Profissionais buscam a adequação de livros infanto-juvenis

maio 29, 2011

Projeto de pesquisa do Departamento de Design congrega várias áreas do saber para encontrar a melhor forma de fazer livros infanto-juvenis

Edição e pauta: Paola Moraes
Reportagem: Adriana Gallassi 

“As crianças são um público vulnerável a qualquer tipo de informação”, declara a coordenadora do projeto Rosane Fonseca de Freitas Martins, graduadaem Desenho Industrialpela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), mestre em Administração de Empresas pela Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) e Doutora em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Assim, continua a coordenadora, é necessário que os livros destinados a esses grupos sejam bem planejados, tanto para facilitar a educação como também para informá-las e auxiliá-las em desafios do seu dia-a-dia.

Diante de parcerias que eram solicitadas, principalmente pelo Departamento de Psicologia, para a ilustração de projetos infantis, surgiu a ideia, segundo Rosane Fonseca, de criar o projeto de pesquisa “Selo editorial infanto-juvenil da EDUEL: avaliação e proposição de livros infanto-juvenis”, justamente para que estes não ficassem guardados e pudessem ser úteis a população. De acordo com a professora doutora, a ausência de mensagens nas histórias e a inadequação da imagem ao assunto que o livro trata são os principais problemas dos livros infanto-juvenis, tanto os didáticos quanto os de entretenimento.

Esse projeto, que só foi formalizado no ano passado, mas que já vem sendo construído desde 2008, paralelamente à criação do selo editorial infanto-juvenil da editora da Universidade Estadual de Londrina (EDUEL), conta com os estudos de várias áreas do conhecimento. A coordenadora explica que os profissionais de Letras adequam a linguagem à faixa etária e ao assunto tratado nos livros. Os de Educação cuidam do conteúdo didático. Os Designers adaptam a linguagem visual à mensagem do texto escrito e à idade da criança ou adolescente. Para isso se utilizam das cores, formas, fontes que facilitem o entendimento desse leitor.

A Prof.ª Dr.ª Rosane Fonseca com os livros publicados

Segundo a entrevistada, esses estudos da área de Design Gráfico são baseados na Gestalt, um ramo da psicologia que estuda a percepção humana, principalmente a da visão. “As imagens não estão ali simplesmente para ilustrar, elas são feitas para ajudar na memorização ou no aprendizado”, afirma a professora doutora. Inclusive, os designers precisam ficar atentos nas imagens, pois estas não podem conter cenas que incitem perigo ou comportamentos indesejáveis, como, por exemplo, uma criança com uma faca na mão. Os psicólogos participam desde as proposições dos assuntos a serem discutidos até a melhor maneira de passá-los às crianças e adolescentes.

Os livros infanto-juvenis que possuem o selo da EDUEL trazem a faixa etária à que são destinados, dicas de como eles podem ser usados pelos professores, pais e médicos – no caso de livros da Coleção Saúde – e alguns possuem jogos educativos. Já são nove livros publicados. Além disso, estão para serem lançados livros com assuntos como: bullying, leis de trânsito, reciclagem e comportamento no hospital.

Nesse momento, o projeto está em processo de pesquisas com as crianças, para ver as percepções delas em relação aos conteúdos dos livros como um todo. Desta maneira, busca-se aperfeiçoar os livros já publicados e principalmente os que estão em processo de criação. “É o que a gente pode proporcionar de bem para essa cidade, pois o que a gente deixa é educação, é livro. Esse é o papel da universidade. Informar, educar, perpetuar o conhecimento”, diz a professora doutora sobre o papel social do projeto.

 

Todos os integrantes da UEL podem criar histórias infantis e submetê-las à avaliação na editora da Universidade. “Tem muito talento escondido na UEL”, garante a professora doutora. Contudo, mesmo as pessoas que não tem vínculos com a instituição podem enviar suas histórias. Estas devem ser enviadas para a Editora EDUEL. Tudo que é recebido passa pelo Conselho Editorial e só depois os conteúdos sem ilustrações são enviados para o projeto de pesquisa. Porém, nem todos os tipos de histórias são aceitas, é necessário que elas tenham um caráter didático ou informativo. Os escritores não têm custo algum na produção das ilustrações do livro. Para obter mais informações sobre como enviar a sua história, entre no site: http://www.uel.br/editora/portal

 

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Pesquisa historiográfica sobre o ensino e a escola no Brasil

outubro 11, 2009

Esse foi o tema da palestra de abertura da XI Semana de Educação da UEL

Professora Rosa Fátima de Souza

Pauta: Daniela Brisola
Repórter: Alessandra Vitti
Edição: Beatriz Assumpção e Fernanda Cavassana

Aconteceu em setembro, a XI Semana da Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), cujo tema principal foi a História da Educação. O evento foi promovido pelo curso de Mestrado em Educação e pelo Departamento de Educação no CECA. De acordo com que Marta Regina Gimenez Favaro, coordenadora do curso de Pedagogia da UEL, disse na abertura do evento, o objetivo era estimular a discussão de temas como ensino e escola a partir de uma perspectiva histórica. A conferência de abertura, intitulada “Os desafios da investigação comparada em âmbito regional para a escrita da história da educação brasileira”, foi proferida pela professora adjunta da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Rosa Fátima de Souza, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP).

A doutora Rosa de Souza apresentou o projeto de pesquisa do qual é coordenadora. O projeto é intitulado “Por uma teoria e uma história da escola primária no Brasil: investigações comparadas sobre a escola graduada (1870 1950)”, e foi iniciado em 2008, com apoio do CNPq. Segundo a professora, o projeto é trabalhado a partir de investigações comparadas sobre a institucionalização de grupos escolares. Rosa de Souza ressalta que esse processo é inseparável das diversas políticas educacionais implementadas pelos governos estaduais no decorrer do século XX. No projeto, essa institucionalização está sendo estudada em 14 Estados brasileiros no período de 1870 a 1950.

A professora da Unesp ressalta, ainda, os reflexos de seu projeto para a sociedade: “Os resultados dessa produção acadêmica enriquecem a historiografia da educação, além de prestar um inegável serviço à memória social, contribuindo para a preservação do patrimônio educacional do país”.

Na apresentação da conferência, Rosa de Souza propôs a discussão dos desafios da investigação comparada em âmbito regional, destacando questões de ordem interpretativa e de natureza teórica e conceitual com as quais se defrontou na realização desse estudo historiográfico.

A professora tratou dos estudos realizados nos últimos anos sobre a estrutura dos grupos escolares: “Nós temos trabalhado com essa ideia de escola primária do final do século XIX e início do século XX, quando há a implementação da chamada escola primária moderna”. Rosa de Souza explica que esse modelo de escola implantado durante o século XX no Brasil acompanhou o espírito de modernidade e racionalização da época. Esse espírito refletiu-se tanto na estrutura administrativa como pedagógica, revelando a existência de um ensino primário de excelente qualidade naquele período.

Rosa de Souza ainda examinou o conceito de região e história regional da educação. A professora ressaltou, durante a palestra, a influência do Estado na implantação de um modelo de escola primária no período republicano: “de um modo geral, as investigações sobre os grupos tem apontado intrínsecas relações entre a política republicana estadual e a difusão e modernização da escola primária. É implantado, pelo governo republicano, um modelo de escola mais adequada para a difusão da educação popular e para a formação do cidadão republicano”.

De acordo com os estudos do projeto, a professora explica que é possível identificar em vários Estados brasileiros semelhanças nas implementações e nas práticas discursivas de diversas instituições públicas. Porém, lembrou em sua palestra que, na realidade, a situação é um pouco diferente em alguns lugares: “Efetivamente, apenas aqueles Estados que apresentavam significativa prosperidade econômica no início do século XX, como SP, MG e RS, puderam implantar um sistema público moderno de educação primária com qualidade. No resto do País, os grupos aparecem apenas como vitrine da modernização, enquanto a grande parte das crianças estava estudando em escolas em situações mais precárias.”

A professora também analisou as potencialidades e desafios da comparação para a escrita da história da educação brasileira. Ela desenvolveu um panorama geral da origem do método comparativo como instrumento científico e falou sobre as dificuldades encontradas no decorrer da pesquisa: “Um estudo envolvendo 14 Estados está longe de mostrar a situação em todo o território nacional. Os Estados representados nas pesquisas são aqueles nos quais efetivamente contamos com uma produção de estudos sobre a história da escola primária, o que revela a precariedade do conhecimento existente sobre a história da educação no País como um todo.”

Além da conferência ministrada pela professora Rosa Fátima de Souza, a XI Semana da Educação teve mais três dias de eventos, dentre eles outras conferências, encontros de grupos de pesquisa, eventos culturais e grupos de trabalho.