o acréscimo de vigas no início das estruturas das pontes, para que caso aja a retração ou inchaço da madeira, estes efeitos sejam compensados sem prejudicar o potencial de cargas das pontes.
O projeto EVAM já está em fase de conclusão e apresentou resultados positivos até agora. “Constatamos a viabilidade do sistema. Uma técnica simples e que utiliza matéria prima de reflorestamento”, conclui o coordenador do projeto.
Após o término dos relatórios que marcam o encerramento do projeto, ele será apresentado às secretarias de agricultura das cidades, responsável pela construção de pontes de madeira em propriedades rurais.

 

Ano 6 – Edição 68 – 15/06/2009

 

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