Contaminação dos alimentos por fungos

maio 29, 2011

Projeto de pesquisa busca métodos mais eficazes de detecção de micotoxinas

Pauta: Claudia Hirafuji
Edição: Paola Moraes
Reportagem: Rosana Reineri

O projeto de pesquisa “Estratégias para minimização da contaminação de alimentos por fungos toxigênicos” coordenado pela professora doutora Elisabete Yurie Sataque Ono, da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em parceria com a professora Dra. Elisa Yoko Hirooka* da mesma universidade, visa estudar possíveis métodos para agilizar a identificação de micotoxinas a fim de garantir a segurança e qualidade dos alimentos.

A professora Elisabete Ono possui graduação em Farmácia pela UEL, mestrado e doutorado em Ciências de Alimentos, pela mesma instituição, e pós-doutorado pela National Food Research Institute no Japão.

Conexão Ciência: Em que consiste o projeto que vocês estão desenvolvendo?
Profa. Dra. Elisabete Ono:
Neste projeto propõem-se monitorar a contaminação por fungos e micotoxinas em alimentos, contribuindo para a melhoria da qualidade dos produtos agrícolas, visando atender as exigências do mercado no mundo globalizado.

Conexão Ciência: Como é feito o monitoramento e quais são as técnicas de analise empregadas nesse processo?
Profa. Dra. Elisabete Ono: Para a análise de micotoxinas é utilizado cromatografia líquida de alta eficiência que determina a concentração de micotoxinas existentes em um determinado produto. É colhida a amostra e passada pela máquina de cromatografia para identificar se existe a micotoxina, qual é a sua variedade e concentração, ou seja, a quantidade existente no produto.

Conexão Ciência: Quais são os produtores de micotoxina?
Profa. Dra. Elisabete Ono: São os fungos classificados como toxigênicos. Os que são mais comuns em alimentos são os Aspergillus, Fusarium e Penicillium. Eles são os mais estudados e os mais freqüentes em produtos agrícolas.

Conexão Ciência: Quais os malefícios que as micotoxinas podem causar?
Profa. Dra. Elisabete Ono:
Depende da micotoxina. Existem vários tipos, por exemplo, as Aflatoxinas, frequentes no amendoim, são carcinogênicas, ou seja, causadoras de câncer. As Fumonisinas, frequentes no milho, causam em cavalos leucoencefalomalácia, que é a necrose cerebral, levando o animal a óbito, em suínos, causam edema pulmonar e em humanos, existem estudos epidemiológicos que correlacionam a contaminação do milho por fumonisinas com o câncer esofágico e o câncer hepático.

Conexão Ciência: Quais são os procedimentos a serem adotados a fim de minimizar esta contaminação por micotoxinas?
Profa. Dra. Elisabete Ono: É necessária a utilização das boas práticas agrícolas, ou seja, a colheita na época certa, a secagem rápida do grão, depois a armazenagem correta, em uma temperatura adequada, na qual não exista o risco de ocorrer uma reumidificação. O teor de umidade deve ser bastante controlado, porque depois que o grão estiver seco ele não deve ser reumidificado. O fungo pode se desenvolver e se multiplicar dependendo destas condições.

Conexão Ciência: A senhora acredita que os produtos para consumo humano já são adquiridos com esta contaminação ou eles podem ser contaminados posteriormente à compra?
Profa. Dra. Elisabete Ono: Muitos produtos já têm esta contaminação. Em casa não se deve deixar o produto aberto, em local úmido e exposto à luz. Se as condições de armazenamento destes produtos não for de maneira correta o fungo pode se instalar, se desenvolver e se multiplicar neste alimento.

Conexão Ciência: Quais são os resultados obtidos com a pesquisa até o momento?
Profa. Dra. Elisabete Ono
: Eu tenho trabalhado bastante com o milho, aproximadamente 95% do milho analisado está contaminado por Fumonisinas, embora a maior porcentagem esteja abaixo dos limites máximos tolerados pela FDA (Food and Drug Administration) **, estamos percebendo que ao longo dos anos o grau desta contaminação está diminuindo, isto porque os processadores de grãos tem se preocupado com a armazenagem e os produtores rurais estão recebendo orientação e assistência para implantação das boas práticas agrícolas.

Conexão Ciência: Quais os resultados esperados?
Profa. Dra. Elisabete Ono:
Estamos trabalhando, principalmente com os estudantes da professora Elisa, para o desenvolvimento de reagentes para a detecção rápida dessas micotoxinas. A professora Elisa trabalha em intercâmbio com pesquisadores do Japão e os estudantes dela tem trabalhado para o desenvolvimento de métodos imunoenzimáticos, que são métodos rápidos para a detecção de micotoxinas, isto vai auxiliar no monitoramento da ocorrência destas diferentes micotoxinas. Atualmente existem alguns métodos rápidos de análise, mas eles não são 100% confiáveis, é necessário cautela na interpretação dos resultados, existem métodos que acusam falso positivo, por exemplo. É preciso saber interpretar e depois confirmar com algum outro método químico, mais preciso.

* Elisa Yoko Hirooka: Graduação em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Estadual de Londrina, Mestrado em Ciência de Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina e Doutorado em Engenharia de Alimentos (Área Ciência de Alimentos) pela Universidade Estadual de Campinas. Atuou como Pesquisador Visitante em Science University ot Tokyo, assim como Pós-Doutorado em Meijo University, Japão.

 

** A Food and Drug Adiministration (FDA ou USFDA) É uma agência do United States Departmente of Health and Human Services. A FDA é responsável por proteger e promever a saude pública através da regulação e supervisão da segurança alimentar, produtos de tabaco, suplementos alimentares, prescrição de medicamentos, vacinas, biofármacos, transfusões de sangue, produtos veterinários e cosméticos.


Curso ressalva a importância da História em documento

maio 29, 2011

A promoção do Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) teve a finalidade de discutir e orientar a respeito da documentação histórica e sua preservação

Fotos que provêm de doadores revelam os efeitos da deteorização pela falta de cuidados específicos

 

Edição e pauta: Paola Moraes
Reportagem: Nathalia Maciel

Foi realizado nos últimos dias 17 e 18 de maio, no Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH), vinculado ao Departamento de História e ao Centro de Ciências Humanas (CCH) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o curso “Organização e Preservação de Periódicos e Fotografias”. O coordenador da iniciativa é o professor Marco Antônio Neves Soares, graduado em História pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), onde concluiu também mestrado e doutoradoem História Social.

O curso, dirigido a 20 inscritos, entre eles alunos da área de humanas da UEL e profissionais interessados na preservação de documentos históricos, foi ministrado pelas funcionárias do CDPH Leila Bernardes Rosa e Laureci Silvana Cardoso, juntamente com os alunos estagiários Sara Vicelli de Carvalho e Alyson Ferraz de Barros, que cursam o último ano do curso de História da UEL.

Poline Fernandes Thomaz, aluna do curso de Arquivologia da UEL e participante do curso, em visita ao acervo do CDPH

Além de apresentarem as atividades realizadas pelo CDPH, que possui um vasto acervo documental público e privado, prioritariamente regional, e que serve a pesquisadores de diversas áreas e cursos da UEL, os ministrantes ressaltaram a importância dos materiais preservados enquanto fontes e objetos da História, produtos e produtores de memória. Entre eles podem ser encontradas fotografias, revistas extintas, jornais, teses, mapas e audiovisuais, resquícios do passado que na mão de historiadores são transformados em documentos.

“O curso é uma maneira de divulgar o CDPH. Muita gente, dentre os próprios alunos de História, não sabe da existência desse acervo”, disse a estagiária Sara Carvalho e acrescentou: “Grande parte das pessoas inscritas já atua na área da preservação documental, por isso o curso acaba promovendo também um intercâmbio de informação e de experiências que é muito válido”.

Orientaçõs práticas sobre restauração, preservação e fichamento dos materiais a serem arquivados. Na foto: Sara Carvalho com os alunos do curso

Técnicas de organização e acondicionamento, bem como práticas de manuseio, de fotografias e periódicos foram orientadas aos ouvintes do curso, que puderam conferir de perto os efeitos da deterioração causada pela falta de cuidados encontrada em materiais doados ao acervo.  A digitalização também teve o enfoque merecido, uma vez que evita o contato direto com o material a ser pesquisado. Conforme informaram as funcionárias, o CDPH disponibiliza em seu site algumas páginas digitalizadas pertencentes ao acervo e tem planos de digitalizar a Folha de Londrina desde o seu início, por volta dos anos 50, para que não se perca essa riqueza histórica local. Por conta da fragilidade do material, por enquanto está suspensa a consulta aos exemplares da Folha de até meados dos anos 70.

No cronograma do curso constava, além de discursos e demonstrações, uma visita guiada ao acervo do CDPH, tida como a parte prática do curso. Quando perguntado sobre o que motivou o curso, o coordenador esclareceu que o mesmo corresponde justamente à função que tem o CDPH, que, além da preservação e organização de arquivos, deve cumprir seu objetivo de promover a socialização do conhecimento.


Profissionais buscam a adequação de livros infanto-juvenis

maio 29, 2011

Projeto de pesquisa do Departamento de Design congrega várias áreas do saber para encontrar a melhor forma de fazer livros infanto-juvenis

Edição e pauta: Paola Moraes
Reportagem: Adriana Gallassi 

“As crianças são um público vulnerável a qualquer tipo de informação”, declara a coordenadora do projeto Rosane Fonseca de Freitas Martins, graduadaem Desenho Industrialpela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), mestre em Administração de Empresas pela Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) e Doutora em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Assim, continua a coordenadora, é necessário que os livros destinados a esses grupos sejam bem planejados, tanto para facilitar a educação como também para informá-las e auxiliá-las em desafios do seu dia-a-dia.

Diante de parcerias que eram solicitadas, principalmente pelo Departamento de Psicologia, para a ilustração de projetos infantis, surgiu a ideia, segundo Rosane Fonseca, de criar o projeto de pesquisa “Selo editorial infanto-juvenil da EDUEL: avaliação e proposição de livros infanto-juvenis”, justamente para que estes não ficassem guardados e pudessem ser úteis a população. De acordo com a professora doutora, a ausência de mensagens nas histórias e a inadequação da imagem ao assunto que o livro trata são os principais problemas dos livros infanto-juvenis, tanto os didáticos quanto os de entretenimento.

Esse projeto, que só foi formalizado no ano passado, mas que já vem sendo construído desde 2008, paralelamente à criação do selo editorial infanto-juvenil da editora da Universidade Estadual de Londrina (EDUEL), conta com os estudos de várias áreas do conhecimento. A coordenadora explica que os profissionais de Letras adequam a linguagem à faixa etária e ao assunto tratado nos livros. Os de Educação cuidam do conteúdo didático. Os Designers adaptam a linguagem visual à mensagem do texto escrito e à idade da criança ou adolescente. Para isso se utilizam das cores, formas, fontes que facilitem o entendimento desse leitor.

A Prof.ª Dr.ª Rosane Fonseca com os livros publicados

Segundo a entrevistada, esses estudos da área de Design Gráfico são baseados na Gestalt, um ramo da psicologia que estuda a percepção humana, principalmente a da visão. “As imagens não estão ali simplesmente para ilustrar, elas são feitas para ajudar na memorização ou no aprendizado”, afirma a professora doutora. Inclusive, os designers precisam ficar atentos nas imagens, pois estas não podem conter cenas que incitem perigo ou comportamentos indesejáveis, como, por exemplo, uma criança com uma faca na mão. Os psicólogos participam desde as proposições dos assuntos a serem discutidos até a melhor maneira de passá-los às crianças e adolescentes.

Os livros infanto-juvenis que possuem o selo da EDUEL trazem a faixa etária à que são destinados, dicas de como eles podem ser usados pelos professores, pais e médicos – no caso de livros da Coleção Saúde – e alguns possuem jogos educativos. Já são nove livros publicados. Além disso, estão para serem lançados livros com assuntos como: bullying, leis de trânsito, reciclagem e comportamento no hospital.

Nesse momento, o projeto está em processo de pesquisas com as crianças, para ver as percepções delas em relação aos conteúdos dos livros como um todo. Desta maneira, busca-se aperfeiçoar os livros já publicados e principalmente os que estão em processo de criação. “É o que a gente pode proporcionar de bem para essa cidade, pois o que a gente deixa é educação, é livro. Esse é o papel da universidade. Informar, educar, perpetuar o conhecimento”, diz a professora doutora sobre o papel social do projeto.

 

Todos os integrantes da UEL podem criar histórias infantis e submetê-las à avaliação na editora da Universidade. “Tem muito talento escondido na UEL”, garante a professora doutora. Contudo, mesmo as pessoas que não tem vínculos com a instituição podem enviar suas histórias. Estas devem ser enviadas para a Editora EDUEL. Tudo que é recebido passa pelo Conselho Editorial e só depois os conteúdos sem ilustrações são enviados para o projeto de pesquisa. Porém, nem todos os tipos de histórias são aceitas, é necessário que elas tenham um caráter didático ou informativo. Os escritores não têm custo algum na produção das ilustrações do livro. Para obter mais informações sobre como enviar a sua história, entre no site: http://www.uel.br/editora/portal

 


Composição de paisagem sonora urbana é tema de pesquisa na UEL

maio 29, 2011

Projeto de pesquisa busca evidenciar a presença de musicalidade em paisagens sonoras urbanas por meio de composições realizadas a partir dos princípios da soudscape composition 

Edição e pauta: Paola Moraes
Reportagem: Ana Carolina Ferezini

“Onde se dá a passagem do sonoro ao musical?” A partir dessa indagação, a professora Fátima Carneiro teve a idéia de iniciar um projeto de pesquisa, no qual coloca alunos e professores envolvidos no processo de composição musical utilizando a escuta como ferramenta principal e dando aos ambientes uma nova perspectiva através da musicalidade. “A idéia principal do projeto é vivenciar composições poéticas a partir de paisagens sonoras.” – explica a coordenadora do projeto, professora do curso de Música da UEL, formadaem Artes Plásticaspela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especializadaem Arte Educaçãopela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Comunicação e Semiótica pela Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), doutora em Música pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e pós-doutoraem Composição Musicalpela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Fátima Carneiro explica que o processo de composição da paisagem sonora, do inglês soundscape composition, inicia-se com a percepção do som de um ambiente urbano, que é captado por um gravador com um microfone específico. Esse material poderá ser modificado em estúdio, adicionando a ele instrumentos acústicos ou elétricos. Até mesmo a voz citando poesias pode ser incorporada. O formato das composições varia de acordo com o estilo de cada compositor. O artista não altera a paisagem em sua composição. Tem a preocupação de retratá-la exatamente como ela é. Dessa forma, o resultado desse ato composicional pode funcionar como registro das paisagens atuais e, com o passar dos anos servir de base para uma comparação com novas paisagens, informa a professora pós-doutora.

A coordenadora completa que a soundscape composition surgiu nos anos 70, quando, preocupado com a mudança da paisagem sonora de Vancouver em função da poluição sonora devido ao crescimento da cidade e ao aumento de automóveis circulando, o compositor canadense Murray Schafer, juntamente com outros compositores e pesquisadores ligados a música, começaram a mapear as paisagens sonoras urbanas da região, registrando-as através de gravações dos ambientes sonoros de diferentes locais. Esse movimento foi alastrando-se com a idéia de ecologia acústica – que estuda a relação entre o homem e o ambiente sonoro em que ele vive.

A pós-doutora conta que ao se inserirem profundamente nas paisagens, os pesquisadores se conscientizaram sobre os perigos trazidos pela poluição sonora e decidiram informar a população. Então, programas educativos foram criados nas rádios. De acordo com Fátima Carneiro, muito material começou a ser gravado pelos compositores que, encantados com as sonoridades produzidas pelas paisagens, passaram a utilizá-las em suas obras, surgindo a partir daí a soundscape composition. “A composição de paisagens sonoras nasce desse movimento preocupado com a ecologia acústica, e parte do ético para o estético, mas sem deixar o ético de lado.”, segundo a entrevistada.

A doutora garante ainda, que se pôde perceber com as experiências realizadas pelo projeto, que ao entrar em contato com as composições, e até mesmo no ato composicional, o sujeito, mesmo que leigo, passa a ver e observar a paisagem sonora de outra forma. Com isso, cria-se o hábito de prestar mais atenção em sonoridades que antes passariam despercebidas, e constatar que a linha que divide o sonoro do musical fica praticamente indiscernível.

O projeto iniciou-se em 2009 e teve seu término prolongado até agosto de2012. Acoordenadora do projeto, Fátima Carneiro, informou que os resultados – as composições realizadas durante esse período – deverão ser expostos em um evento idealizado pelo próprio departamento de música da UEL.

 

 


Estudo analisa enfermeiros de pronto socorro sob estresse

maio 9, 2011

Projeto de pesquisa busca identificar as cargas à que os enfermeiros estão expostos e encontrar estratégias que promovam a saúde dos mesmos

Pauta e Edição: Paola Moraes
Repórter: Yudson Koga

Correria e noites em claro em um pronto socorro são rotinas para os enfermeiros, que são submetidos a constantes e diversas pressões. Ao notar certo estresse por parte dos enfermeiros no Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná (HURNP) e motivada por ser docente e supervisora de estágio dos alunos no pronto socorro, a coordenadora do colegiado do curso de enfermagem na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Julia Trevisan Martins, graduada em Enfermagem e Obstetrícia pela Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina, mestra e doutora de Enfermagem na Saúde do Trabalhador pela Universidade de São Paulo (USP), decidiu realizar um projeto de pesquisa a respeito das cargas no trabalho de enfermeiros atuantes em unidades de pronto socorro, estudando os enfermeiros do HURNP e visando encontrar as razões de tanto estresse.

Julia Trevisan afirma que o projeto, que está com o arquivo já concluído e encaminhado para a revista de enfermagem da USP, só aguardando para então ser publicado, concluiu que os enfermeiros vivenciam cargas físicas, biológicas e ergonômicas, mas a que mais pesa é  a psicológica, sendo desencadeada principalmente pela “vaga zero”, ou seja, quando há muitos pacientes e nenhuma vaga livre. Os enfermeiros, segundo a professora doutora, se deparam diversas vezes com pessoas precisando de assistência e que não são atendidas, afetando o psicológico.

A coordenadora do projeto ainda cita outro fator que contribui para o acúmulo de estresse dos enfermeiros, que seria a falta de segurança da população nas unidades básicas de saúde, os postinhos. Julia Trevisan explica que casos simples, que poderiam ser tratados em uma dessas unidades, são levados ao pronto socorro, superlotando e sobrecarregando o Hospital Universitário. Portanto, a conscientização da população é  uma questão que seria de grande ajuda.

“Para sobreviverem a essa carga, eles vão à missa, nadam, fazem educação física, lêem, jogam baralho, se ajudam na equipe, dançam e se desligam totalmente do ambiente de trabalho quando chegam a suas casas.” explica Julia Trevisan. “Porém, todas essas formas de lidar com a carga psicológica encontradas pelos enfermeiros são realizadas em casa e individualmente. Ajudam, mas não é a solução.” afirma a doutora, que já trabalhou com sofrimentos no trabalho em suas teses de mestrado e doutorado, ressaltando também que o grupo deve procurar soluções junto. “A própria equipe deve unir forças no coletivo, e as estratégias devem ser criadas dentro do próprio ambiente de trabalho.”, expõe.

Durante as pesquisas, Julia Trevisan teve contato com outro grupo do pronto socorro: os operacionais de limpeza. Percebendo que esses trabalhadores também sofriam cargas, sendo as maiores delas a física e a biológica, a doutora encaminhou os dados coletados ao comitê de projetos, para que se possa criar um estudo voltado a esses profissionais.

A doutora pretende, ainda, levar o estudo desenvolvido para outros hospitais: “Umas das finalidades desse estudo é que a gente possa replicá-lo em outros hospitais, para tentar identificar se eles possuem a mesma carga emocional que o pronto socorro estudado sofre, e, se o tiverem, ver o que podemos fazer.” finaliza.

Também com esse projeto de pesquisa, que conta com a colaboração de professoras do curso de Enfermagem da UEL e assessoria de professoras da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP, criou-se o Núcleo de Estudos da Saúde do Trabalhador da Universidade Estadual de Londrina (NUESTUEL), também coordenado pela professora doutora Julia Trevisan Martins. É o segundo núcleo do Brasil, sendo o primeiro localizado na USP de Ribeirão Preto.

Foto: http://www.uel.br/ccs/enfermagem/acessar.php/julia_trevisan.html



Iniciativa contribui na formação de profissionais mais competitivos

maio 9, 2011

Projeto de pesquisa visa encontrar as necessidades das indústrias de confecção em relação à representação gráfica e propor possíveis mudanças nas ementas do curso Design de moda

Pauta e Edição: Paola Moraes
Reportagem: Vanessa Tolentino

Segundo matéria de Alexa Salomão para a revista Exame*, qualquer empresa preza por um profissional qualificado. Algumas vêem no investimento para treinar seus funcionários a saída para garantir o capital humano que precisam, porém esses investimentos podem custar caro para essas empresas. Por isso, quanto mais qualificação e conhecimento o estudante adquirir em seus anos de graduação mais competitivo ele estará no mercado de trabalho.

Preocupada com aquilo que se vem ensinando na graduação e com o que o mercado procura em seus candidatos, a professora do curso de Design de moda da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Paula da Silva Hatadani, coordena um projeto de pesquisa que visa identificar quais são as necessidades das indústrias de confecção de Londrina e região a respeito da representação gráfica. Com os resultados, ela pretende verificar se a ementa de desenho do curso e a literatura especializada estão de acordo com aquilo que o mercado precisa.

A professora, que é graduada em Estilismo em moda pela UEL, coordenadora de estágio na mesma instituição e atualmente é mestranda na Universidade Estadual Paulista, percebeu o problema dialogando com alguns empresários da região e decidiu criar o projeto e utilizá-lo como tese de mestrado. “Sempre quando eu visito as indústrias, os empresários me dão um feedback apontando o que pode melhorar. Foi pela minha experiência na UEL e na coordenação de estágio que decidi fazer o mestrado sobre isso” explicou Paula Hatadani.

A captação das respostas pelas empresas ainda está acontecendo. Segundo a professora responsável houve uma primeira fase, na qual foi aplicado um questionário, apenas como teste.   Nesse resultado ela verificou que havia muitos erros nas respostas dadas pela empresa. Com isso, o modo de se obter as informações foi mudado, e atualmente é utilizado um protocolo de pesquisa. “É quase como um questionário, porém é mais aberto, pois ele me dá possibilidade de mostrar imagens, explicar aquilo que não foi entendido e acompanhar de perto as respostas dadas pelas empresas” esclareceu a entrevistada.

A pesquisa é feita com cinco empresas, no entanto, foram tabulados os dados de apenas três, mas já foi possível detectar diferenças entre as ementas e as necessidades das empresas. Segundo a coordenadora do projeto, não havia na ementa de nenhuma disciplina do curso o ensino do software CorelDRAW, um programa de desenho para design gráfico**. Por meio de sua experiência, Paula Hatadani já sabia que o uso do software era constante nas indústrias e confirmou isso quando iniciou o projeto, em janeiro de 2010. Então, no fim desse mesmo ano houve uma reformulação nas ementas e a professora inseriu o ensino do software, tão importante para a profissão.

A mestranda pretende defender sua dissertação até setembro, mas prorrogou o projeto até o final de 2012.  “O projeto irá continuar para que os alunos tenham oportunidade de trabalhar mais nele e disseminar as informações encontradas” concluiu.

*SALOMÃO, Alexa. O preço da ignorância. Exame, São Paulo, 29 set 2006. Disponível em: < http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0877/noticias/o-preco-da-ignorancia-m0111778&gt;.

**fonte: Wikipédia

Foto: http://www.sfiec.org.br/portalv2/sites/fiec-onlinev2/home.php?st=exibeConteudo&conteudo_id=35698



Pesquisa traz opção para vítimas de lesões na medula espinhal

maio 9, 2011

Estudo que será trazido para a UEL pretende melhorar a qualidade de vida de pacientes paraplégicos

 
Pauta e edição: Paola Moraes
Reportagem: Fernando Bianchi

Desde 2005, o professor doutor Ruberlei Gaino, graduado, mestre e doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), professor do Centro de Tecnologia e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), participa de um projeto de pesquisa, criado há mais de dez anos, que visa a melhoria de vida de pacientes que perderam o movimento de algum membro de seus corpos por lesões na medula espinhal. O projeto, desenvolvido inicialmente na UNESP, é o primeiro do Brasil a desenvolver sistemas de controle, em malha fechada, a utilizar-se de impulsos elétricos conduzidos por um neuro-estimulador FES (Functional Eletrical Estimulation ou Estimulação Elétrica Funcional) aliado à lógica de controle embarcado no microcomputador e sensores na perna do paciente papraplégico.

O objetivo da pesquisa é que pacientes que tem os movimentos afetados, totalmente ou parcialmente, por lesões na coluna possam movimentar suas pernas, mesmo que estes movimentos sejam pequenos. Porém, como explica Ruberlei Gaino, tudo depende da gravidade da lesão e também do tempo desde que ela ocorreu para se obter um resultado positivo. “O nosso maior objetivo é a melhoria de vida do paciente. Após a aplicação do método, dependendo da gravidade e tempo da lesão, obtemos resultados que surpreendem, a ponto de nem parecer que a pessoa teve uma debilitação tão séria”, diz o professor doutor.

O método utilizado pela extensa equipe participante do projeto, segundo o Dr. Ruberlei Gaino, “consiste na aplicação de uma tensão elétrica em determinado músculo da perna do paciente, que promove ativação do cálcio e reações que levam a um movimento na fibra muscular.” Este impulso, explica o pesquisador, é obtido através de um hardware que se utiliza de funções matemáticas não-lineares para controlar a tensão elétrica que será aplicada, dada a complexidade do músculo que é considerada também não-linear, ou seja, é preciso utilizar-se de técnicas adequadas para usá-lo no tratamento matemático. Desta forma, é possível projetar previamente um determinado ângulo de movimentação para que o impulso seja enviado ao músculo, provocando um movimento muscular planejado da articulação do joelho do paciente, completa.

“São muitos recursos envolvidos. Desde matemática até biomecânica avançada”, diz o entrevistado. O doutor esclarece que o projeto é fruto de pesquisas que tiveram início no Brasil em 1938 por A. V. Hill, quando foram feitos estudos que transformaram a complexidade de um músculo em analogias mecânicas: “onde temos elementos que representam a força-elástica, a força-comprimento e a força-velocidade de contração. Há também o elemento contrátil que representa a actina e a miosina – menores unidades do músculo – onde ocorre a contração através da ativação do cálcio”, explica Ruberlei Gaino.

Todos estes elementos, reforça o engenheiro eletricista, são altamente não-lineares, e, portanto, para poder trabalhar com eles de maneira segura, é preciso utilizar um sistema não-linear. Por esse motivo, foi adotado o elemento matemático denominado de Fuzzy Takagi Sugeno, um algorítimo que trabalha com a não-linearidade matemática e, nessa aplicação de controle da posição da articulação do joelho,  é inédito no Brasil. O projeto envolve áreas que, cita Ruberlei Gaino, trabalham com instrumentação eletrônica, teoria de controle, processamento digital de sinais, biomecânica, fisiologia e medicina, tornando-o multidisciplinar.

Várias publicações têm sido feitas em importantes congressos e periódicos científicos nacionais e internacionais, dos quais o entrevistado destaca as do Congresso Brasileiro de Automática, o maior do Brasil na área, o Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente e o Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica, além dos periódicos desenvolvidos em doutorados que trataram desta pesquisa.


“A idéia é que tenhamos centros de reabilitação em outros locais do país”, diz o doutor que pretende que a técnica Takagi Sugeno possa ser utilizada para melhorar a condição de vida de muitas pessoas que sofrem por lesões que impedem movimentos de membros. Segundo o professor doutor, ele tem portas abertas para trazer o projeto para a UEL, pois, atualmente, ele se encontra em execução na UNESP. Será trazido todo um aparato pronto para dar início ao atendimento de pacientes em Londrina, em parceria com profissionais de outras áreas como a educação física.

Crédito da foto: Fernando Bianchi