Edição 109

outubro 27, 2010

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Projeto de extensão do Departamento de Agronomia valoriza agricultura familiar

outubro 27, 2010

Projeto presta assistência agronômica a pequenos produtores rurais

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Rosana Reineri Unfried

Legenda: O projeto “Campo Fácil”, coordenado pelo professor Dr. José Carlos Vieira de Almeida, foi inspirado no projeto "Casa Fácil"

A agricultura familiar é feita por pequenos e médios produtores rurais*. Eles são responsáveis pela produção de alimentos básicos da dieta do brasileiro como feijão, arroz, milho, hortaliças, mandioca e pequenos animais. Em geral, segundo site da Embrapa, são pequenos agricultores que diversificam os produtos cultivados para diluir custos, aumentar a renda e aproveitar as oportunidades de oferta ambiental e disponibilidade de mão-de-obra. Pensando em orientar esses pequenos produtores, o projeto “Campo Fácil”, coordenado pelo professor Dr. José Carlos Vieira de Almeida, graduado em Agronomia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre em Fitotecnia (produção vegetal) pela Universidade Estadual de Viçosa e doutor pela UEL, presta assistência agronômica gratuita para melhorar a produção dessas áreas e a renda desses agricultores.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia do projeto?

Prof. Dr. José Carlos Vieira de Almeida: Ele é baseado no projeto “Casa Fácil”, do CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), que funciona da seguinte forma: uma pessoa que fosse construir uma casa de até 50 metros quadrados não precisa contratar um engenheiro para ser responsável pela obra. Então, o próprio CREA, preocupando-se com a qualidade dessas casas que não eram construídas com a orientação de um engenheiro, criou o projeto “Casa Fácil”, que presta assistência às pessoas que querem construir uma casa de até 50 metros quadrados com segurança e não tem dinheiro para pagar um engenheiro responsável pela obra. Esse projeto, ao mesmo tempo em que ajuda as pessoas de baixa renda, oferece uma oportunidade de estágio aos estudantes de engenharia da universidade. O projeto “Campo Fácil” segue na mesma linha. Presta assistência agronômica a pequenos produtores que possuem menos de 38 hectares e que não tem como pagar um agrônomo para se responsabilizar pela lavoura.

Conexão Ciência: Qual a importância da agricultura familiar?

Prof. Dr. José Carlos Vieira de Almeida: Eu não chamaria de agricultura familiar, porque a família não está mais na propriedade rural, são somente as pessoas de mais idade que estão no campo, os mais jovens estão indo para a cidade para estudar e mudar de atividade. Hoje, o pequeno agricultor não se sustenta mais somente com a atividade dita “familiar”. Quando um produto está com o preço bom no mercado, todos eles plantam a mesma coisa, o que faz com que o preço abaixe novamente. A pequena agricultura é importante, mas caberia ao governo observar o mercado e orientar esses agricultores sobre o quê plantar, para regular o mercado e assim garantir o preço dos produtos para melhorar as condições deles.

Conexão Ciência: Como são escolhidas as propriedades a serem atendidas e como funciona o projeto?

Prof. Dr. José Carlos Vieira de Almeida: A prefeitura indica os pequenos produtores que estão precisando de ajuda. Os primeiros indicados foram produtores da região de Guaravera, que receberam cerca de dois hectares cada um doados pelo antigo patrão. Eles produzem café como atividade principal, mas como atividades secundárias produzem hortaliças e verduras, que fornecem à prefeitura para complementar a merenda escolar. Nós prestamos atendimento agronômico a esses produtores, orientando-os para que produzissem mais em uma área reduzida e que plantassem e colhessem da maneira correta. Fomos à propriedade e fizemos, nesse primeiro momento, um levantamento dos principais problemas e de quantos pés de café cada um possui para podermos orientá-los em relação à melhor maneira de tratá-los. Por enquanto, estamos indo todas as semanas até Guaravera, mas a ideia é preparar um escritório dentro da universidade para que os produtores venham até nós e não o contrário.

Conexão Ciência: Existe um prazo pré-estipulado para que os produtores de Guaravera possam caminhar por conta própria?

Prof. Dr. José Carlos Vieira de Almeida: Sim. O nosso prazo é de dois anos. Esperamos que nesse tempo eles estejam conscientes de como fazer a propriedade produzir de maneira adequada. Isso não significa que os abandonaremos, continuaremos dispostos a sanar possíveis dúvidas que aparecerem.

Conexão Ciência: Quem são os envolvidos no projeto “Campo Fácil?

Prof. Dr. José Carlos Vieira de Almeida: Além de mim, existem mais dois professores daqui do CCA (Centro de Ciências Agrárias), o professor Dr. José Roberto Pinto de Souza** e o professor Dr. Ésio de Pádua Fonseca***, e 10 alunos estagiários, que trabalham ativamente junto a esses agricultores uma vez por semana (aos sábados) e buscam sanar as necessidades deles. Parte desses alunos são do quarto ano e parte, do primeiro ano. A ideia é que estes alunos primeiranistas permaneçam no projeto até no final do período de graduação, à medida que alguns vão se formando e saindo, outros vão entrando, para não deixar o projeto parar.

*Fonte: http://www.embrapa.br/imprensa/artigos/2002/artigo.2004-12-07.2590963189/

**José Roberto Pinto de Souza: Graduado em Agronomia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP/FCA) em 1986. Mestre e Doutor em Agronomia, Área de Concentração Agricultura, na UNESP/FCA, Campus de Botucatu, em 1992 e 1996, respectivamente. Professor Associado Nível C do Departamento de Agronomia, Centro de Ciências Agrárias, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, PR

*** Ésio de Pádua Fonseca : possui graduação em Engenharia Floresal pela Universidade Federal de Viçosa (1982) , mestrado em Ciência Florestal pela Universidade Federal de Viçosa (1987) e doutorado em Agronomia (Produção Vegetal) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2000) .

Créditos da imagem: http://www2.faep.com.br/boletim/bi963/bi963pag05.htm



Difração de raio-X: novo método para análise de compostos químicos

outubro 26, 2010

Palestra instrui alunos e docentes da UEL sobre o uso de aparelho adquirido pela UEL, o difratômetro

Edição e pauta: Tatiane Hirata
Reportagem: Isabela Nicastro

O palestrante Luciano Gobbo explica as aplicações do método de difração de raio- X

Recentemente, foi adquirido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) um equipamento que pretende inovar na análise e medidas de compostos químicos. A aquisição do difratômetro de raios-X faz parte do  programa de laboratórios multiusuários da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (PROPPG). O difratômetro encontra-se em operação e pronto para ser usado por toda comunidade da UEL, particularmente para os cursos: Física, Química, Geociências, Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Farmácia e Engenharia Civil. No momento ele está provisoriamente instalado na sala da antiga diretoria do Itedes (Instituto de Tecnologia e Desenvolvimento Econômico e Social), esperando o término do laboratório definitivo.

Com o objetivo de explicar detalhadamente as aplicações da técnica de difração de raios-X (DRX) e de oferecer treinamento para o uso do difratômetro, o Dr.  Luciano Gobbo concedeu uma palestra no dia 24 de agosto, na Sala de Multimeios do Centro De ciências Exatas (CCE), da UEL. O palestrante trabalha em São Paulo na área científica da empresa PANalytical,  líder mundial em análise de raio-X. A palestra fez parte do treinamento que a empresa oferece para o manuseio do equipamento adquirido recentemente pela UEL. Luciano de Andrade Gobbo possui graduação em Geociênicas pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado em Geociências (Recursos Minerais e Hidrogeologia) e doutorado em Geociências (Recursos Minerais e Hidrogeologia) pela USP. Atua com difração de raios-X e método de Rietveld e também em mineralogia industrial, com especialização no setor cimenteiro.

“A difratometria de raios- X corresponde a uma das principais técnicas de caracterização microestrutural de materiais cristalinos, encontrando aplicações em diversos campos do conhecimento, mais particularmente na engenharia e ciências de materiais, engenharias metalúrgica, química e de minas, além de geociências, dentre outros”, afirmou o palestrante. Segundo ele, a técnica pode ser aplicada nas indústrias de mineração, microdifração, difração em alta temperatura, textura e em Análise de Cluster – um método que auxilia na simplificação de uma grande quantidade de dados.

De acordo com o Dr. Luciano Gobbo, o equipamento é de fácil manuseio, graças a um sistema criado pela PANalytical, em que é permitido acoplar acessórios dependendo do tipo de aplicação a ser trabalhada, sem a necessidade de alinhamento da óptica do difratômetro. “Essa técnica de difração pode ser considerada uma técnica de reflexão, pois, diferentemente da transmissão, os raios não atravessam a amostra. Essa é uma característica de equipamentos modernos, em que a matéria a ser analisada fica na horizontal e não é necessário locomovê-la. Dessa forma, é obtido um difratograma, que é uma espécie de gráfico com curvas e picos separando e diferenciando a quantidade de compostos químicos presentes em cada amostra”, explicou.

Segundo as instruções do palestrante, cada substância possui uma característica única, equivalente a uma impressão digital. “Os planos de difração e suas respectivas distâncias interplanares, bem como as intensidades de elétrons ao longo de cada plano cristalino, são características específicas e únicas de cada substância cristalina, da mesma forma que o padrão difratométrico por ela gerado”, exemplificou Dr. Luciano  Gobbo.

Recentemente, com a utilização de mais tecnologia e a análise de todo o padrão do difratograma, foi desenvolvida uma metodologia que permite o refinamento de estruturas cristalinas complexas, o Método de Rietveld. Segundo Dr. Luciano Gobbo, “trata-se de um procedimento de análise quantitativa, com reconhecida precisão e que considera todo o difratograma, baseado na comparação de um espectro observado e outro calculado a partir de estruturas conhecidas de cada fase da amostra”.

Bruno Rostirolla, 21 anos, estudante do quarto ano de Física da UEL, acompanhou a palestra com o objetivo de conhecer um pouco mais sobre a técnica de DRX e suas aplicações na indústria e no meio acadêmico. “Eu já conhecia a técnica, mas nunca tive a oportunidade de fazer alguma medida utilizando o aparelho. Essa técnica consegue caracterizar amostras desconhecidas e nos fornece informações sobre a sua estrutura atômica. Com esses dados em mãos, podemos nos aprofundar no material e aprender um pouco mais sobre ele”, conclui o estudante.

 

Para Bianca Akemi Kawata, 22 anos, também estudante do quarto ano do curso de Física da Universidade, a  aquisição do equipamento é bastante vantajosa. “Já tive a oportunidade de utilizá-lo para análise de uma amostra que eu estou usando em meu projeto de iniciação científica. O difratômetro é importante para os estudos que fazemos no laboratório e agora, com o equipamento na UEL, não precisamos mandar as amostras para serem analisadas em outras instituições, o que facilita muito”.

Serviço – Mais informações sobre o uso do equipamento podem ser obtidas no site: http://ldrx-uel.ning.com/, com o professor Dr. Jair Scarminio (43-3371-5812) e também com Paulo Rogério Catarini da Silva ( 43-3371-4164), técnico do Laboratório FILMAT do CCE.

Créditos da foto: Isabela Nicastro

 


Projeto do Departamento de Música e Teatro proporciona vivência musical de qualidade ao Ensino Infantil

outubro 26, 2010

O objetivo é ampliar e enriquecer o conhecimento musical infantil

Projeto leva música de qualidade às escolas

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Deborah Vacari
“O ensino de música se dá por meio de possibilitar a vivência musical para as crianças”, afirma a professora mestre Helena Ester Munari Nicolau Loureiro*, que coordena o projeto de extensão “Música Criança: produção musical voltada para criança entre o nascimento e os dez anos de idade”, do departamento de Música e Teatro da Universidade Estadual de Londrina.

A professora Helena Loureiro explica que a ideia do projeto surgiu do trabalho com as crianças no estágio.  “Atualmente, nossos alunos no estágio têm papel de professores. Ministram aulas de música, fazem planejamento de ensino com a nossa supervisão”, explica.

Para a professora, as crianças precisam vivenciar a música por meio do contato musical. “Esse contato fará com que a criança amplie seu conhecimento musical e com que este não fique restrito só àquilo que a mídia oferece”.

Aos estudantes que participam do estágio, o projeto proporciona momentos de música ao vivo para as crianças. A coordenadora Helena Loureiro explica que apresentações com temas relacionados ao que foi trabalhado nas aulas acontecem no final de cada semestre. Como exemplo, ela cita “uma estagiária que trabalhou com o samba no semestre passado”.

Helena Loureiro destaca que o projeto integra ensino e extensão. “Ensino é a parte do estágio e a extensão envolve o que está além do estágio, ou seja, outras ações que realizamos”.  Os acadêmicos do curso de Música inscrevem-se em um grupo de estágio chamado ‘Grupo Multiserial de Estágio e Prática de Ensino’. Isso ocorre desde o primeiro ano do curso e, a partir desse processo, formam-se os grupos que desenvolverão os projetos que o curso oferece.

O desenvolvimento do projeto Música Criança ocorre no Centro de Educação Infantil, situado na UEL, que compreende crianças de zero a seis anos de idade; e também na Escola Municipal Norman Prochet, situada no Parque Guanabara, em Londrina, que tem o ensino fundamental do primeiro ao quinto ano. A professora destaca que a Escola Municipal obteve melhor nota no Índice de Desenvolvimento da Educação – IDEB – “um indicador para análise de qualidade do ensino oferecido no país”.  De acordo com ela, as aulas de música são ministradas duas vezes por semana e cada grupo possui em média oito estagiários.

Desde o seu primeiro ano de faculdade, o acadêmico do segundo ano do curso de Música, Fernando Magre, participa do projeto e relata sua vivência. “O projeto Música Criança tem uma proposta muito interessante que é a de produzir música de qualidade voltada à infância. A cada reunião, aprendo uma coisa nova, sobre arranjo, instrumentação, harmonia, composição, etc. Nas apresentações, temos contato com nosso público: as crianças. Elas são muito atentas e interessadas e tornam o nosso trabalho gratificante”.

 

A coordenadora Helena Loureiro revela que há ainda outra ação, que é a montagem de um espetáculo infantil. “O professor Mário Loureiro compôs canções sobre os poemas infantis de Carlos Francovig, de acordo com a sugestão do poema”. A professora destaca que os arranjos são feitos coletivamente pelos estudantes do curso de Música, sob a direção musical do professor Mário Loureiro, também do Departamento de Música e Teatro.

Está prevista para o início do semestre a gravação de um CD com canções inéditas. De acordo com  professora Helena Loureiro, “até o término dessa etapa do projeto, aspira-se por um material que envolva o CD e um livro de poesias”.

A professora Helena Loureiro destaca que o enriquecimento cultural é uma das ações do projeto e que esse é um dos motivos para a escolha da faixa etária de zero a dez anos. “O  maior efeito que se poderia ter com o projeto é possibilitar o acesso de repertório rico musicalmente, rico no ponto de vista da poesia. É extremamente gratificante ver a expressão das crianças quando elas assistem a uma apresentação. A correspondência que buscávamos, que é atingir a criança em sua fantasia, em sua imaginação, acontece”, conclui.

 

*Helena Ester Munari Nicolau Loureiro é graduada em Educação Artística – Habilitação  em Música pela Faculdade Santa Marcelina (1988), especialista em Metodologia da Ação Docente (1999) e mestre em Educação (2006) pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Créditos: http://nbastos.blog.com/2008/11/12/a-importancia-da-musica/


 

 


Parede de escalada será revitalizada na UEL

outubro 26, 2010

Projeto ainda em busca de verbas vai, além de proporcionar a retomada da atividade física e de lazer, contribuir para quem precisa tomar decisões sob pressão

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Guilherme Popolin

O Centro de Educação Física e Esporte (CEFE), da Universidade Estadual de Londrina (UEL) vai ter sua parede de escalada revitalizada. A parede, que há

O professor Dr. Ernani Xavier Filho, coordenador do projeto

alguns anos fica na área externa do centro, sofreu com a ação do tempo. Com a intenção de retomar as atividades, voltadas também ao lazer, o professor Tony Honorato* idealizou o projeto de extensão “Escalada no CEFE: Retomada de uma vivência lúdica”. A coordenação é feita pelo professor Dr. Ernani Xavier Filho, graduado em Educação Física pela Universidade Norte do Paraná e doutor em Educação Física pela Universidade de São Paulo.

De acordo com professor Dr. Xavier Filho, o objetivo do projeto é estudar os aspectos de aprendizagem motora e lazer, tendo a escalada como tarefa a ser cumprida. “Além de ser um campo de estudo, vamos proporcionar momentos de lazer para a comunidade universitária”, diz. O professor conta que o projeto foi apresentado e aprovado pelo departamento e, hoje, está em processo de estudos e orçamentos para tornar possível a montagem da parede na parte interna do ginásio do CEFE, além da compra de equipamentos. “Agarras, cruzeta, cadeirinha e cordas são equipamentos de escalada necessários para que possamos dar início às atividades”, completa.

Segundo o professor, no momento estão apresentando o projeto a algumas instâncias da universidade, como a prefeitura do campus, e concorrendo no edital de extensão da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), com o objetivo de angariar fundos para a construção da parede. O projeto de extensão conta com os dois professores, Tony Honorato e o Dr. Ernani Xavier Filho, e mais dois acadêmicos de Educação Física bolsistas. “Os estudantes fazem levantamento sobre o material: ludicidade envolvida na atividade como lazer e de escalada. Quando o projeto começar a funcionar já vão ter conhecimento sobre esses itens”, diz o professor Xavier Filho.

Para o professor, como toda atividade física, a escalada melhora a qualidade atlética das pessoas. “Outra coisa que chama a atenção é a questão de confiança, de autodomínio e autocontrole dos praticantes”, conta. De acordo com o coordenador Xavier Filho, estudantes, professores e funcionários terão uma nova forma de lazer, mas poderão participar, desde que devidamente habilitados, com certificação de uso, acompanhamento, além de horários definidos e segurança adequada. “É uma atividade que envolve alguns riscos, mesmo que controlados. Dentro dessas perspectivas espera-se que as pessoas participem das ações de treinamento”, diz.

Segundo o professor Dr. Xavier Filho, o processo de habilitação para a pessoa poder participar da atividade inclui treinamento com profissionais já habilitados, convivência e experiência. “Ter encontros, atuações em paredes de dificuldade moderada e depois com o tempo se habilitar para participar de muros ou paredes com maior grau de dificuldade” são etapas fundamentais para o professor. Ele conta que a participação na parede vai estar condicionada à capacitação e lembra a importância dos instrumentos de segurança. “Tem que ter uma cadeirinha apropriada, suporte colocado no quadril e que dê sustentação ao sujeito através da corda, que fica suspensa na parede”.

Aprender a tomar decisões sob pressão é um dos benefícios da escalada citados pelo professor Dr. Xavier Filho. “Executivos fazem escalada, como método de treinamento para a tomada de decisão. A experiência pode ser transferida para a vida real. Essas atividades são indicadas para as pessoas que precisam tomar decisões rápidas e acertadas”, conclui.

 

*Possui graduação em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, mestrado em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba e está em doutoramento no da Universidade Estadual Paulista.

Créditos da foto: Guilherme Popolin



Palestra aborta comunicação entre Literatura e Cinema

outubro 20, 2010

Evento apresentado no CCH trata da intermedialidade entre Literatura e Cinema

Edição e Pauta: Fernanda Cavassana
Reportagem: Isabella Sanches

Foi apresentada na UEL, em setembro a palestra “Literatura e cinema sob o prisma da
intermedialidade”. Ministrada pelo professor doutor Adalberto Muller, a palestra aborda a
comunicação que deveria existir entre literatura e o cinema, e como esse diálogo beneficiaria
ambas as partes. Aldaberto Muller possui Graduação em Letras e Mestrado em Literatura Brasileira
pela Universidade de Brasília (Unb), Doutorado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e
Pós-Doutorado na Universidade de Münster, na Alemanha. Atualmente é professor de Teoria da
Literatura e de Literatura e Cinema na Universidade Federal Fluminense, onde atua no Programa
de Pós-Graduação em Estudos Literários. O Conexão Ciência conversou com o professor
Muller sobre a palestra.

Conexão Ciência: Como começou o seu interesse pelo cinema?
Prof. Dr. Adalberto Muller:
Em primeiro lugar eu sempre tive paixão por cinema. Eu havia
concluído o meu doutorado em letras e acabou que a única vaga que apareceu era na área de
cinema, então eu acabei voltando a um projeto antigo. Mas, hoje sou professor na Universidade
Federal Fluminense e faço questão de permanecer nas letras porque sei que o local do cinema é
lá.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia para a palestra?
Prof. Dr. Adalberto Muller:
Surgiu por um convite da UEL, do programa de pós-graduação.
Surgiu em função também do meu envolvimento com a Associação Brasileira de Literatura
(ABRALIT), que abriu uma seção para discutir a relação literatura e outras mídias. Existe na área de
letras uma abertura para discussões sobre cinema, o que eu acho muito interessante.

Conexão Ciência: Na palestra você menciona que a letras ainda estão fechadas para o
cinema. Por que isso ocorre?
Prof. Dr. Adalberto Muller:
Em grande parte por desconhecimento de aspectos mais
técnicos, mas também por uma resistência dos nossos letrados ao lado massivo. O cinema visto
como arte de massa e a elite intelectual brasileira sempre pensa mais em termos minoritários.
Então tudo que parece massivo, parece nocivo. E isso criou certo descaso dos letrados brasileiros
em relação ao cinema.

Conexão Ciência: Porque o cinema acaba migrando para a comunicação?
Prof. Dr. Adalberto Muller:
O curso de comunicação formou quadros para o jornalismo e
também começou a formar quadros para o cinema, quadros técnicos inclusive. Então a
comunicação acabou centralizando também as pesquisas e os estudos de cinema, que
tradicionalmente em alguns países, como os de língua inglesa, Portugal e França, começa dentro
do curso de letras. Aqui, como não houve interesse dos nossos letrados, o cinema acabou
migrando para a comunicação e agora espero que volte em parte para as letras.

Conexão Ciência: Como pode haver o diálogo entre as letras e o cinema?
Prof. Dr. Adalberto Muller:
Do ponto de vista teórico, os estudos de cinema dentro da área de
comunicação desenvolveram questões teóricas que são importantes para a literatura hoje. A
literatura hoje está dentro de um sistema midiático, hoje você lê no Ipod e quando você lê no Ipod
você está lendo dentro de uma mídia. Quem tem essas mídias é a comunicação, então o diálogo
com a comunicação é importante. Agora quando se estuda a questão das narrativas, do cinema
como narrativa, da literatura como narrativa, é a literatura que pode ensinar melhor a área de
comunicação então o dialogo nesse sentido é importante e deve ser feito.

Conexão Ciência: Com esse diálogo o que mudaria no curso de letras?
Prof. Dr. Adalberto Muller:
Em primeiro lugar é importante que se ensine cinema nos cursos
de letras, porque isso vai fazer com que os professores de português possam ensinar cinema nas
escolas. Em um país onde a maioria do consumo de narrativas é através do áudio visual, é preciso
que alguém ensine as nossas crianças o que é o áudio visual e os professores de português
poderiam fazer isso se dessem nos cursos de letras formação para isso.

Conexão Ciência: E o que mudaria no cinema, com o diálogo cinema e literatura?
Prof. Dr. Adalberto Muller:
No cinema nós teríamos mais espectadores, espectadores mais
informados que iriam exigir um cinema de maior qualidade. Iria ser uma mudança significativa.



Projeto tem corpo como objeto de pesquisa

outubro 20, 2010

Departamento de Artes Visuais da UEL pesquisa o corpo como reflexão poética

"Não Arde" de Carolina Fernanda Almeida

 

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Isabella Sanches

Ao perceber que a questão do corpo estava muito presente na produção dos estudantes de artes visuais da UEL, a professora Vanessa Tavares da Silva coordena o projeto “Corpo Arte: reflexão e poética”. Essa demanda pelo corpo foi percebida pela docente enquanto participava do projeto “Pintura Mural, a cor ativando as paredes da cidade de Londrina”. “Nesse tempo, partimos da observação sobre o que os estudantes que participavam estavam produzindo em pinturas e desenhos. Alguns inclusive faziam TCC, estavam com as pesquisas mais direcionadas. O que nós percebemos de maneira geral era o corpo como uma questão que reincidia de várias maneiras em tais produções; pensando a questão da identidade do sujeito ou das várias proposições de corpos”. Vanessa da Silva possui graduação em Educação Artística pela UEL e mestrado em Cultura Visual pela Universidade Federal de Goiás. Atualmente, é professora assistente da Universidade Estadual de Londrina no Departamento de Artes Visuais.

Com o término do projeto “Pintura Mural, a cor ativando as paredes da cidade de Londrina”, foi efetivada a criação do projeto de pesquisa “Corpo Arte: reflexão e poética”, que tem como objeto o corpo e suas implicações. De acordo com Vanessa Tavares da Silva, o projeto é focado teoricamente da modernidade até os dias de hoje, com reflexões e entrecruzamentos de outras disciplinas, como literatura, filosofia, além da história da arte. O projeto possui duas vertentes, uma teórica e outra mais prática, onde uma necessita da outra. Segundo a docente, o projeto busca prestar atenção na condição humana. ”Como é percebida a relação do homem com o mundo, e como as diversas configurações do corpo acabam sendo um mote para tais discussões”, explica.

Carolina Fernanda Almeida, estudante do 2° ano de Artes Visuais, é orientada por Vanessa da Silva e está no projeto desde novembro do ano passado. Nele, a estudante produz textos auxiliando o desenvolvimento da pesquisa e a problematização da questão do corpo. No campo prático Carolina já produziu fotografias, desenhos e pinturas, pensando o corpo. “O tema maior do estudo é o corpo como reflexão. Para mim o sentido do corpo está em tudo e eu o levo para todos os lugares“, afirma a estudante.

De acordo com Vanessa da Silva, a ideia é a de os participantes do projeto irem descobrindo modos que respondam ao que eles querem propor, tendo como base produções artísticas anteriores e atuais, assim como as reflexões e teorizações que acompanham e entrecruzam as suas produções. Nas pesquisas, os estudantes trabalham questões acerca da corporeidade, do olhar para si, do homem e o tempo no mundo. Vanessa Tavares orienta cinco trabalhos que tratam sobre, entre outras coisas, autorretrato, sobre percepção e a condição do corpo no mundo, com enfoque ao olhar atento ao que não necessariamente se vê e passa despercebido. “A partir do interesse em determinado enfoque e proposição visual e da bibliografia pesquisada, o projeto varia entre a história da arte para entendermos como essas inquietações ocorreram no decorrer do tempo, e outras disciplinas como a filosofia, a sociologia, antropologia, literatura, entre outras,” afirmou a professora Vanessa da Silva. A docente afirma que a pesquisa bibliográfica, até mesmo relacionada a outras disciplinas, é fundamental para se entender como o que é proposto agora pelo estudantes se deu em outros momentos.

Carolina Almeida conta que seu interesse inicial no projeto foi pela fotografia. “Quando entrei no projeto trabalhava com fotografia. Foram quatro sessões fotográficas. “As três primeiras aconteceram de forma mais intuitiva e foram os seus resultados que me levaram a pensar no que deveria procurar – se encontraria o “problema” em outro tipo corpo, já que os corpos dos primeiros ensaios eram magros e não davam mais possibilidade de movimento e formas”, conta a estudante. Carolina Almeida foi então em busca de um corpo que já tivesse um tempo inscrito, ou seja, um corpo de alguém com mais idade. Um corpo, que segundo ela, estava fora dos padrões de beleza, onde a densidade dele mesmo pudesse dar conta do resultado fotográfico. “A principio é o corpo que está ali, mas conforme a disponibilidade dele, conforme os traços, as cicatrizes, o movimento, o reflexo do tempo na pele a imagem fotográfica vai se transformando em outras coisas além do corpo. São equívocos do corpo que se depõem como matéria”, explica a estudante.

Carolina Almeida vê sua pesquisa como uma busca que não tem fim, e com o decorrer do projeto passa da fotografia para o desenho e para a pintura. “Se em um lugar a forma está se esgotando, se repetindo, vou para outras estâncias, propondo problemas para tentar resolver. Em média devo ter mais de sessenta quadros e desenhos, além de diários que me auxiliam tanto no desenho como na escrita.” A estudante passou a fazer também autorretratos. “Me propus a reconhecer e problematizar meu próprio corpo, já que antes problematizava o corpo dos outros. Me coloquei na frente do espelho e encarei o que via, o que considerava como um problema, e trouxe para a produção”, afirma.

A divulgação dos trabalhos produzidos no projeto tem sido feita pela via acadêmica e pela via expositiva. A professora Vanessa da Silva destaca que exposições passaram a ser também uma questão acadêmica. “Alguns estudantes são bolsistas do PROARTE, uma bolsa de iniciação artística que começou ano passado e é um projeto piloto da UEL, nele está previsto como item de pontuação as exposições, sendo agora algo que passa a ser também avaliada como produção acadêmica. através de exposições e apresentações em encontros”, explica. Ela conta que esse ano trabalhos já foram expostos no 3º seminário nacional de pesquisa em Cultura Visual na UFG em Goiânia, e que em novembro participarão do SELISIGNO, evento do Departamento de Letras da UEL e do EAIC, que esse ano será em Guarapuava. A orientadora Vanessa da Silva, ainda menciona que alguns dos estudantes foram selecionados para os editais de exposições coletivas no SESC e na Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da UEL. Carolina Almeida, por exemplo, expôs na Casa de Cultura (Divisões de Artes Plásticas da Uel) do dia 28 de Agosto à 30 de Setembro, com séries de trabalhos em objetos tridimensionais e desenhos. Ela tem também uma exposição prevista para o dia 04 a 31 de novembro, no SESC, com fotografias, pinturas e desenhos.