Edição 97

junho 28, 2010

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Autoconhecimento como forma de driblar o estresse

junho 28, 2010

Curso promovido pela PRORH e a Escola de Governo ajuda servidores estaduais a desenvolverem habilidades esse mal presente em nosso dia-a-dia

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Marcia Boroski

Para buscar um resultado melhor nas atividades realizadas dentro dos ambientes da Organização Pública, a Divisão de Acompanhamento e Treinamento da Pró-Reitoria de Recursos Humanos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) junto com a Escola de Governo do Paraná, organizaram o curso “Resiliência: Uma Competência para Administrar o Stress”. O público do curso foram servidores do Estado que tiveram interesse em desenvolver a competência para melhorar o ambiente de trabalho. A psicóloga, Kátia Marcos Gomes, formada pelo Centro Universitário Filadélfia, ministrou o curso que durou quatro dias. A palestrante falou com o Conexão Ciência explicando o que é resiliência, quais temas e de que forma eles foram abordados no curso.

Conexão Ciência: O que é resiliência?
Kátia Gomes:
Resiliência é um conceito ainda em construção. O termo vem da física e nomeia o fenômeno de uma energia armazenada em determinado corpo que é desenvolvida quando cessa a tensão causadora, por exemplo, em uma deformação elástica. Trazendo para o mundo empresarial, resiliência é a capacidade de se recobrar, de adaptar-se às mudanças, às exigências do meio, de forma a enfrentar e superar as situações adversas presentes no cotidiano. Da visão comportamental, resiliência pode ser vista como uma competência a ser desenvolvida e melhorada.

Conexão Ciência: Quais temas foram tratados nos quatro dias de curso?
Kátia Gomes:
O principal tema tratado foi o autoconhecimento. É através dele que é possível desenvolver a resiliência. Saber como eu funciono é essencial para conhecer os recursos disponíveis dentro de si mesmo que serão usados para melhorar a interação com situações de estresse. Para isso, é usada a metodologia de vivência, que traz a tona situações vivenciadas que ajudam no autoconhecimento. Além disso, elas são estudadas ou discutidas, afim de que seja implantadas ações resilientes que levem a resultados melhores que os já obtidos. A discussão de casos também auxilia na hora de traçar caminhos para seguir após passar pelo treinamento.

Conexão Ciência: Como é possível lidar com o estresse por meio da resiliência?
Kátia Gomes:
Para conhecer o fenômeno, é preciso melhorar o autoconhecimento. Melhorando o autoconhecimento, o autocontrole também é desenvolvido. A partir disso, a causa do estresse passa a ser conhecida e isso proporciona um posicionamento melhor em relação a situações conflituosas, até mesmo para evitar situações de possível estresse. Além disso, esse conhecimento de si ensina também formas melhores de lidar com todas as emoções que estas situações causam. Desta forma, o nível de estresse fica sob controle. O indivíduo passa a olhar para a situação de forma diferente, e conferir-lhe outro significado.

Conexão Ciência: Normalmente situações de estresse acontecem quando dificuldades chegam próximo de limites suportáveis. Nesse sentido, adaptar-se a essas situações não seria prejudicial à saúde, porque o indivíduo se acostumaria a algo que é nocivo a ele?
Kátia Gomes:
Sim, por isso o limite é outro ponto essencial. Somente o próprio indivíduo pode identificar os seus limites. E é pela prática do autoconhecimento que o ser humano consegue conhece-los. Este é outro motivo dela ser tão importante. Entretanto, assim como os homens tem dificuldades para conhecerem a si mesmo, eles também não sabem quais são seus limites. A delimitação é invisível e ultrapassa-la é quase inevitável. Vivendo fora do limite, com grau e intensidade elevados, o estresse vira uma patologia.

Conexão Ciência: Como é possível aumentar as energias dos corpos humanos para enfrentar situações de estresse?
Kátia Gomes:
Primeiramente, identificar o que dá prazer. Lembrar que o trabalho faz parte da vida, e por isso, ter um posicionamento agradável dentro dele. O trabalho, assim como a maioria das coisas na vida, faz parte das escolhas, e isso tem que estar bem claro. Se não é uma escolha, tem que ficar claro o que se tem feito para mudar essa realidade, que não foi escolhida. A maturidade também é importante, e ela vem junto com o autoconhecimento. Já que se tem liberdade de escolha, faz todo o sentido saber exatamente o que você quer e precisa, para então pode escolher com mais clareza.

Conexão Ciência: Como as pessoas podem ter um comportamento resiliente nos problemas da vida, em geral?
Kátia Gomes:
É possível trabalhar o conceito de resiliência independente do lugar. Trabalha-se com o lado comportamental do ser humano, por isso, pode e deve ser levado para fora do ambiente de trabalho. A competência da resiliência deixa o indivíduo flexível ao ambiente. Saindo deste determinado ambiente, pode ser que ele não seja mais resiliente. O comportamento resiliente, então, vai depender das emoções despertadas por determinada situação. O conceito deve ser trabalhado em todos os lugares e circunstâncias. Existem histórias de vidas, fora do meio empresarial, as quais só deram certo por causa da resiliência. Seres resilientes têm mais autoestima e fortalecimento individual.


Dispositivos desenvolvidos por projeto do departamento de Arquitetura e Urbanismo testam formas de construção aliadas à sustentabilidade

junho 28, 2010

Laboratório criado para análise na área de arquitetura visa o bem estar do homem utilizando-se de recursos naturais

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Adam Sobral Escada

Objetivando a diminuição no consumo de energia, o melhor aproveitamento dos recursos da natureza e a melhoria da eficiência energética, a Professora Doutora Ana Virgínia Carvalhaes de Faria Sampaio que coordena o projeto “Conforto Ambiental e qualidade do ambiente construído” é graduada em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie, é especializada em didática do ensino superior e em Arquitetura e Urbanismo também pela Mackenzie, possui mestrado pela mesma universidade também em Arquitetura e Urbanismo e é doutora pela Universidade de São Paulo (USP) também em Arquitetura e Urbanismo.

Segundo a doutora Ana Virginia Sampaio, o projeto surgiu da necessidade de aproveitar os recursos naturais do meio ambiente para projetar edificações com mais qualidade e conforto para os usuários. Ele também se preocupa na adequação dos projetos aos conceitos de sustentabilidade, e tem como objetivo economizar energia “O Conforto Ambiental é você fazer arquitetura para o homem que é usuário dessa edificação, que você está construindo, se sentir bem e você ter a preocupação com os recursos naturais.” afirma.

Com a verba da fundação Araucária a coordenadora do projeto montou o LACO, Laboratório de Conforto Ambiental. Segundo a professora, o LACO objetiva conscientizar profissionais de Arquitetura sobre a importância dos conceitos de sustentabilidade, conforto ambiental, qualidade e funcionalidade dos ambientes na elaboração dos projetos. “A idéia é que o aluno que está no projeto traga aqui a maquete e que ele tenha consciência de fazer projetos mais sustentáveis. Levando mais em consideração os elementos da natureza que seriam o sol, a luz e o vento” afirma a doutora Ana Virgínia Sampaio.

O laboratório foi criado para pesquisas na área de arquitetura e que procuram utilização dos recursos naturais nos edifícios. Ele possui três simuladores. O Heliodon, simulador de sol que simula a insolação. Os alunos que estão no projeto constroem uma maquete em tamanho reduzido, levam para esse equipamento e por meio da luz criada por lâmpadas, eles têm exatamente a posição do sol em todas as épocas do ano, em todos os horários do dia. “Eles vêem como vai bater o sol, se o sol vai incidir se vai ficar muito quente, se vai bater o sol da tarde, como faz para proteger essa fachada, o melhor local para por uma piscina, se um edifício vai fazer sombra ou não vai. Tudo isso eles conseguem simular neste equipamento”, explica a professora.

No segundo simulador, a luz natural é testada em uma caixa de espelhos, um simulador que demonstra a incidência da luz no interior da maquete “É como se fosse um dia que não está batendo sol, mas está entrando luz. Essa quantidade de luz eu consigo simular lá”, exemplifica a coordenadora. Ela ainda explica o funcionamento do último simulador “No túnel de vento, o simulador verifica a ventilação que incide na edificação, por meio de fumaça produzida por uma extremidade do simulador. Na outra extremidade existe um exaustor que direciona a fumaça para fora do equipamento”.

O projeto, que teve início em 2007, tem previsão para encerrar em setembro deste ano, mas ainda faltam coisas a fazer. “O simuladores já foram feitos. Para encerrar queremos fazer a simulação e fazer uma proposta para projetos futuros. A idéia seria tirar algum proveito para a universidade em pesquisa”, conclui a doutora Ana Virgínia Sampaio.


Fobia social é tema de projeto desenvolvido pelo departamento de Psicologia Geral da UEL

junho 28, 2010

Iniciativa realiza tratamento psicológico em pessoas que sofrem do transtorno

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Lucas Marcondes

Medo de escrever ou falar em público, receio em dirigir se está sendo observado, dificuldade extrema em encarar pessoas diretamente nos olhos. Essas situações podem ser descritas como características de quem sofre do transtorno de ansiedade social, que também se manifesta em atitudes como sentir-se incomodado ao ser fotografado ou filmado e evitar cantar ou tocar um instrumento musical em público. A escalada da fobia em meio à população jovem fez com que um projeto relacionado ao tema, chamado “Desenvolvimento de comportamentos alternativos para adolescentes e adultos jovens com transtorno de ansiedade social”, fosse desenvolvido pelo Departamento de Psicologia Geral do Centro de Ciência Biológicas (CCB), na Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Psicóloga formada pela UEL (e docente da instituição), mestre em Neurociências e Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP) e doutoranda em Neuropsicologia Clínica pela Universidade Salamanca (Espanha), a professora Josiane Cecília coordena o projeto. O objetivo da iniciativa é oferecer o auxílio psicológico necessário a adolescentes e jovens que são prejudicados pela fobia social. De acordo com Josiane Cecília, o que distingue a timidez ‘comum’ da fobia social é que a última causa reações fisiológicas na pessoa, tais como “transpiração excessiva, tremedeira e espasmos musculares”, explica a Professora. Segundo ela, os indivíduos que sofrem com essa ‘dificuldade’ (é o termo que a docente prefere usar para nomear o distúrbio), “fazem o maior esforço para não sair de casa, evitam, a todo tempo, entrar em contato com outras pessoas”.

A pesquisadora indica que a fobia social geralmente se desenvolve durante a adolescência, fase marcada por mudanças impactantes na vida do ser humano. Sendo assim, o trabalho desenvolvido pela professora Josiane Cecília e sua equipe de alunos de Psicologia visa fornecer ajuda à população jovem, mas isso não impede que pacientes mais velhos participem do projeto. “Temos uma paciente de 42 anos com problemas de sociabilidade desde a infância”, indica a psicóloga. De acordo com Josiane, essa mesma paciente ainda precisa ir ao dentista acompanhada dos pais, pois não consegue ficar na sala de espera com pessoas nunca vistas por ela. “A demanda social valoriza pessoas carismáticas, que conseguem se comunicar com facilidade”, aponta Josiane Cecília. Para ela, esse fator traz ainda mais obstáculos para o fóbico social, que, embora possua grande receio em entrar em contato com outras pessoas, sabe que a atitude tomada por ele não é das mais indicadas.

O tratamento para o transtorno é, como diz a professora Josiane Cecília, “de pouca complexidade, porém exige tempo: de oito meses a um ano, conforme a situação de cada paciente”. A psicóloga explica que o processo de tratamento é composto por terapias em grupo, técnicas de relaxamento e simulação de situações sociais, todos esses buscam desenvolver no indivíduo a capacidade de expressar opiniões e ter atitudes próprias. Segundo ela, os resultados são satisfatórios (já existem planos para expandir o projeto para a orientação de professores em contato com alunos fóbicos sociais). Porém, a professora faz um alerta de que, em casos mais graves, recomenda-se o acompanhamento psiquiátrico e, se necessário, o uso de medicamentos. Entretanto, a psicóloga esclarece que essa gravidade (que pode culminar em casos de síndrome do pânico, depressão profunda e tentativas de suicídio) pode ser evitada com êxito graças a um acompanhamento psicológico antecipado e consistente.

Mais informações sobre fobia social acesse:

http://www.psicosite.com.br/tra/ans/anssocial.htm

créditos imagem: http://claudiaagramonte.blogspot.com


Programa do HC busca prevenir problemas causados pelo cigarro

junho 28, 2010

O Centro de Referência de Abordagem e Tratamento do Tabagismo é uma adaptação do programa nacional elaborado pelo Instituto Nacional do Câncer

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Juliana Mastelini

Segundo pesquisa da economista Márcia Pinto, o SUS gasta pelo menos R$ 338,6 milhões de reais por ano com tratamento de doenças relacionadas ao fumo*. “Por isso, para o governo, é melhor prevenir do que tratar as consequências do cigarro”, explica Héber Odebrecht Vargas, professor assistente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), graduado em Medicina e mestre em Medicina e Ciências da Saúde pela UEL. Com o objetivo de prevenir doenças relacionadas ao fumo, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) coordena o chamado “Programa de Controle ao Tabagismo e Outros Fatores de Risco de Câncer”, que busca reduzir a incidência de doenças e mortalidade causadas pelo tabaco através de ações que estimulam estilos de vida saudáveis.

O Hospital das Clínicas (HC) desenvolveu uma adaptação do programa nacional com o Centro de Referência de Abordagem e Tratamento do Tabagismo (CRATT).  A diferença entre o programa nacional e o desenvolvido no HC é que este trabalha com enfoque na parte psíquica do paciente, explica Vargas. “Isso é fundamental pois analisa o indivíduo como um todo, na sua totalidade. O tabaco, por exemplo, pode ser a porta de entrada para outro diagnóstico mais complexo”, declarou.

A equipe do programa é formada por vários profissionais, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e assistentes sociais, já que os problemas causados pelo cigarro envolvem outras questões, “quando o paciente para de fumar, por exemplo, pode engordar e isso causa resistência, por isso trabalhamos com a nutrição também”, explica Vargas.

O centro existe há cinco anos e já atendeu cerca de 340 pessoas. Segundo a enfermeira e coordenadora do centro, a professora Márcia Regina Pizzo de Castro, mestre em Medicina e Ciências da Saúde, estudos realizados em 2008 mostram que 42% das pessoas que participam do tratamento do HC param de fumar até a quarta seção. Segundo a enfermeira, os pacientes atendidos no programa têm em média 45 anos e são em sua maioria mulheres.

Os encontros são semanais e em grupo. “Em grupo, um ajuda o outro, trocam experiências. Mesmo depois que param de fumar, continuam vindo às reuniões para animar os outros”, conta a professora Márcia Castro.

O tratamento dura um ano e o primeiro passo é a avaliação clínica, que traça o perfil do fumante. “Essa avaliação vai nortear todo o trabalho posterior, pois vai mostrar as questões envolvidas com o tabagismo”, diz a enfermeira.

A residente em Psiquiatria e participante do programa Amanda Minikowski fala que o grupo quer mostrar que o tratamento contra o tabaco é sério e que o tabagismo não é fruto da falta de vontade. “O tabagismo é uma doença que precisa ser tratada”, completa a residente.

Amanda Minikowski conta que os fumantes se incomodam quando percebem que necessitam do cigarro, “eles não fumam porque isso lhes dá prazer, mas porque são dependentes.” A residente explica que os fumantes associam o ato de fumar com certas atitudes do dia-a-dia como tomar café, então toda vez que tomam café, por exemplo, sentem vontade de fumar.

O programa atende a comunidade interna e externa da UEL e trabalha com grupos de 15 a 20 pessoas. De três em três meses um novo grupo inicia o trabalho. Os interessados podem ligar para a Divisão de Assistência à Saúde da Comunidade (DASC) pelos telefones 3371-5807 ou 3371-5808 e pedir para que o nome seja incluído na lista de espera. Quando tiver vaga, os profissionais CRATT convidam para a reunião.

*http://www.inca.gov.br/revistaredecancer/revista_rede_cancer_5/entrevista.pdf

créditos imagem: Google Imagens/G1


Edição 96

junho 22, 2010

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Projeto analisa a inclusão de deficientes visuais na prática esportiva

junho 21, 2010

As aulas escolares de Educação Física com presença de deficientes visuais são tema de pesquisa da UEL

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Paola Moraes

O processo de inclusão de alunos portadores de qualquer deficiência no ensino regular, público e privado, incentivado pelo Governo Federal há alguns anos despertou a atenção do professor universitário com interesse no ensino especial. O professor Nilton Munhoz Gomes, formado em Educação Física pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em Educação do Portador de Deficiência Mental (UEL), mestre em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e doutor em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), desenvolve desde 2008, um projeto de pesquisa que visa a inclusão de crianças de 1ª a 8ª séries com deficiências visuais nas aulas de Educação Física. O doutor explicou, em entrevista ao Conexão Ciência, como funciona o projeto, o que se obteve até agora e quais são as expectativas para a continuidade do estudo.

Conexão Ciência: Como funciona o projeto?

Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes: Primeiramente, nós estamos estudando no projeto, a inclusão do aluno com deficiência visual na escola regular. No ano passado, trabalhamos com alunos de primeira a quarta serie e este ano estamos com alunos de quinta à oitava series, até verificar a diferença na idade quanto à aceitação desse aluno com deficiência visual. O trabalho é dividido em quatro vertentes: a observação das aulas de Educação Física, como o professor se vê para preparar uma boa aula para esse aluno, como o aluno se percebe nas aulas de Educação Física e com o aluno sem deficiência encara essa inclusão. A intenção é que depois disso, venhamos a trabalhar com outros tipos de deficiência, como a mental, auditiva e física. Então seria um estudo de como está acontecendo esse processo de aceitação do aluno deficiente em escola pública.

Conexão Ciência: Ao ir para as escolas, vocês detectaram a presença de materiais adequados ou uso de metodologia de ensino direcionada a esses alunos?

Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes: Considerando que a Educação Física possui apenas um espaço especifico para as aulas, que é a quadra, nós não teríamos esse material. Mas em conversas informais com professores que trabalham com alunos com deficiência visual, nós percebemos que alguns têm uma preocupação maior em fazer adaptações a esses alunos. O professor que possui um aluno com baixa visão ou cego tem algumas preocupações em sua aula sobre como ajudar o aluno. Por exemplo: utilizando pneus pintados com cores fortes para que o aluno com baixa visão consiga diferenciar o objeto. Muitos professores fazem pequenas adaptações dentro de suas condições: utilizando a ajuda de outro aluno, envolvendo a bola com uma sacola plástica para que o aluno se situe pela audição. Por outro lado, há professores que deixam o aluno fazendo trabalhos teóricos ou assistindo a aula.

Conexão Ciência: Os professores de Educação Física se sentem desqualificados para lidar com alunos portadores de deficiência?

Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes: A maioria deles aponta alguns problemas, como a falta de capacitação, que é o mais evidente. Muitos se formaram há muito tempo e não tiveram uma disciplina que abrangesse esse tema ou não tiveram oportunidades de participar de cursos nessa área. Um lado bom é que poucos docentes têm preconceito com esse aluno. Muitos têm uma pré-disposição. Ou seja, se for ofertado um curso, se ele tem interesse, se ele possui um aluno especial, ele se preocupa em trazê-lo ao convívio com os demais.

Conexão Ciência: Hoje, há uma disciplina voltada a esse estudo dentro do curso de Educação Física?

Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes: No curso de Licenciatura em Educação Física da UEL, há uma disciplina semestral e outra anual que trabalham com questões da educação especial. Primeiro, é realizado um estudo dos conceitos e pré-conceitos dessas deficiências, depois, estuda-se a inclusão desses alunos. Além disso, há um estágio obrigatório em educação especial, no qual o aluno pode escolher com qual tipo de deficiência ele trabalhará.

Conexão Ciência: Como o aluno com deficiência visual se sente ao ser incluído?

Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes: Se o aluno tem uma boa aceitação de sua condição, ele consegue ser incluído mais facilmente. Os alunos super-protegidos ou com sentimentos de auto-piedade não são incluídos tranquilamente. Nós percebemos que os alunos de 1ª a 4ª séries são mais receptivos, chegando até mesmo a discutir sobre quem vai auxiliar o outro amiguinho na aula. Já nos alunos de 5ª a 8ª séries, nós imaginamos, pois ainda não analisamos esses alunos, que seja mais difícil de ocorrer essas aceitação, porque os demais alunos são competitivos e tendem a deixar o aluno com deficiência de lado nas aulas com desportos.

Conexão Ciência: Em sua opinião, quais são os ganhos na inclusão, tanto para os alunos com deficiência quanto para os alunos sem deficiência?

Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes: Nós temos um discurso que está vencido: a inclusão é ótima pro deficiente. Precisamos entender que a inclusão é ótima para ambos os lados. Claro que para o individuo com deficiência é bom, pois ele está com pessoas da mesma idade, num ambiente comum, mas o individuo sem deficiência também ganha muito, por exemplo, se colocarmos uma criança de seis anos com um colega surdo, em um curto espaço de tempo, o aluno sem deficiência desenvolverá meios de se comunicar com o detentor de deficiência. É uma relação de troca, o individuo portador de deficiência ganha em convívio e o sem deficiência, em aprendizado. Daqui alguns anos, talvez 20 ou 30, teremos adultos que conviveram, quando crianças, com deficientes e dessa forma, teremos uma sociedade menos preconceituosa.

Conexão Ciência: E para os professores?

Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes: Muitos professores sinalizam que tinham medo de machucar o aluno ao incluí-lo nas aulas, viam-no como incapaz de agir e mudaram essas concepções com a inclusão. Viram que é possível trazer esse aluno para as aulas com algumas adaptações.

Conexão Ciência: Trocar a prática de esportes, como handebol e basquete para ginástica, ajudaria a incluir o aluno com deficiência visual?

Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes: Acho que nós não necessitaríamos mudar o conteúdo pensando nesse aluno, desde que pensemos como incluir o aluno naquela prática. Não interessa o conteúdo,mas sim o respeito do professor ao à deficiência do aluno.